A próxima geração de carros da Fórmula 1 deve ser projetada para correr na chuva para evitar uma repetição do GP da Bélgica. A ideia foi sugerida pelo francês Jean Todt, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA, na sigla em francês). A corrida do mês passado em Spa-Francorchamps teve que ser abandonada após três voltas atrás de um safety car porque as condições não eram boas o suficiente para permitir a prova.

O dirigente francês também apoiou a escolha dos comissários de prova na disputa do GP da Bélgica, visando a integridade dos pilotos. “Muitos criticaram o que foi decidido em Spa, mas o que teria acontecido se, após a largada, tivéssemos um acidente com 10 carros que resultasse em pilotos feridos ou pior? Seríamos massacrados, mesmo que ninguém se machucasse. Para os regulamentos de 2025 devemos pensar em ter carros que possam ser pilotados mesmo na chuva”, opinou Jean Todt.

“Você se lembra de (Niki) Lauda em Fuji (Japão) em 1976? Ele foi o único dos pilotos a desistir de correr na chuva. Hoje, todo piloto pensa como Lauda pensava então”, prosseguiu o francês, que crê que o assunto precisa ser tratado no futuro e calcula que quando a próxima grande revisão das regras for planejada – provavelmente coincidirá com unidades de força totalmente novas de 2025 – que o funcionamento em tempo úmido precisa ser levado em consideração.

Já o ex-piloto austríaco Gerhard Berger acredita que a Fórmula 1 tinha que fazer uma escolha entre nunca correr na chuva ou seguir em frente quando as condições não são as ideais. “Para ser honesto, não tenho simpatia por isso”, disse sobre as consequências de Spa. “Minha opinião é: você tem que decidir de antemão se quer fazer corridas na chuva ou não. Nos Estados Unidos (em ovais), eles decidiram não fazer corridas com chuva, o que é bom e todo mundo sabe disso”.

No GP da Bélgica, a primeira largada atrasou 30 minutos por causa da chuva. A tentativa de iniciar a prova foi interrompida após a primeira volta, após reclamações dos pilotos por falta de visibilidade. A pausa, porém, se estendeu por mais de três horas. Uma nova tentativa, do pit lane – com a contagem regressiva de 60 minutos – foi feita, mas a prova foi novamente paralisada e encerrada com uma volta.

Assim, foram validadas as posições do treino oficial de classificação do sábado, valendo a vitória do holandês Max Verstappen, da Red Bull, e o pódio do britânico George Russell, segundo colocado com a Williams, e do compatriota Lewis Hamilton, terceiro com a Mercedes. Porém, apenas metade dos pontos foram computados, já que menos de 75% da corrida foi concluída.