Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como “Pelado” e Oseney da Costa, o “Dos Santos”, e Jeferson estão presos suspeitos de participarem do crime. Outros cinco homens também são investigados. Prisão de Jeferson da Silva Lima, conhecido como “Pelado da Dinha”, na manhã deste sábado (18), em Atalaia do Norte, no Amazonas
Divulgação/Polícia Civil
Jeferson da Silva Lima, conhecido como “Pelado da Dinha”, terceiro suspeito preso por envolvimento na morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, detalhou o crime durante depoimento para a polícia.
Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como “Pelado” e Oseney da Costa, o “Dos Santos”, e Jeferson estão presos suspeitos de participarem do crime. Outros cinco homens também são investigados.
O Jornal Nacional teve acesso ao depoimento feito por Jeferson à polícia no dia 18 de junho. Ele confessou participação nos assassinatos.
O suspeito afirmou que, no dia do crime, Amarildo o chamou para perseguir Bruno e Dom quando eles passaram de barco no rio Itaquaí. Quando estavam bem próximos, ocorreu o primeiro tiro, dado por Amarildo, que acertou as costas de Dom.
Na sequência, Jefferson atirou em Bruno. Houve uma sequência de disparos e ele não soube informar quem atingiu bruno. Jefferson afirma que acredita ter atirado três vezes, o mesmo número de tiros dados por Amarildo. Bruno também teria atirado para se defender.
Jefferson disse que Bruno, mesmo atordoado, conseguiu conduzir a embarcação até à beira do rio quando perdeu o controle e a embarcação entrou na mata. Jefferson e Amarildo passaram para uma canoa pequena e forma até a lancha do bruno e que os corpos não apresentavam sinais vitais.
De lá, eles continuam mata adentro até chegar no ponto onde esconderam os pertences de bruno e dom com a ajuda de mais duas pessoas.
O lugar fica nos fundos da casa de Oseney da Costa, o “Dos Santos”, irmão de Amarildo. Na sequência, eles deixaram os corpos na mata. Jeferson saiu do lugar e foi para outro ponto esconder a lancha de bruno, enquanto os demais ficaram para esconder os corpos.
Ainda durante depoimento, Jeferson contou que, no dia seguinte, voltaram até o local. Ele disse que Amarildo esquartejou os corpos, o grupo queimou os restos mortais das vítimas e os enterrou.
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Mandados de busca e apreensão
A Polícia Federal (PF) e a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) cumpriram seis mandados de busca e apreensão nos municípios de Atalaia do Norte e de Benjamin Constant, nesta sexta-feira (24).
De acordo com o delegado de Atalaia do Norte, Alex Perez, os mandados foram cumpridos na comunidade ribeirinha São Gabriel, nas casas de Amarildo e Oseney.
Foram feitas buscas também na casa de outros dois irmãos de Amarildo e Oseney.
Perez informou que, entre os objetos apreendidos pela polícia, estão duas canoas que possivelmente foram usadas para levar os corpos de Bruno e Dom até o local onde foram enterrados. As embarcações devem passar por perícia.
4º suspeito se apresenta à polícia de SP
Em São Paulo, Gabriel Pereira Dantas se apresentou em uma delegacia. Ele afirmou que participou dos assassinatos, juntamente com Amarildo da Costa de Oliveira, o irmão dele, Oseney, e Jefferson da Silva Lima, que estão presos.
A Justiça de São Paulo mandou o pedido de prisão da polícia para ser avaliado pela juíza responsável pela condução do caso, em Atalaia do Norte.
PF faz perícia em barco no qual Dom e Bruno viajavam no dia em que foram assassinados
Na nota divulgada nesta sexta-feira (24), a PF afirmou que a Justiça de Atalaia do Norte indeferiu o pedido de prisão em nome dele.
O homem foi encaminhada à sede da PF em São Paulo para ser formalmente ouvido e prestar esclarecimentos sobre os fatos, mas optou por exercer seu direito constitucional de permanecer calado.
“Ele permanece em liberdade, tendo em vista que não há indícios de ter participado dos crimes ora em apuração, já que apresentou versão pouco crível e desconexa com os fatos até o momento apurados”, informou a Polícia Federal em nota.
Motivação
A motivação do crime ainda é incerta, mas a polícia apura se há relação com a atividade de pesca ilegal e tráfico de drogas na região. Segunda maior terra indígena do país, o Vale do Javari é palco de conflitos típicos da Amazônia: desmatamento e avanço do garimpo.
*Com informações de Alexandre Hisayasu, da Rede Amazônica
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