SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Robson Conceição não engoliu a decisão dos jurados que deram vitória para Oscar Valdez em luta valendo o cinturão dos super-penas do Conselho Mundial de Boxe (CMB), na sexta-feira à noite em Tucson, nos Estados Unidos.

Nesta segunda-feira (13), nas primeiras horas do dia, o agente dele, Sergio Batarelli, enviou carta à entidade exigindo uma revanche imediata ou que ao menos Robson seja promovido em número 1 do ranking, o que demandaria uma luta obrigatória pelo cinturão contra o mesmo Valdez.

O brasileiro, campeão olímpico na Rio-2016, terminou a luta de sexta-feira inteiro, enquanto Valdez, mexicano radicado exatamente em Tucson, estava com o rosto bastante machucado. As estatísticas do confronto mostraram que Robson tentou 576 golpes, contra 390 do rival, e também acertou muito mais: 141 a 83.

Quando não há nocaute, porém, a luta é decidia por decisão dos árbitros, que marcam pontos, normalmente 10 ou 9, pelo desempenho de cada boxeador em cada round. Na prática, vence quem ganhar mais rounds. Mesmo tendo claramente vencido os cinco primeiros rounds de 12, e mais alguns depois disso, o brasileiro na decisão de cada um dos três jurados. Dois deram 115 a 112 para Valdez e outro marcou 117 a 110, não reconhecendo nem as vitórias de Robson em todos os cinco primeiros assaltos.

“O Robson deve ter tomado dois socos a luta inteira. Na pior das hipóteses deu empate. O Robson ganhou por um ou dois pontos, mas ganhou. Os caras meteram a mão. Estava armado, com ESPN, com tudo”, diz Batarelli. Nas redes sociais e em sites especializados, o resultado também vem sendo bastante contestado. “Tenho recebido mensagem de promotores amigos, da Rússia, do Japão, dizendo que foi um absurdo”, continua.

O agente reclama inclusive da transmissão feita pela ESPN norte-americana, que, segundo ele, no intervalo entre os rounds, quando são exibidos melhores momentos, não passou lances em que o brasileiro acertava golpes. “A transmissão não mostra o Robson batendo, só mostra o Robson levando golpe. Nunca vi isso em lugar nenhum do mundo.”

Batarelli admite que, no boxe profissional, os interesses financeiros muitas vezes falam mais alto, mas estranha a sequência de fatos que levaram Valdez, um dos principais boxeadores do mundo, a lutar e vencer. O mexicano foi pego no doping antes da luta, mas não foi punido, em decisão conjunta do Conselho e da comissão atlética da tribo onde fica o cassino no qual o confronto foi realizado, próximo a Tucson, onde Valdez é radicado.

Também são de lá o árbitro da luta, que puniu Robson durante a luta, tirando um ponto dele por um suposto golpe irregular (um soco na nuca), e um dos jurados. Outro era mexicano, como Valdez, e o terceiro, segundo Batarelli, um amigo da família do mexicano. “Minha opinião: eles achavam que o Robson ia ser mamão com açúcar. Uma defesa opcional [de cinturão], para ele [Valdez] ganhar e depois lutar pela unificação e aí fazer muito dinheiro. Está certo, no direito dele, mas eu falei: vocês vão ter uma grata e triste surpresa, porque o Robson vai ganhar. E ganhou”, opina Batarelli.

Além do pedido de revanche ao Conselho, Robson também espera a Top Rank, promotora que tem em Valdez uma das suas estrelas e que agencia a carreira do brasileiro, para saber do seu futuro.