terça-feira, maio 21, 2024
M de Mulher

Óleos essenciais: veja os mais comuns, como usá-los e dicas da especialista

Já comentamos por aqui os benefícios da aromaterapia e como os óleos essenciais podem ser ótimos suportes para tratamentos de saúde graves como câncer e doenças crônicas. Mas, diante da grande variedade de compostos e da alta demanda no mercado de bem-estar, pode ser um pouco confuso escolher a melhor opção para o seu caso.

 

Então, o gshow conversou com Priscila Martins, especialista em aromaterapia e distúrbios do sono, para explicar alguns exemplos de uso seguro dos óleos mais comuns, além de compartilhar dicas para comprar itens de qualidade!

“Os usos descritos não descartam a necessidade de se procurar acompanhamento com profissional e, também, a necessidade de se alinhar a outros tipos de abordagem, mas já é um começo para quem quer experimentar [a aromaterapia]. Além disso, nenhum uso por ingestão foi recomendado, pois para essa via de uso é imprescindível o direcionamento e acompanhamento de um aromaterapeuta profissional”, esclarece a especialista.

 

Dicas de uso

Primeiro, Priscila lembra da importância de se atentar à qualidade dos óleos que você precisa e, segundo: “Não são os óleos essenciais em si que produzem seus efeitos, mas os compostos químicos que os integram. Às vezes, um mesmo composto químico está presente em mais de um tipo de óleo essencial.”

 

Óleos cítricos: laranja, tangerina e limão

 

Veja dicas de uso de óleos essenciais cítricos, como o limão, tangerina ou laranja — Foto: Unsplash

Veja dicas de uso de óleos essenciais cítricos, como o limão, tangerina ou laranja — Foto: Unsplash

  • Uso por inalação: alivia sintomas de ansiedade, estresse e tristeza

“Aplique uma gota na palma da mão e espalhe gentilmente. Faça uma ‘conchinha’ com as mãos e leve-as ao nariz. Realize profundas inspirações por cerca de cinco vezes ou o quanto achar necessário. É importante que, ao expirar, a pessoa não solte o ar dentro das mãos. Ao invés disso, junte as palmas, expire, faça a ‘conchinha’, inspire e repita o processo. Esse tipo de inalação, que chamamos de inalação consciente, pode ser repetida ao longo do dia quantas vezes forem necessárias. Essa é uma ótima forma de acalmar os ânimos durante a correria do dia a dia e para prestar mais atenção em você e na sua respiração.”

 

  • Uso por via tópica: alivia sintomas de cólica menstrual

“Dilua o óleo em 1 ml de um óleo vegetal de boa procedência, duas gotas de um óleo essencial cítrico, duas gotas de óleo essencial de lavanda e massageie o baixo ventre de duas a três vezes ao dia.”

 

Óleo de Melaleuca (ou Tea Tree)

 

O óleo de melaleuca pode ser usado para acelerar a cicatrização de cortes e higienização da pele — Foto: Freepik

O óleo de melaleuca pode ser usado para acelerar a cicatrização de cortes e higienização da pele — Foto: Freepik

  • Uso tópico: ajuda na cicatrização e higienização de cortes, escoriações, acne, aftas, micoses e picadas de insetos

“Coloque uma gota na palma das mãos e aplique-a no local. Se preferir, dilua em uma gota de óleo de coco extra virgem, uma gota de óleo essencial de melaleuca e aplique na região desejada. Quanto à frequência do uso nesses casos, vai depender da gravidade e da extensão da lesão. É normal causar um certo ressecamento e descamação no local, então se isso acontecer, diminua a frequência.”

  • Uso tópico: alivia dor de garganta e amigdalite

“Faça gargarejos ao longo do dia misturando de uma a duas gotas do óleo com um pouco de água em temperatura ambiente. Não deve ser ingerido! Também há a possibilidade de se diluir de uma a duas gotas de melaleuca em óleo vegetal e massagear o pescoço.”

Óleo de Lavanda (Lavandula angustifólia, espécie mais recomendada para a aromaterapia)

 

A avandula angustifólia é a espécie mais recomendada para os óleos essenciais da aromaterapia — Foto: Unsplash

A avandula angustifólia é a espécie mais recomendada para os óleos essenciais da aromaterapia — Foto: Unsplash

  • Uso por inalação: ajuda a combater ansiedade e estresse

“Realize o mesmo processo de inalação consciente dos óleos cítricos. Inclusive, pode ser usado uma gota de lavanda e uma de óleo cítrico juntas: o efeito e o aroma são encantadores. É, também, uma ótima opção para o momento do sono.”

