SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O cantor e compositor Bob Dylan, 80, está sendo acusado de ter cometido abuso sexual contra uma menina de 12 anos, segundo informações de publicações como as revistas especializadas Rolling Stone e Pitchfork.

A queixa-crime foi oferecida à Justiça de Nova York na última sexta-feira (13), horas antes de terminar o prazo concedido por uma lei estadual para que vítimas de abuso sexual na infância, cujos crimes já prescreverem, acionassem o Poder Judiciário nova-iorquino.

A suposta vítima, que se identifica como J.C, tem hoje 68 anos e vive no estado americano de Connecticut, diz que Dylan cometeu sucessivos crimes sexuais contra ela ao longo de seis semanas, entre abril e maio de 1965, quando ela era pré-adolescente e ele, um músico estabelecido.

J.C. afirma que “Dylan se aproveitou de seu status como músico para conquistar a sua confiança e assim abusar dela”, segundo os termos da ação, obtida pela Pitchfork. Ainda segundo a publicação, a suposta vítima alega que o cantor oferece drogas e álcool e abusou dela vária vezes. Isso teria acontecido no hoje icônico hotel Chelsea, em Manhattan, que nos ano 1960 e 1970 hospedou dezenas de artistas na cidade de Nova York.

Os advogados de J.C. dizem que o suposto abuso teria provocado danos físicos e psicológicos duradouros, e que ela busca reparação financeira cujo montante será fixado pelo júri designado para o caso.

À revista Rolling Stone, os representantes de Dylan negaram as acusações e disseram que “as acusações de mais de 56 anos são mentirosas e serão vigorosamente rebatidas”. Já Daniel W. Isaacs, advogado que atua no caso pelo lado de J.C., afirmou que as alegações serão comprovadas em juízo.

Essa não é a única batalha judicial travada pelo músico. Pouco antes de a queixa ser oferecida, a Justiça negou provimento a outra ação contra Dylan, essa referente a uma disputa por direitos autorais.

A viúva de Jacques Levy, um dos coautores das letras do cantor, moveu uma ação contra o compositor alegando que ele e seu marido tinham um acordo de repartir dividendos referentes ao álbum “Desire”, lançado em 1976. Com isso, ela teria direito a uma parte do acordo de US$ 300 milhões que Dylan firmou ao vender seu catálogo de canções à Universal.

A Justiça, contudo, entendeu que nesse caso Dylan é dono de todos os royalties e que ação não deveria prosperar.

Um dos maiores compositores da história da música americana, Bob Dylan venceu o Nobel de Literatura em 2016 “por ter criado novas expressões poéticas na grande tradição musical americana” – façanha inédita para um músico e uma das decisões mais radicais da história do prêmio.

Em 1965, ano em que, segundo a queixa-crime, ele teria cometido os abusos sexuais contra J.C., o cantor passava por uma guinada em sua carreira e tinha passado a adotar instrumentos elétricos, como a guitarra, em suas composições, o que gerou críticas entre fãs e seus colegas do folk.

Ele também passou a se vestir de forma diferente, abandonando o jeans e camisa por um visual mais próximo do de roqueiros como os Beatles, com botas e óculos escuros.

Naquele ano para lá de intenso, Dylan lançou discos centrais dentro de sua obra, como “Bringing It All Back Home”, que traz músicas como “Subterranean Homesick Blues” e “Mr. Tambourine Man”, e “Highway 61 Revisited”, de onde saiu “Like a Rolling Stone”.

Foi em novembro de 1965 que ele se casou com Sara, sua primeira mulher, com quem teve quatro filhos e de quem se divorciou 12 anos depois.