segunda-feira, maio 27, 2024
M de Mulher

Second Hand September: conheça o movimento sobre moda sustentável e famosas adeptas

Setembro é o grande mês no calendário da modaÉ quando acontece a principal temporada das fashion weeks, a Primavera/Verão 2024, e reúne sempre os maiores artistas, influenciadores e players da moda em uma série de desfiles em cenários icônicos de Nova York, Londres, Milão e Paris.

 

Mas é neste mês, também, que acontece outro evento importante: o Second Hand September, algo como “Setembro de Segunda Mão”. Para quem nunca ouviu falar no assunto, trata-se de um movimento global que estimula o consumo consciente, a moda circular e um grande desafio: incentivar as pessoas a comprarem apenas roupas usadas durante o mês inteiro.

 

Não por acaso, ele acontece em plena semana de moda com o modelo de vendas “see now, buy now” (“veja agora, compre agora”, em inglês) a todo vapor! Será que os consumidores vão resistir às novidades do mercado?

Moda, uma das indústrias mais poluentes do mundo

Helen Rodrigues, fundadora de um guia de brechós pelo Brasil, conta que a campanha de conscientização foi criada em 2019 pela ONG britânica Oxfam para incentivar o consumo em brechó, aluguel e troca de roupas e acessórios. E motivos não faltam para recorrer a estas alternativas: para além da questão estética e de ter se tornado “cool” comprar de segunda mão, existe a (alarmante) questão ambiental:

 

“Vista-se para o mundo que você quer”, diz a campanha da ONG. Ao comprar nos pontos oficiais da Oxfam, espalhados por vários países, você está “vestindo, comprando e doando” para a campanha e ajudando a romper com uma produção massiva da indústria têxtil: “As mudanças climáticas se tornaram impossíveis de ignorar, estão afetando todos nós e nos empurrando cada vez mais para a pobreza”, finaliza o anúncio.

“Atualmente, 11 milhões de peças de vestuário são enviadas para aterros todas as semanas somente no Reino Unido”, destaca a empresária.

E não para por aí! Como já comentamos aqui, o Instituto Fashion Revolution relatou que são necessários 7 mil litros de água para se produzir um único par de calças jeans – o equivalente ao que uma pessoa ingere, em média, em 5 a 6 anos.

 

“Já existem instituições e empresas do segmento [têxtil] que realizam pesquisas e estimativas do impacto ambiental positivo que o mercado de segunda mão consegue realizar. Os ganhos são medidos considerando a produção de CO2, resíduos e a água e energia economizadas ao produzir uma peça nova”, detalha Helen.

 

Segundo a especialista, grandes varejistas, nacionais e internacionais, desenvolveram programas de coletas de roupas e algumas grifes famosas já realizaram coleções com upcycling (método que reutiliza roupas ou tecidos descartados), como as brasileiras À La Garçonne e Farm e as gringas Miu Miu e Louis Vuitton.

 

Além disso, diversas marcas de luxo estão lançando suas próprias plataformas de revenda, de forma independente ou em parceria com brechós online: Gucci, Valentino, Burberry e Rolex já abraçaram essa ideia: “Em conjunto, reciclagem, upcycling e revenda colaboram para impulsionar uma moda mais circular, mas o consumo em excesso também precisa ser combatido”, pondera Helen.

 

Famosas adeptas

Kate Moss e a atriz Felicity Jones são adeptas do movimento Second Hand September — Foto: Robert Kamau/GC Images/Tom Craig/Divulgação

Kate Moss e a atriz Felicity Jones são adeptas do movimento Second Hand September — Foto: Robert Kamau/GC Images/Tom Craig/Divulgação

A organização Oxfam também incentiva a doação de itens usados de boa qualidade para arrecadar fundos e, no site, é possível comprar milhares de peças doadas, incluindo acessórios e livros: “Ao comprar no site, as pessoas apoiam as ações em comunidades vulneráveis pelo mundo.”

 

Mais um incentivo para ingressar na causa: já pensou comprar uma roupa que era de Kate Moss? Várias celebridades são adeptas do movimento Second Hand September e doaram roupas para a campanha. Além da modelo inglesa, Chloe Sevigny, Sienna Miller, Michaela Coel, Felicity Jones e Georgia May Jagger, filha de Mick Jagger também já participaram!

 

Comprar de segunda mão vale a pena?

Depende! Se você procura por exclusividade, vale muito a pena gastar um tempinho pesquisando por lojas que atendam ao seu estilo.

 

Se a busca por brechó for motivos econômicos, é preciso buscar por revendedores com este propósito: lembre-se de que roupa usada não é sinônimo de roupa barata e que existem muitos brechós de luxo. Estes, aliás, são uma boa saída para quem quer investir naquela bolsa de grife por um valor mais acessível, por exemplo.

 

“Algumas marcas e itens de luxo possuem ótimo valor no mercado de revenda, com interessante valorização ao longo do tempo – como, por exemplo, uma bolsa clássica da Chanel e joias em geral. Porém, as peças second hand que podem ser vendidas por preços até superiores aos de itens novos são, principalmente, aqueles cuja oferta é controlada de forma estratégica pela marca, como alguns modelos de bolsas da Hermès e relógios da Rolex”, pontua Helena sobre o consumo de luxo de segunda mão.

 

Mas se você optou por comprar em brechós apenas pela questão da conscientização ambiental, vamos resgatar aqui uma fala importante da pesquisadora e comunicadora de moda e sustentabilidade Julia Codogno para o gshow no Dia Mundial do Meio Ambiente:

“Enquanto você consome em brechó, não é que estão deixando de produzir aquela calça jeans, as duas coisas estão acontecendo. Olhe para o guarda-roupa primeiro, tente ter, minimamente, um entendimento do que gostaria de ter e comprar.”

Fonte: gshow

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *