Hoje, dia 12 de outubro, é comemorado o Dia das Crianças. Uma data simbólica, para celebrar aquela que, talvez, seja a fase mais divertida da vida. Ou que, pelo menos, deveria ser. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o trabalho infantil atinge quase três milhões de crianças – entre 05 e 17 anos – no Brasil. Segundo a Unicef, garantir a implementação da Lei da Aprendizagem e o retorno de todas as crianças e adolescentes à escola é essencial para proteger meninas e meninos dessa exploração.

Porém, a pandemia de Covid-19 parece ter bagunçado ainda mais essa situação. Mesmo as crianças que tinham uma vida condizente com suas idades tiveram que se afastar de alguns hábitos importantes para a formação. “A pandemia impôs abruptamente mudanças na vida cotidiana das crianças, causando rupturas e mudanças em rotinas familiares, educação e atividades recreativas”, ressalta Ana Luiza Tavares, psicóloga e coordenadora da Psigologia Viva.

De acordo com a especialista, esses fatores serviram para escancarar um problema que já era realidade e ficou ainda mais evidente: a negligência perante a saúde mental das crianças. “A pandemia gerou impacto em todas as faixas etárias das populações, contudo, são as crianças que apresentam recursos de adaptação e enfrentamento em construção. Ou seja, eles possuem menos recursos emocionais e comportamentais para lidar com as inseguranças, estresse, luto e emoções difíceis”, conta a psicóloga.

Como identificar problemas de saúde mental nas crianças

Prestar atenção no comportamento dos filhos e estabelecer um canal saudável e aberto para o diálogo são as melhores ferramentas para evitar problemas mentais nas crianças. Como os pequenos estão em constante evolução e aprendizado, o acompanhamento dos pais precisa ser diário e intenso. Segundo Ana Luiza, existem também alguns sintomas que merecem maior atenção.

“Irritabilidade, mudanças de humor, insônia, dificuldade de concentração e apatia são sinais que indicam a necessidade de maior atenção. É importante identificar comportamentos que destoam daquilo que era a forma de reação, ou de lidar com o estresse antes da pandemia. Este comparativo é importante também para compreender como o estresse de adaptação dá sinais através do comportamento”, relata.

Qualquer alteração drástica ou gradativa que seja percebida pelos pais precisa ser trabalhada. Caso o diálogo e o compreendimento da situação não sejam efetivos para reverter o quadro, é fundamental procurar ajuda especializada de um psicólogo. Assim como os adultos, as crianças também podem precisar de algum tipo de tratamento para recuperar a saúde mental.

Cuidado com retorno das aulas

“A retomada das aulas, ou o retorno aos ambientes de socialização, não vão ocorrer como ocorriam antes da pandemia. A criança retorna ao ambiente físico no qual ocorriam as socializações, construções e interações. Contudo, ela retorna a este lugar físico com uma bagagem do que vivenciou no isolamento que pode ter sido bem adaptado ou não. E volta com regras de interação diferentes, ou seja, ela não volta a interagir como antes”, finaliza Ana Luiza.

Fonte: msn.com