A fachada era de um centro de ioga, mas o interior escondia uma seita que manipulava os alunos mais vulneráveis a entrar numa espiral de submissão física e emocional. Os abusos duraram décadas e aconteceram em Mar del Plata, na Argentina.

Em 2018, as autoridades fizeram buscas ao local e nem queriam acreditar no que tinham perante os seus olhos. Mais de 30 pessoas eram exploradas, laboral e sexualmente, por cinco pessoas. O líder da seita tinha mesmo 15 filhos e oito mulheres, duas delas suas próprias filhas com quem teve três bebês.

O julgamento começou esta semana, no Tribunal Federal Oral Criminal, cerca de três anos depois das detenções. Silvia Caposiello, Sinecio de Jesús Coronado Acurero, Luis Antonio Fanesi e Fernando Velázquez são acusados, além do tráfico de 32 pessoas, de falsificação de documentos e de resistência às autoridades.

O líder da seita, Eduardo Nicósia, só não está sendo julgado porque morreu no início deste ano.

De acordo com o site argentino Clarín, os crimes ocorreram entre o “início da década de 1970 e o dia 3 de julho de 2018”, dia em que decorreu a busca.

Durante este tempo, garante o Ministério Público, Eduardo e os seus companheiros “usaram um processo de coerção psicológica e isolamento das vítimas, típico das seitas, gerado a partir da manipulação psicológica que lhes foi imposta”.