SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Nobel de Química de 2021 foi para Benjamin List, do Instituto Max-Planck, na Alemanha, e para David MacMillan, da Universidade de Princeton, nos EUA, pelo desenvolvimento de uma ferramenta engenhosa e poderosa para construção de moléculas orgânicas, conhecida como organocatálise assimétrica.

O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira (6), na Academia Real Sueca de Ciências, em Estocolmo, na Suécia.

A técnica desenvolvida, no início dos anos 2000, pelos pesquisadores tem impacto na pesquisa farmacêutica e fez a química mais ambientalmente amigável.

Até as pesquisas independentes dos dois cientistas, acreditava-se que existiam somente dois tipos de catalisadores -substâncias que, basicamente, ajudam a controlar e acelerar processos químicos: metais e enzimas.
List e MacMillan, então, desenvolveram a organocatálise assimétrica, com base em pequena moléculas.

Segundo List, há cerca de 20 anos, os catalisadores eram cerca de 1 milhão de vezes menos eficientes. O pesquisador afirmou, durante o anúncio do prêmio, que a verdadeira revolução do que ele e MacMillan desenvolveram são atuais catalisadores orgânicos extremamente reativos, que possibilitam um alcance que não seria possível com enzimas ou metais.

“Eu sentia que eu era o único trabalhando nisso. Não sabia que havia outros estudando. Quando eu fiz esse experimento, eu não sabia o que iria acontecer e pensei que poderia ser uma ideia estúpida. Quando eu vi que funcionou, eu senti que poderia ser algo importante”, diz o pesquisador do Max-Planck.

A construção de moléculas por humanos é uma espécie de brincadeira de montar blocos, algo como Lego ou o jogo Minecraft (dependendo da sua idade). E, para isso, são necessárias reações potentes e uma metodologia adequada -o que premiado, este ano.

Os pesquisadores premiados dividirão o prêmio de 10 milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de R$ 6,3 milhões. Além disso, cada um deles recebe uma medalha, com a face de Nobel, e um diploma.

COMO É ESCOLHIDO O GANHADOR DO NOBEL

A tradicional premiação do Nobel teve início com a morte do químico sueco Alfred Nobel (1833-1896). Em 1895, em seu último testamento, Nobel registrou que sua fortuna deveria ser destinada para a construção de um prêmio -o que foi recebido por sua família com contestação. O primeiro prêmio só foi dado em 1901.

Para o trabalho de Nobel, inventor da dinamite e responsável pelo desenvolvimento de borracha e couro sintéticos, a química era a ciência de maior importância. Nobel registrou 355 patentes em seus 63 anos de vida.

O processo de escolha do vencedor da área de química começa no ano anterior à premiação. Em setembro, o Comitê do Nobel de Química manda convites (cerca de 3.000) para a indicação de nomes que merecem a homenagem. As respostas são enviadas até o dia 31 de janeiro.

Podem indicar nomes os membros da Academia Real Sueca de Ciências; membros do Comitê do Nobel de Química e de Física; ganhadores do Nobel de Física e de Química; professores de química em universidades e institutos de tecnologia da Suécia, Dinamarca, Finlândia, Islândia e Noruega, e do Instituto Karolinska, em Estocolmo; professores em cargos semelhantes em pelo menos outras seis (mas normalmente em centenas de) universidades escolhidas pela Academia de Ciências, com o objetivo de assegurar a distribuição adequada pelos continentes e áreas de conhecimento; e outros cientistas que a Academia entenda adequados para receber os convites.
Autoindicações não são aceitas.

Começa então um processo de análise das centenas de nomes apontados, com consulta a especialistas e o desenvolvimento de relatórios, a fim de afunilar a seleção. Finalmente, em outubro, a Academia, por votação majoritária, decide quem receberá o reconhecimento.

HISTÓRICO RECENTE DO NOBEL DE QUÍMICA

Em 2020, o Nobel de Química teve uma premiação 100% feminina, com láureas para Emmanuelle Charpentier, do Instituto Max Planck (Alemanha), e Jennifer Doudna, da Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA).

As pesquisadores foram importantes para abrir a porta para a possibilidade de reescrever o código da vida com edição genética. Se você estiver pensando que essa descrição é muito semelhante à técnica Crispr-Cas9, então você acertou -trata-se exatamente disso.

Somente sete mulheres ganharam o reconhecimento até agora, entre 186 premiados na história.

Já em 2019, o desenvolvimento de baterias de íons de lítio rendeu a John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino o Nobel da área.

Por levar a evolução para tubos de ensaio, em 2018, o Nobel de Química ficou com Frances H. Arnold, dos EUA, George P. Smith, também dos EUA, e Gregory P. Winter, do Reino Unido.

Em 2017, pesquisas de criomicroscopia eletrônica, processo pelo qual é possível congelar moléculas em meio a processos bioquímicos -como em uma fotografia da vida-, foram lembradas pelo Nobel. Os laureados foram Jacques Dubochet, da Universidade de Lausanne, Joachim Frank, da Universidade Columbia e Richard Henderson, da Universidade de Cambridge.

Entre as pesquisas já premiadas ao longo da história estão ainda a descoberta e o trabalho com os elementos químicos rádio e polônio (Marie Curie, 1911) e a pesquisa sobre ligações químicas (Linus Pauling, 1954).

AGENDA DO NOBEL

Nobel de Literatura – quinta-feira (7)
Nobel da Paz – sexta-feira (8)
Nobel de Economia – segunda-feira (11)

Os anúncios ao vivo dos vencedores podem ser acompanhados no site oficial da premiação e no perfil do YouTube do Nobel.