Murtaza Ahmadi, o menino afegão que se tornou conhecido em 2016, quando começou a circular uma fotografia sua com um saco de plástico vestido a imitar a camisa da selecção argentina com o número de Messi, está agora em Cabul escondido dos talibãs.

A criança, agora com 10 anos, vive com a família num pequeno apartamento na capital afegã, para onde fugiram há dois meses, vindos da sua aldeia natal, também na sequência da ofensiva talibã.

O que não esperavam era que, em tão pouco tempo, os talibãs assumissem também o controle de Cabul.

“Estou preso em casa e não posso sair porque tenho muito medo”, disse o jovem Murtaza, que pertence à perseguida minoria étnica hazara.

“Eu quero viajar para um local seguro. Por favor, salvem-me dessa situação”, implorou o menino, que pede ajuda para conseguir deixar o país com sua família e “jogar futebol em paz”. 

Depois de ter sido sensação nas redes sociais, o pequeno Murtaza cumpriu um dos seus sonhos e conheceu Lionel Messi, que lhe ofereceu duas camisolas e uma bola de futebol. Desde então, o conflito no Afeganistão levou o menino e a família a fugir de casa várias vezes, deixando os presentes oferecidos pelo craque para trás.

Já em 2016 foi feito um pedido à ONU para obter refúgio na Europa, por parte da família, mas foi negado.

Murtaza com a camisola assinada por Lionel Messi© DR Facebook UNICEF  

As ameaças impediram mesmo Murtaza de ir à escola durante vários anos, e agora a família só quer sair do país e conseguir refúgio num local seguro.

A comunidade Hazara, principalmente xiita, representa entre 10% e 20% dos 38 milhões de habitantes do Afeganistão e há muito que é perseguida por extremistas sunitas num país dilacerado por divisões étnicas e religiosas, segundo a AFP.

Os elementos desta minoria têm sido frequentemente alvo de ataques dos talibãs e do grupo jihadista Estado Islâmico, que os consideram hereges.

O mais recente ocorreu em maio, em Cabul, onde mais de 80 pessoas, na sua maioria raparigas, foram mortas num atentado à bomba numa escola.

Os talibãs voltaram ao poder a 15 de agosto, concluindo uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO que se encontravam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no seu território o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, considerado o principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001.