A Índia ultrapassou o Brasil nesta segunda-feira (12) e ocupa agora o segundo lugar do país com o maior número de infecções por coronavírus. Em apenas um dia, as autoridades indianas registraram mais de 168.000 casos. 

Com população de 1,3 bilhão de pessoas, a Índia tem relatado um rápido aumento de novas contaminações nas últimas semanas. O número total de casos é de 13,5 milhões, um pouco acima dos 13,48 milhões do Brasil. Em novembro do ano passado, a Índia já havia ultrapassado o Brasil em infecções.

Especialistas alertaram que multidões enormes – em sua maioria sem máscaras e aglomeradas – em comícios políticos em estados com eleições, festivais religiosos e em outros locais públicos, estão alimentando a nova onda de infecções. 

“O país inteiro foi complacente: permitimos congregações sociais, religiosas e políticas”, disse à AFP Rajib Dasgupta, professor de saúde da Universidade Jawaharlal Nehru. 

Segundo ele, ninguém mais obedece filas de distanciamento social.  

Aumento de 70% de casos em uma semana

O país registrou mais de 873.000 casos nos últimos sete dias – um aumento de 70% em relação à semana anterior, segundo dados compilados pela AFP. 

Em comparação, o Brasil registrou pouco mais de 497.000 casos com uma tendência de aumento de 10% em relação à semana anterior. 

Os Estados Unidos – o país mais atingido – relataram pouco menos de 490.000 casos, com uma tendência de aumento de 9%. 

O pico na Índia, depois que os aumentos diários nos casos caíram para menos de 9.000 no início de fevereiro, fez com que muitos estados e territórios gravemente afetados impusessem restrições à circulação e às atividades. 

O estado mais rico da Índia, Maharashtra, que tem sido o principal responsável pelo aumento das infecções, impôs na semana passada um lockdown aos fins de semana e um toque de recolher noturno. 

Possibilidade de lockdown total

As autoridades de Maharashtra advertiram que um bloqueio total – uma medida drástica que os governos nacionais e estaduais tentaram evitar para proteger a economia já devastada – pode ser imposto nos próximos dias, se os casos continuarem aumentando. 

“A solução é que todos fiquem em casa por dois meses e acabem com a pandemia de uma vez por todas. Mas o público não escuta”, disse o garçom Rohit, 28, de Mumbai.

“Ninguém segue as regras no restaurante. Se dissermos aos clientes para usarem máscaras, eles são grosseiros e desrespeitosos conosco.” 

O governo da capital da Índia, Nova Délhi, onde há toque de recolher à noite, anunciou no domingo (11) que 65% dos novos pacientes com Covid-19 tinham menos de 45 anos. As autoridades locais não são a favor de um lockdown, mas podem recorrer à medida se os leitos hospitalares começarem a se esgotar. 

(com informações da AFP)