Pep Guardiola declarou uma opinião dissonante sobre a proposta da Fifa de realizar a Copa do Mundo a cada dois anos. A ideia veio do ex-técnico do Arsenal, Arsène Wenger, e foi debatida mais a sério pela entidade ao longo da semana, com a maioria das pessoas ligadas ao esporte, como Jürgen Klopp, além de Uefa e Conmebol, se posicionando contra. Já Guardiola afirmou que gostaria de assistir.

“Eu sempre fico feliz quando novas ideias são colocadas na mesa para discutirmos. Não precisamos criminalizar ideias. A Copa do Mundo é incrível. Como torcedor, eu gosto de assistir e, se for a cada dois anos, isso seria bom. Estou de acordo com Arsène que, se não for a Copa do Mundo, haverá outra competição”, afirmou o técnico do Manchester City ao jornal Manchester Evening News.

Essa competição seria algo como a Copa das Confederações, torneio que teve sua última edição em 2017 e envolvia os campeões de copas continentais já no país que sediaria a Copa seguinte, como um evento-teste em menos sedes.

A principal preocupação sobre a Copa ser realizada a cada dois anos é com a situação física dos atletas, já que os torneios continentais como a Eurocopa e a Copa América poderiam acontecer a cada dois anos também – dessa forma, todos os anos teriam competições internacionais.

“A única realidade é que os principais jogadores têm apenas duas semanas de folga, não três meses para regeneração física e mental. É apenas duas ou três semanas. Durante 11 meses, é jogo atrás de jogo atrás de jogo. Estamos aqui (jogando) a cada três dias, mas não organizamos as competições. Queremos jogar futebol e nos divertir, mas precisamos reduzir. É demais. Não estou dizendo para eliminar as seleções, a Champions League, a Premier League ou todas as copas, mas precisamos encontrar uma solução”, comentou Guardiola, sem esperanças de que o mundo do futebol entre em consenso para fazer o que é melhor para todos – entidades e clubes defenderiam apenas o seu lado.

Anteriormente, o técnico do Liverpool, Jürgen Klopp, já havia se manifestado contra, ressaltando que a mudança é apenas pelo lado financeiro. “As pessoas falam que é sobre dar oportunidades a diferentes países. É por isso que há mais times agora na Copa do Mundo, para que países de todos os lugares possam jogar a Copa do Mundo, mas, no fim, é tudo sobre dinheiro”, analisou Klopp, em entrevista coletiva.

“E tudo bem. Nós fazemos isto porque amamos, mas claro que recebemos muito dinheiro também. Em algum momento, alguém precisa começar a entender que, sem os jogadores, os ingredientes mais importantes deste jogo maravilhoso, não podemos jogar”, disse Klopp, antes de entrar diretamente na questão dos físicos dos atletas.

“Não há outro esporte no mundo com um calendário tão implacável. Há esportes mais exigentes, mas eles não são disputados o ano inteiro. Sabemos por que isso está acontecendo. Tudo que saiu dessa reforma é sobre mais jogos. Nunca conseguimos nos preparar para uma temporada com nossos principais jogadores. Em longo prazo, isso não está certo”, afirmou o alemão.