BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O grupo Latam Airlines informou nesta quarta-feira (29) que obteve uma linha de até US$ 750 milhões em uma nova etapa do financiamento DIP. Trata-se de uma modalidade de financiamento novo para empresas que estão em processo de recuperação judicial.

A companhia aderiu à lei de falência dos Estados Unidos (Chapter 11, uma espécie de recuperação judicial) em maio de 2020, seguida dois meses depois pela sua controlada, a Latam Brasil.

Os financiadores desta etapa (tranche B) são Oaktree Capital Management, L.P., Apollo Management Holdings, L.P. e alguns fundos de investimento.

A companhia aérea afirma ter recebido “múltiplas ofertas de investidores” para esta etapa, e que as taxas e condições da tranche B são “mais competitivas” do que as das tranches A e C.

“Temos recebido várias ofertas de investidores que manifestaram interesse em se juntar a nós em nosso processo do Capítulo 11. Essa proposta nos permitirá acessar melhores condições de financiamento, gerando importantes economias de custos e beneficiando os nossos credores e a LATAM”, afirmou em nota o vice-presidente de finanças da Latam, Ramiro Alfonsín.

O financiamento DIP é composto por linhas de US$ 1,3 bilhão na tranche A, US$ 1,15 bilhão na tranche C, e de até US$ 750 milhões na tranche B. Até o momento, US$ 1,65 bilhão foram sacados das Tranches A e C.

A incorporação dos recursos referentes à tranche B do financiamento DIP está sujeita à aprovação do Tribunal do Distrito Sul de Nova York, que acompanha o processo de recuperação judicial.

EMPRESA TEM ATÉ DIA 15 DE OUTUBRO PARA APRESENTAR PLANO AOS CREDORES

No último dia 10, a Latam Airlines pediu à Justiça americana aumento do prazo para apresentar seu plano de reestruturação.

O prazo para apresentar o plano era 15 de setembro, mas a empresa pediu que a data seja 15 de outubro. Esta é a quarta vez que a Latam pede a postergação da apresentação do plano. A companhia tem até 23 de novembro para apresentar um plano com exclusividade.

O tribunal americano aceitou o pedido, que trata da exclusividade da Latam em apresentar um plano para seus acionistas e credores, sem que outros competidores apresentem ao mesmo tempo propostas de aquisição, por exemplo.

A Azul já demonstrou interesse em ficar com a Latam Brasil, mas não pode apresentar um plano aos credores da rival enquanto estiver correndo o período de exclusividade. O comando da Latam já rejeitou publicamente a proposta e o presidente da companhia no Brasil, Jerome Cadier, diz que os preços das passagens vão aumentar se a fusão acontecer.

O limite para aprovação do plano da Latam pelas autoridades americanas passa a ser 15 de dezembro, dois meses após a apresentação da proposta.

Reportagem publicada nesta quarta-feira (29) pelo jornal Valor Econômico informa que um grupo de nove grandes credores da Latam, que somam mais de US$ 4 bilhões em dívidas a receber da companhia, enviou um ofício ao Tribunal de Nova York criticando as indicações de reorganização feitas pelo grupo aéreo.

Entre estes credores, estaria o Citigroup. Procurado pela reportagem, o banco informou que “não comenta ações judiciais em curso”.

A Latam, por sua vez, informou à reportagem que “nenhum credor se opôs” ao seu pedido de extensão do prazo para apresentar um plano com exclusividade.

“Isso mostra que credores confiam que a Latam apresentará um plano que enderece os interesses de todos os stakeholders [públicos com os quais a empresa se relaciona] e seja aprovado. Exatamente por enxergarem valor há divergências entre as partes, o que é natural e esperado em um processo dessa magnitude e com players [participantes] sofisticados”, diz a empresa em nota.

De acordo com a companhia, “a discussão só existe porque Latam está forte, capitalizada e sairá do Chapter 11 muito melhor que entrou”.