segunda-feira, maio 20, 2024
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Sexo demais faz mal? Especialistas explicam riscos no excesso da prática

Afinal, existe um limite para a prática sexual? A resposta é não. Mas, de fato, existem prejuízos físicos e psicológicos associados à frequência do sexo — quantidade que vai variar de pessoa para pessoa, além da forma como acontece o ato.

 

Nesta quarta-feira (6), é celebrado o Dia do Sexo e, aproveitando o clima picante, o gshow conversou com a sexóloga e terapeuta Laryssa Justo e a ginecologista Taís Calomeny para explicar o assunto.

 

Segundo elas, existem outros fatores a serem considerados, como os motivos que levam a pessoa a ter desejo por sexo com certa frequência, se ela abre mão de tarefas básicas para satisfazer essa vontade e se a pessoa toma os cuidados necessários, com ela e o parceiro.

Desejo x compulsão por sexo

Para começar, Laryssa explica que, para a sexologia, “a prática sexual já começa a partir do momento em que a pessoa pensa no sexo e que ela, de alguma forma, se conecta com a outra pessoa. Então, a preliminar, o falar sobre, a vontade que vem bem antes [do ato], tudo isso é sexo” e está associado ao desejo.

Mas um indivíduo que, de acordo com ela, tem sua rotina comprometida por pensar demais em sexo está relacionado a um problema psicológico, como ansiedade, depressão ou à alguma situação desencadeada no passado.

 

É comum que a pessoa nesta situação deixe de realizar tarefas do dia a dia, não consigam focar no trabalho ou negligenciam a parte social da vida por ter vontade de praticar sexo ou se masturbar o tempo todo. Um cenário semelhante é abordado no filme “Shame”, de Steve McQueen. O personagem de Michael Fassbender é um viciado em sexo, que não respeita barreiras para os seus prazeres e chega a acumular conteúdo pornográfico até mesmo em seu computador do trabalho.

 

Cena do filme "Shame", estrelado por Michael Fassbender — Foto: Reprodução/IMDB

Cena do filme “Shame”, estrelado por Michael Fassbender — Foto: Reprodução/IMDB

Prejuízos psicológicos

Laryssa explica que estas questões sexuais, geralmente, estão associadas a transtornos ansiosos por causas variadas, como relacionamentos tóxicos ou um abuso sofrido na infância, por exemplo:

“De certa forma, ela vai ter uma energia reprimida e precisa levá-la para algum lugar. Vamos pensar em uma criança, que não entende o que está acontecendo, mas sabe que aquilo está errado e está sendo ameaçada para não contar às pessoas. Ela não tem maturidade emocional para poder lidar com aquilo e, ao longo da vida, isso que está ali reprimido, precisa sair de alguma forma. Aí vêm as compulsões, que pode ser alimentar, sexual, compulsão por compras ou por drogas.”

 

Ela deixa claro, no entanto, que não existe uma “causa e consequência” padronizada, já que tudo relacionado ao comportamento humano é muito individual e a forma como cada um lida com as situação é diferente.

 

“Isso pode gerar um transtorno, que é o da hipersexualidade, como a ninfomaníaca, por exemplo, que é uma mulher com um ímpeto sexual muito aflorado, vamos dizer assim. Ela não mede esforços para conseguir aquilo. A satiríase é uma hipersexualidade, mas masculina, que faz esse homem ter uma vontade de fazer sexo o tempo todo.”

 

Recentemente, notícias anunciando um falso campeonato de sexo na Suécia e que o país passou a considerá-lo uma prática esportiva pegaram muita gente de surpresa. Segundo as informações que correram na internet, o torneio consistiria em um prêmio milionário e teria uma série de etapas e critérios até consagrar um vencedor.

 

Sexóloga explica motivações associadas à compulsão por sexo e prejuízos psicológicos — Foto: Pexels

Sexóloga explica motivações associadas à compulsão por sexo e prejuízos psicológicos — Foto: Pexels

Sobre isso, Laryssa acredita que colocar metas em algo tão subjetivo como o sexo não é saudável, principalmente para as gerações mais novas que também consomem muita pornografia: “O pornô é algo mecânico, a pessoa faz, finaliza, é exposto e está ali para todo mundo que quiser ver. Sem contar que, como você mede sucesso para prática sexual? É muito vago!”

Prejuízos físicos

Além das preocupações mentais, o excesso do ato sexual pode gerar possíveis consequências para a região íntima. A Taís Calomeny reforça que essa quantidade varia para cada pessoa e, por isso, é preciso estar atento e respeitar os próprios limites.

No geral, o atrito frequente da penetração pode causar:

 

  • Microfissuras na região íntima
  • Escoriações na mucosa vaginal, na vulva e no perímetro
  • Cistite
  • Infecção urinária

 

A médica também explica que o sêmen tem um pH diferente do pH vaginal, podendo causar uma alteração na região íntima e, com uma ejaculação dentro da vagina, estimular o aparecimento de vaginose bacteriana ou de candidíase: “Isso tudo pode facilitar uma infecção secundária de alguma bactéria presente na pele ou nas fezes.”

 

Cuidados na prática sexual

A terapeuta deixa claro que o problema não é o sexo em si ou a masturbação, mas o que a pessoa deixa de fazer para priorizar a prática sexual que precisa ser analisado com mais cuidado e, se necessário, passar por um tratamento psicológico adequado.

 

Mais do que a frequência das relações sexuais, médica destaca a importância do uso de proteção e exames preventivos — Foto: Pexels

Mais do que a frequência das relações sexuais, médica destaca a importância do uso de proteção e exames preventivos — Foto: Pexels

Laryssa reforça a importância da proteção durante as relações para evitar doenças sexualmente transmissíveis, além do uso de lubrificantes para diminuir o atrito e a realização de exames preventivos e consultas de rotina anualmente (ou sempre que surgir qualquer sintoma suspeito).

 

As especialistas afirmam que, quanto às pessoas grávidas, não existem contraindicações para se ter uma vida sexual. No entanto, a ginecologista destaca que é preciso fazer um acompanhamento obstétrico para entender cada caso.

 

“É preciso checar se há alguma limitação, uma placenta prévia, uma incidência maior de parto prematuro para aquela gestante, um colo mais curto já com alguma dilatação, alguma área de descolamento prematuro. Tudo isso é importante ser avaliado para liberar a gestante. Em relação a quantidade ou à frequência, não vai mudar muito: tem que estar sempre bom e confortável para os dois lados.”

 

Laryssa também explica que uma gestante com a placenta baixa precisa consultar um médico para analisar se ela pode ou não ter relações sem gerar prejuízos à saúde: “Uma pessoa grávida friccionando o tempo todo o canal vaginal pode ter algum problema, até risco futuro durante um parto normal, por exemplo.”

Fonte: gshow

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