 

  • Uso tópico e inalatório: alivia dor de cabeça

“Faça a mesma inalação consciente ou coloque uma gota na palma das mãos e aplique nas têmporas massageando com os dedos indicador e médio. Também pode ser adicionado uma gota de óleo essencial de hortelã pimenta.”

 

  • Uso tópico: para queimaduras, coceiras, alergias de pele e skincare

“Pode ser usado o óleo essencial de lavanda puro ou diluído em óleo de coco extra virgem – a quantidade vai depender do tamanho da lesão.”

“Para uma pele viçosa ou controle de oleosidade e acne, vale diluir, em frasquinho com aplicador em roll on de 10 ml, quatro gotas de óleo essencial de lavanda e quatro gotas de óleo essencial de melaleuca. Complete o frasco com óleo vegetal de jojoba [que ajuda a conservar o composto]. Aplique todas as noites na pele limpa e seca.”

 

Dicas de compra

A aromaterapeuta comenta que existem alguns fatores importantes que devem influenciar na hora da compra. Além disso, como já explicamos aqui, é essencial considerar a faixa etária do usuário e questões relacionadas à saúde: se possui alguma doença, como é a rotina, se pratica exercícios e tem uma alimentação equilibrada.

 

Especialista reforça que os frascos dos óleos essenciais devem ser de vidro e na cor âmbar para proteger as propriedades do produto — Foto: Unsplash

Especialista reforça que os frascos dos óleos essenciais devem ser de vidro e na cor âmbar para proteger as propriedades do produto — Foto: Unsplash

‘Não é por ser natural, que não pode fazer mal’

Priscila ressalta a importância de olhar o rótulo, já que alguns produtos podem estar adulterados, ou seja, conter ingredientes diluídos nas fórmulas para que o óleo extraído renda mais quantidades. Isso faz com que o composto não gere o efeito esperado ou, pior, cause alguma reação na pessoa: “O essencial é que venha somente a planta com seu nome científico. Por exemplo, na lavanda, vai estar lavanda angustifólia, só isso. Mas tem vários tipos de lavanda, não são todas iguais”, detalha.

A terapeuta conta que essa “contaminação” é muito comum em óleos de rosa mosqueta. Por ser mais sofisticado, de difícil extração e que necessita de muitas pétalas em sua formulação, é um composto que acaba sendo oferecido a preços muito altos. Então o barato pode sair caro: “A pessoa pode não estar levando só a rosa mosqueta, mas outros óleos vegetais mais em conta, por exemplo, porque colocam uma espécie enchimento para vender mais.”

“Tanto em óleos essenciais como nos alimentos, a gente vê [escrito] ‘aroma natural de’, aí sim é óleo essencial de verdade. Agora quando vem com ‘aroma artificial de’, não é o óleo essencial. Não é por ser natural, que não pode fazer mal. Querendo ou não, estamos tratando de compostos químicos que vão interagir com o nosso corpo”, reforça.

‘Óleo essencial não é tudo igual’

Priscila comenta que muitas pessoas não se atentam à qualidade do produto ou confundem óleo essencial com essência aromática, coisas totalmente diferentes. Enquanto o primeiro é extraído da planta ou flor e tem propriedades terapêuticas, o segundo é uma substância sintética feita apenas para aromatizar o ambiente ou produtos de limpeza, por exemplo.

 

“Óleo essencial não é tudo igual! O óleo da empresa X não vai ser igual ao da empresa Y, que não vai ser igual de outra empresa. Isso vale para qualquer tipo de produto”, ela destaca sobre a qualidade das opções no mercado.

Cuidados com as embalagens

Dê preferência aos frascos de vidro e na cor âmbar! Nesse caso, mais do que uma questão ambiental, trata-se da saúde do usuário. A especialista explica os motivos:

 

  • Embalagens transparentes não protegem o líquido da luz, aceleram o processo de oxidação e evaporação, degradando aquele óleo e fazendo-o perder a eficácia de seus ativos.
  • Embalagens plásticas podem corroer dependendo da composição química. Portanto, você corre o risco de inalar, ingerir ou aplicar na pele um óleo contaminado com micropartículas de plástico.

Dicas extras:

  • Não deixe o frasco aberto por muito tempo, isso vai degradar o óleo rapidamente.
  • Mantenha os óleos longe de luz direta, fontes de calor e em locais frescos (como a geladeira)
  • Não coloque seu óleo essencial no umidificador de ar: a maioria é feita de plástico, que vai corroer e diluir no líquido inalado.
  • Se o intuito for apenas aromatizar o ambiente, use essências em produtos de limpeza ou em um difusor de tomada – já que o óleo essencial aquecido também perde seu efeito.
  • Caso o objetivo seja aproveitar as propriedades terapêuticas, invista em um difusor ultrassônico: ao invés de aquecer o óleo, aparelho dissipa suas partículas através da vibração da água.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *