Cerca de 30 a 40% dos hipertensos têm síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS), referem as médicas pneumologistas Mafalda van Zeller e Vânia Caldeira, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia. Por outro lado, dos doentes diagnosticados com SAOS, cerca de metade têm hipertensão, “sendo, por isso, também importante considerar a SAOS como um importante fator de risco para o desenvolvimento de hipertensão arterial (HTA)”, referem em comunicado. 

Segundo as pneumologistas, “as normas de abordagem diagnóstica de HTA referenciam a SAOS como um fator etiológico a investigar na presença de hipertensão arterial refratária (de difícil controle), o que reforça a influência que esta síndrome tem no controle da HTA, devendo, os doentes com hipertensão refratária ao tratamento ser avaliados em consultas de patologia respiratória de sono”. “Destes doentes com HTA refratária, 70% tem SAOS grave”, destacam.

Mafalda van Zeller e Vânia Caldeira alertam ainda para a necessidade dos doentes hipertensos, na presença de alguns fatores, como o facto de os valores de HTA não normalizarem com medicação (mesmo já com várias classes de medicamentos diferentes), crises de subida da TA durante a noite ou outros riscos de risco para apneia do sono – como a obesidade ou sintomas sugestivos para a doença (ressonar, paragens respiratórias durante o sono ou sonolência excessiva durante o dia) – suspeitarem da presença de SAOS e consultarem um médico especialista.