GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) – Ao menos quatro pessoas morreram nos Estados Unidos desde o último domingo (29) devido aos impactos do furacão Ida, que se desdobrou em uma tempestade tropical e atingiu a parte sudeste do país, em especial os estados de Louisiana e Mississippi. Mais de um milhão de americanos também estão sem energia elétrica.

Na noite de segunda-feira (30), duas pessoas morreram e 10 ficaram feridas após chuvas torrenciais levarem ao desabamento de uma rodovia no sudeste de Mississipi.

Em Louisiana, um homem morreu afogado ao tentar manobrar seu carro em uma enchente na cidade de Nova Orleans, e outro morreu após a queda de uma árvore em Prairieville.

A Entergy, empresa de energia da Louisiana, disse que provavelmente “levaria dias para determinar a extensão dos danos à rede elétrica e muito mais tempo para restaurar a transmissão elétrica para a região”. O desabastecimento elétrico e, em alguns locais, a falta de água, preocupam especialmente pela onda de calor que se aproxima de Louisiana e do Mississipi nesta terça (31), segundo alerta emitido pelo Serviço Nacional de Meteorologia.

O presidente Joe Biden aprovou o pedido do estado de Louisiana para uma declaração federal de desastre e o pedido de Mississipi para uma declaração de emergência, o que facilita o envio de ajuda federal para complementar os esforços estaduais. “Sabíamos que o furacão Ida tinha o potencial de causar danos maciços e foi exatamente isso que vimos”, disse o democrata em pronunciamento na segunda.

Mais de 3.600 funcionários da Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema, na sigla em inglês) foram enviados para as regiões mais atingidas, bem como 3,4 milhões de refeições, milhões de litros de água e cerca de 200 geradores de energia, informou a Casa Branca em comunicado na segunda.

“A maior preocupação é que ainda estamos realizando buscas e resgates e temos pessoas em todo o sudeste da Louisiana que estão em lugares difíceis”, disse o governador da Louisiana, John Bel Edwards, à rede americana NBC.

Ainda contabilizando os estragos deixados pelo Ida, algumas regiões americanas avaliam que a infraestrutura erguida após a passagem devastadora do furacão Katrina, há exatos 16 anos, se mostrou eficiente. O fenômeno deixou mais de 1.800 mortos.

Na cidade de Nova Orleans, o sistema de diques projetado com cerca de 15 bilhões de dólares conseguiu barrar parte do avanço da água e se manteve de pé, impedindo que a região fosse inundada. “Os dólares de parceiros estaduais e federais investidos em nosso sistema de diques não foram em vão. No entanto, seguindo em frente, devemos reparar nossa rede de energia quebrada”, escreveu a prefeita LaToya Cantrell em uma rede social.

Agora rebaixado para uma depressão tropical, o Ida se dirige para os estados do Tennessee e de Massachusetts nos próximos dias. Condados do Tennessee estão sob alerta para enchentes, o que significa que as condições são favoráveis para inundações, incluindo em uma área do estado que ainda se recupera das chuvas recordes causadas pela tempestade tropical Fred.

Cresce o consenso da comunidade científica americana de que a rápida intensificação do furacão têm raízes nas mudanças climáticas. “Sabemos que, em geral, os furacões estão se intensificando mais rápido”, disse Katharine Hayhoe, cientista-chefe da Nature Conservancy, organização ligada à preservação da biodiversidade, à TV americana CNN. “Eles são maiores e mais fortes do que seriam de outra forma, têm muito mais chuvas associadas, e o aumento do nível do mar exacerba a onda de tempestades.”