SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os americanos apoiam em peso a decisão do governo dos Estados Unidos de retirar as tropas do Afeganistão após 20 anos no país da Ásia Central. Desaprovam, porém, a maneira como o presidente Joe Biden conduziu a retirada, que abriu espaço para uma retomada veloz do grupo fundamentalista Talibã ao poder.

O resultado foi revelado por uma pesquisa realizada pelo jornal The Washington Post em parceria com a emissora de televisão ABC News de 29 de agosto a 1º de setembro e divulgada nesta sexta (3). Dos mais de mil respondentes, 77% apoiam o fim da ocupação militar americana, concretizado na última segunda (30), e 60% criticam a forma como foi feita.

Cerca de 52% manifestam as duas opiniões: era hora de retirar os soldados do país, mas a maneira de fazer isso trouxe danosas consequências. A maioria dos democratas apoia tanto a decisão quanto a condução de Biden, enquanto a maioria dos republicanos apoia a retirada, mas não a forma como o democrata lidou com isso.

Parte substancial (44%) argumenta que a retirada deixou os EUA menos protegidos contra atentados terroristas, enquanto apenas 8% dizem que o país mais está mais seguro -o restante não vê diferença. Um dos fatores de peso nas respostas foi a morte de 13 militares americanos e mais de 170 afegãos após um atentado terrorista cometido pelo Estado Islâmico (EI) em Cabul na última semana.

Junto às críticas, há uma opinião majoritariamente favorável dos americanos: 68% apoiam que os EUA recebam refugiados afegãos, depois que estes passem pela triagem de segurança, contra 27% que se opõem. E a tendência é suprapartidária -entre os republicanos, 56% dizem que os afegãos devem ser bem-vindos.

A pesquisa reforça ainda a perda do apoio popular a Biden desde o início da retirada das tropas. Sua taxa de aprovação ficou em 44% -uma queda de seis pontos percentuais em relação ao observado no final de junho. Já a de reprovação ficou em 51% -aumento de nove pontos em relação a dois meses atrás.