O cantor Michael Jackson foi das figuras públicas mais icônicas a assumir que sofria de vitiligo, numa entrevista a Oprah Winfrey em 1993. Trata-se de uma doença cutânea, autoimune e crônica que afeta cerca de 1% da população mundial, indica a Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, em comunicado.

A doença manifesta-se habitualmente antes dos 20 anos. Afeta todos os tipos de pele, mas é mais evidente nos tons mais escuros. O que caracteriza o vitiligo é a despigmentação da pele com o aparecimento de manchas brancas de formas e dimensões variadas, mas com contornos muito bem definidos, resultantes de uma alteração da função dos melanócitos, ou seja, as células produtoras de melanina, pigmento responsável pela cor da pele.

A causa exata desta doença ainda não foi estabelecida. No entanto, o vitiligo está frequentemente associado a outras doenças autoimunes como problemas na tiroide, diabetes ou artrite reumatoide. Esta doença apresenta também uma predisposição genética.

O vitiligo não causa qualquer tipo de incapacidade física, mas pode ter um forte impacto na autoestima das pessoas. Os especialistas aconselham que se recorra a acompanhamento psicológico sempre que necessário.

Embora em muitas publicações se afirme que o vitiligo não tem tratamento não é essa a opinião de muitos dermatologistas que lidam com estes pacientes, como António Massa, presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia. “Desde a publicação por Wiete Westerhof em 1997, utilizando fototerapia ultravioleta B banda estreita, os resultados na face e pescoço são muitas vezes resolutivos; é mais difícil essa eficácia nas áreas de pele em que a parte óssea está próxima, caso das mãos, cotovelos e joelhos. A utilização de tópicos e por vezes medicação oral ajudam e muito no sucesso do tratamento, atrevendo-me a dizer que há doentes que que ficam sem lesões durante anos”, afirma.

Citado na mesma nota de imprensa, o especialista sublinha que “quanto mais cedo se inicia o tratamento maior a probabilidade de eficácia”. Acrescenta ainda que “há outras alternativas terapêuticas sendo, no entanto, a fototerapia a mais eficaz e segura, dispensando depois a maquilhagem”.

Curiosamente não há aparecimento de cancro de pele em maior percentagem nos doentes com vitiligo, apesar das áreas despigmentadas comparativamente à restante população. “É reconfortante e muito agradável ver os resultados sobretudo na face e pescoço e quando se inicia o tratamento precocemente.”