“Returnal” é um jogo que, mesmo para iniciados no gênero roguelike, promete longas horas de tentativa e erro até que se consiga progredir na história -mas garante diversão para quem quiser encarar o combate difícil e o progresso lento.

Um roguelike é um estilo de game no qual morrer é mais ou menos definitivo. A cada derrota, o jogador é levado de volta ao início, e precisa começar tudo de novo -a quantidade de progresso permanente varia de título para título.

No mundo de ficção científica de “Returnal”, você é Selene Vassos, uma patrulheira da corporação Astra que sofre um acidente e tem um pouso forçado no planeta Atropos. Selene logo percebe que, a cada vez que é morta pela fauna agressiva do planeta alienígena, volta ao momento do acidente, e precisa navegar novamente pelas ruínas de uma civilização extinta -na primeira fase, ou “bioma”, o jogo aposta em um ambiente entre o filme “Prometheus” e o mundo invertido da série “Stranger Things”. Há seis biomas no total.

O atrativo em um roguelike é justamente a diversidade. A cada morte, o jogador tem uma experiência nova, com salas, inimigos e até habilidades diferentes para explorar. É esse aspecto que evita que o jogo fique maçante.

“Returnal” não faz um bom trabalho nesse quesito: apesar da mudança constante na estrutura dos níveis, o game não oferece muito mais do que isso para manter o interesse do jogador. Depois de algumas mortes, o combate em estilo tiro em terceira pessoa, intenso e difícil, corre o risco de se tornar frustrante.

Outro ponto crucial na maioria dos roguelikes recentes é o progresso permanente: apesar das mortes, coisas como equipamentos ou melhorias em habilidades permanecem e vão tornando o jogador cada vez mais forte e melhor preparado para lidar com os desafios.

Mas em “Returnal”, o progresso permanente não é muito expressivo. Não há como evoluir de nível nem atributos da personagem a serem melhorados de forma permanente. A motivação para continuar depende da curiosidade do jogador para descobrir o que aguarda no próximo bioma -o que pode não ser o bastante para quem prefere uma experiência menos complicada.

O jogo melhora nos momentos em que apresenta novas mecânicas e áreas, sempre depois de um chefe. Quando o primeiro é derrotado e o novo bioma é desbloqueado, há novos inimigos, armas e desafios a conquistar, e com o tempo o combate começa a fluir melhor. Em uma semana, este repórter jogou “Returnal” por cerca de 20 horas, conseguindo progredir até o terceiro bioma.

A história, outro pilar importante para sustentar o interesse no jogo, demora a cativar, com um enredo lovecraftiano misterioso até demais e uma protagonista que não inspira muita simpatia. Mas, assim como acontece com o combate, a insistência vai criando curiosidade para saber mais sobre a vida de Selene e quem eram os alienígenas que viviam no planeta antes dela.

Desenvolvido pelo estúdio finlandês Housemarque, “Returnal” tem a vantagem de ser um dos primeiros exclusivos do PlayStation 5. O console da Sony foi lançado há apenas seis meses, e por isso não tem muitas opções de jogos pensados especificamente para ele.

O game cumpre esse papel com maestria -os gráficos são lindos, o tempo de carregamento é praticamente inexistente, e detalhes como pequenas vibrações no controle do PS5 que imitam o tamborilar da chuva no capacete da astronauta, por exemplo, são primorosos.

Talvez esse seja o principal ponto forte de “Returnal” -se você comprou um Playstation 5 agora, tem pouca coisa para jogar. Sendo capaz de engolir o preço, o jogo pode ser uma boa maneira de passar o tempo com o console enquanto se espera por experiências mais robustas da nova geração de games.

RETURNAL
Avaliação: bom
Quando: Lançamento nesta sexta (30)
Onde: PlayStation 5
Preço: R$349,90 na PlayStation Store
Classificação: 14 anos
Produção: Finlândia, 2021
Desenvolvedora: Housemarque