LONDRES, REINO UNIDO (UOL-FOLHAPRESS) – O ex-presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) de 1993 a 2009, Max Mosley, morreu aos 81 anos. O britânico ficou marcado por polêmicas e também por ter trabalhado duramente para melhorar a segurança no automobilismo. A morte foi confirmada por Bernie Ecclestone, que por muitos anos dividiu com Mosley o comando da Fórmula 1.

“É como perder alguém da família, como perder um irmão”, disse Ecclestone à BBC. “Ele fez muitas coisas boas não apenas para o esporte a motor, mas também para a indústria automobilística, certificando-se de que as pessoas construam carros que sejam seguros.”

Com Ecclestone, que cuidava dos direitos comerciais da F1, Mosley usou sua habilidade política para conseguir ganhar poder dentro da categoria e foi muito importante para as mudanças feitas após a morte de Ayrton Senna, em 1994, em prol da segurança dos carros. Mas seus jogos políticos também tiveram resultados menos favoráveis, como quando ele quis implantar um teto orçamentário de 40 milhões de libras (algo em torno de 60 milhões de dólares na época) para as equipes de Fórmula 1 em 2009, o que causou a ameaça de criação de um campeonato paralelo.

Como pano de fundo dessa história, Mosley passava pelo maior escândalo de sua vida, depois que o tablóide inglês News of the World publicou uma matéria dizendo que o então presidente da FIA tinha participado de uma orgia com temática nazista. Mosley processou o jornal e ganhou a causa, mas sua posição como presidente da FIA, tanto pelas polêmicas dentro, quanto fora das pistas, ficou prejudicada e ele não se candidatou à reeleição, saindo no final de 2009. No entanto, ele seguiu trabalhando pela segurança dos carros de rua. O pano de fundo dessa história é o fato de que o pai de Max, Oswald Mosley, fez parte do partido nazista britânico a partir da década de 1930 e o próximo Max também teve envolvimento político na adolescência, fazendo uma tentativa de retorno que não durou muito tempo nos anos 1980, pelo Partido Conservador da Inglaterra.

Mesmo sendo advogado de formação e tendo grande gosto pela política, Mosley sempre teve uma enorme paixão por carros, e chegou a ser piloto depois de se formar na universidade, tendo completado 40 corridas entre 1966 e 1967 e vencido 12 delas, todas no Reino Unido. Em 1968, ele chegou a correr pela equipe de Frank Williams na Fórmula 2, última categoria antes da Fórmula 1, mas acabou desistindo depois de sofrer dois acidentes mais graves, em uma época de muitas fatalidades no automobilismo.

Mas seu caminho para a F-1 já estava selado, ainda que trabalhando na parte legal da equipe March, em 1969. Foi aí que ele começou a entrar na parte política das equipes, na mesma época em que Ecclestone fazia o mesmo.