domingo, março 3, 2024
Saúde

Entenda como funciona primeiro ambulatório para idosos LGBTQIA+ do Brasil

O Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP), é o primeiro do Brasil a oferecer um ambulatório exclusivo para idosos LGBTQIA+. Ao g1, o médico e professor de geriatria André Fattori explicou como funciona o atendimento e por que o acolhimento é essencial para quebrar um “tabu duplo” em relação à sexualidade na terceira idade.

O especialista destacou que o ambulatório foi criado como um espaço para que o paciente não sinta constrangimento para falar sobre questões que, às vezes, não se sente à vontade para tratar em outros serviços de saúde, como hábitos de vida, parceiros sexuais e prevenção.

“Existe um tabu duplo, porque a gente não fala de sexualidade da pessoa velha, e não fala da sexualidade LGBT porque tem medo, tem esse preconceito. Por exemplo, uma pessoa que atendi esses dias me falou da ‘chacota’. Usou esse termo, ‘para não ser chacota’. A gente quer garantir um espaço em que eles se sintam à vontade, se sintam protegidos”, diz Fattori.

 

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Dinâmica dos atendimentos

 

Atualmente, o ambulatório conta com três médicos geriatras. As consultas ocorrem sempre às sextas-feiras pela manhã, mas é necessário fazer agendamento com antecedência pelo telefone (19) 3521-7878 ou pelo WhatsApp (19) 99996-8678.

🩺 Na data agendada, os pacientes passam por exames como:

  • Avaliação de perda de memória;
  • Exame de próstata;
  • Teste de glicemia;
  • Aferição de pressão arterial;
  • Avaliação de instabilidade postural e quedas;
  • Avaliação psicológica.

 

Além disso, mulheres lésbicas e homens trans, por exemplo, podem ser encaminhados a especialistas do Hospital da Mulher (Caism). No caso de pacientes com questões de saúde mental, há também o apoio de profissionais do ambulatório de psiquiatria do HC, destaca Fattori.

“Importante é salientar que não é um ambulatório exclusivamente para homens gays, mas para todo o segmento LGBTQIA+, e que ele tem a intenção de tratar tanto pessoas do sexo biologicamente masculino como feminino, mas com a atenção, o cuidado, e o afeto que qualquer segmento merece”.

 

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Fachada do HC da Unicamp, em Campinas — Foto: Antoninho Perri/Unicamp

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‘Momento de transição’

 

O médico destaca que o ambulatório se faz necessário por conta do “momento de transição” e maior aceitação da sociedade em relação a temas como orientação sexual e identidade de gênero. Há, ainda, os reflexos históricos do preconceito, que tornam o acolhimento à população LGBTQIA+ ainda mais importante.

“Tivemos os baby boomers, a liberdade sexual que vem do período pós-guerra. As pessoas estão chegando à idade avançada agora, e no meio do caminho ainda teve uma pandemia de aids, que matou muita gente. A gente está aprendendo a lidar com pessoas idosas do grupo LGBT agora”, pontua.

 

Médico e professor de geriatria André Fattori, do HC da Unicamp — Foto: André Fattori/Arquivo pessoal

Médico e professor de geriatria André Fattori, do HC da Unicamp — Foto: André Fattori/Arquivo pessoal

Serviço

 

Ambulatório para idosos LGBTQIA+

  • Atendimentos: sempre às sextas-feiras, no período da manhã
  • Agendamento: pelo telefone (19) 3521-7878 ou pelo WhatsApp (19) 99996-8678
  • Endereço: Hospital de Clínicas da Unicamp – Rua Vital Brasil, 251 – Cidade Universitária – Campinas

 

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