SÃO PAULO, SP (FOLHAPRES) – Depois de seis anos sem colocar um salto alto, o ator Rainer Cadete, 34, teve de tirar a poeira do sapato para voltar a interpretar Visky, em “Verdades Secretas 2”, continuação da novela de 2015 que está programada para estrear em outubro no Globoplay.

“É como andar de bicicleta?”, questiona esta repórter. “Médio”, responde ele. “Mas depois de pouco tempo, já estava lembrando de tudo”, relata, aos risos, o ator que está acompanhando a reprise da primeira parte da trama assinada por Walcyr Carrasco, atualmente no ar na Globo.

Retomar o papel do booker responsável por, entre outras coisas, ensinar a protagonista Angel (Camila Queiroz) a desfilar de salto alto tem exigido esforços e transformações físicas do ator.

Dentre as mudanças, Cadete teve de emagrecer 15 kg e pintou o cabelo de azul. “Adoro mudar para um trabalho, e amei a cor”, diz ele, acrescentando que manter o tom dos fios dá trabalho. “Todo o mês eu tenho que descolorir a raiz. Não posso mergulhar em piscina nem no mar. E eu mesmo retoco o meu azul, a cada dois dias. Tenho a tinta aqui, misturo um creme e passo o azul”, descreve.

Por causa dos procedimentos químicos, é preciso também hidratar muito mais o cabelo. E, como o personagem usa muita maquiagem, a pele do rosto é outra a exigir cuidados especiais do ator. Além de tudo isso, ele tem ainda que raspar constantemente os pelos do corpo e voltou a esmaltar as unhas.

Não é fácil ser Visky. Mas Cadete garante que vale a pena. “Estar perto dele me deixou mais alegre, mais cuidadoso com o meu corpo, mais produtivo”, afirma. “A gente está vindo de um momento difícil, em que fomos obrigados a nos recolher, ficar em casa. E aí voltar para esse personagem que é tão querido pelo público é muito bom”, acrescenta.

Na segunda parte da trama, ele antecipa que Visky ganha mais espaço. “Ele está mais maduro, segue trabalhando nesta área da moda e cresceu”, adianta. “Eu tenho certeza que o público não vai se decepcionar [com ‘Verdades Secretas 2’].”

Em 2015, mais do que o desafio de aprender a andar com elegância e leveza em cima de um salto 15 –foram quatro meses de aulas semanais que resultaram em uma única cena que foi ao ar–, o personagem exigiu do ator transformações profundas, no que ele considerou a mais intensa preparação de sua carreira.
“O mais desafiador foi abraçar o meu lado feminino”, afirma. “O Visky me ensinou e me ampliou essa consciência de um homem mais desconstruído e capaz de compor com o movimento feminista, com as mulheres.”

Para ele, o processo de interpretar o booker foi como se uma cortina caísse diante dos seus olhos. “Sem contar a minha aproximação com a comunidade LGBTQIA+, de entender o que é esse universo e a importância desse movimento que luta por políticas públicas e para trazer atenção para corpos que são invisibilizados por esse sistema patriarcal.”

O ator conta que dedicou o trabalho à sua mãe, Ronalda das Graças Cunha, e às mulheres. Além de amigos que se parecem com o Visky, ele também diz ter se inspirado nos personagens apresentados no reality RuPaul’s Drag Race. “Eu peguei ali vários jeitos de falar, várias reações, vozes. Eu lembro que eu estudava com um caderninho na mão para anotar tudo.”

“O Visky é real. Existe essa pessoa como ele, que a gente adora ter por perto e que levanta o astral do ambiente. Quando eu assisto à Verdades Secretas, tenho essa sensação de estar vendo um velho amigo”, diz.

NUDES

Recentemente, o ator gerou burburinhos na internet ao dizer ao podcast Novela das 9, do GShow, que recebe uma “chuva de nudes” por meio de mensagens em suas redes sociais. “Recebo sim, mas eu estou trabalhando tanto que nem sou eu que vejo”, afirma rindo. “Eu tenho uma equipe que recebe e filtra as coisas para mim”, acrescenta.

Cadete, que costuma postar fotos sensuais em seu Instagram (rede em que soma 1,3 milhão de seguidores), diz que a sua intenção ao postar essas imagens é refletir sobre autoestima, autocuidado e naturalização do corpo e da vivência da sexualidade.

“Mas isso não dá precedente para que me mandem nudes sem ter essa recíproca. Não é isso que me cativa e não é isso que eu busco. Na verdade, em vez de aproximar, isso me repele. Nenhum relacionamento meu começou dessa maneira [com nudes]”, avisa.

“A gente está vendo nessa Paralimpíadas, a relação que as pessoas têm com os seus corpos. Porque você não tem que ter nem orgulho nem vergonha, você tem só que aceitar o seu corpo, acolher. Vergonha tem que ter de matar e roubar. Do nosso corpo, a gente tem que cuidar com carinho”, conclui ele que diz “estar na boa” quando questionado sobre o seu status de relacionamento.