Operação ‘Offroad’ cumpre oito mandados de busca e apreensão em Rio Branco, nesta quarta-feira (2). Ação investiga crimes de desvio de recursos públicos, fraude em licitação e associação criminosa, ocorridos em 2020, em Senador Guiomard.

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (2) a ‘Operação Offroad’, com o objetivo de investigar os crimes de desvio de recursos públicos, fraude à licitação e associação criminosa, ocorridos em 2020, no município de Senador Guiomard, no interior do Acre.

Durante a operação, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Federal Cível e Criminal do Acre e 30 policiais federais participaram da ação. Todos os mandados foram cumpridos em Rio Branco.

Conforme a polícia, as investigações apontam que a gestão anterior do município, aproveitando-se da pandemia da Covid-19 e das facilidades licitatórias, contratou por dispensa de licitação empresa recém-criada para fornecer temporariamente caminhonetes movidas à diesel.

Esses veículos, supostamente, seriam usados para distribuição de medicamentos, atendimentos na zona rural do município e entrega de kits de limpeza, além de outras demandas.

G1 entrou em contato com a atual prefeita de Senador Guiomard, Rosana Gomes (PP), para saber se os contratos firmados anteriormente foram suspensos e se passaram por auditoria na nova gestão, mas não obteve resposta até última atualização. A reportagem também tentou contato com o ex-prefeito, André Maia (MDB), mas não obteve sucesso.

Operação ‘Offroad’ cumpre oito mandados de busca e apreensão em Rio Branco, nesta quarta-feira (2) — Foto: Arquivo/PF

Operação ‘Offroad’ cumpre oito mandados de busca e apreensão em Rio Branco, nesta quarta-feira (2) — Foto: Arquivo/PF

Irregularidades na contratação

No entanto, as diligências investigativas indicam que a prefeitura de Senador Guiomard pagou integralmente o contrato pelo aluguel das caminhonetes no valor de R$ 132 mil, mas que os veículos não foram fornecidos ou usados pela Secretaria de Saúde da cidade. Ainda segundo a PF, há uma série de indícios de irregularidades na contratação.

Outra constatação da PF durante as investigações foi que a empresa contratada para fornecer os automóveis seria, na verdade, uma loja de roupas e acessórios femininos criada poucas semanas antes da assinatura do contrato, sem qualquer experiência na área de locação de veículos. Segundo a polícia, registros de órgãos de trânsito confirmam que nem a empresa contratada nem as sócias tinham em seu nome veículos compatíveis com o solicitado pelo município.

Em consulta ao procedimento de dispensa de licitação, a equipe de investigação notou que, para contornar a ausência de caminhonetes em seu nome, a empresa contratada apresentou à prefeitura documentos de veículos de terceiros, que foram aceitos pela gestão. A PF descobriu ainda que as caminhonetes apresentadas não foram usadas para os fins previstos no contrato.

Ao todo, sete pessoas estão sendo investigadas pelos crimes de peculato, fraude à licitação e associação criminosa. Somadas, as penas dos três crimes podem chegar a 23 anos de reclusão, além do pagamento de multa.

O nome da operação foi escolhido em alusão à própria justificativa para o contrato, indicada pela prefeitura de Senador Guiomard, que seria para atendimentos na zona rural do município. No entanto, o que se notou com as investigações é que as caminhonetes não foram usadas para os fins do contrato, apesar do valor acordado ter sido pago à empresa selecionada.

G1.com/Acre