domingo, maio 19, 2024
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Joias, semijoias e bijuterias: entenda as diferenças de materiais e tratamentos

Se na hora de comprar seus colares, brincos, anéis e pulseiras você fica na dúvida diante de tantas opções, saiba que você não está sozinho! Além das joias, existem também as bijuterias e semijoias, feitas com materiais e tratamentos diferentes, como banhado ou folheado.

 

Mas você não precisa ser um expert em joalheria para entender o que cada uma destas categorias significa. Basta acompanhar as dicas da ourives Renata Figueiredo, que também ensina alguns truques para manter aquele seu acessório favorito em bom estado por mais tempo!

Bijuterias, semijoias e joias: qual é a diferença?

  • Bijuteria: costuma ser produzida em massa e com materiais de menor qualidade, como miçangas e metais que oxidam facilmente (alumínio, cobre e latão). Sejam prateadas ou douradas, elas escurecem em pouco tempo e nem sempre passam por um acabamento final, diminuindo ainda mais sua durabilidade.
  • Semijoia: intermediária, essa peça pode ser estruturada em materiais como o latão e revestidas em metais de maior qualidade, como prata, ouro ou ródio. As semijoias também podem vir encrustadas em uma infinidade de pedrarias: pirita, ametista, quartzos, turmalina, cristais, entre outros.
  • Joia: feita somente com metais nobres, como prata e ouro, e pérolas ou pedras preciosas, como diamantes, rubis e esmeraldas. Por isso, são mais exclusivas, duram por décadas e são as mais caras!

Você sabia que existem diferentes tipos de prata?

 

Ourives explica as diferenças entre as numerações das pratas, 800, 925, 950 e 1000 — Foto: Reprodução/Instagram

Ourives explica as diferenças entre as numerações das pratas, 800, 925, 950 e 1000 — Foto: Reprodução/Instagram

Circulando pelas lojas físicas ou online, você já deve ter se deparado com algumas variações numéricas da prata. Mas o que elas significam?

  • 800: composta por 80% de prata e 20% de outros metais, é mais utilizada na fabricação de objetos, não de joias.
  • 925: é composta por 92,5% de prata e 7,5% por outros metais, como o cobre, que garantem a “rigidez” na hora da fabricação de uma joia. Ela é muito mais difícil de oxidar, tem maior flexibilidade na hora da criação e apresenta acabamentos mais precisos, já que passa pelo processo de fundição: “É a fabricação de peças através do metal em estado líquido, possibilitando preencher um molde. A técnica viabiliza a produção em uma escala maior e a réplica do produto final”, explica Renata.
  • 950: é composta por 95% de prata e 5% de outros materiais. Como essa porcentagem maior a torna mais maleável, é bastante usada na criação de joalheria artesanal (produção manual de joias): “O que a diferencia da anterior é o tipo de joia em que ela é utilizada, principalmente por manchar um pouco mais rápido, já que sua coloração é mais clara”, detalha.
  • 1000: é a prata em estado puro, mas é raramente utilizada na joalheria por deformar com muita facilidade.

 

*No caso do ouro, a numeração mais comum no Brasil é 750, equivalente ao ouro 18k: “Geralmente, as peças possuem alguma gravação (punção) que define a quantidade de metal presente em cada uma delas. Nesse caso, é de 75% ouro e o restante da porcentagem com outros metais, que também vão ajudar na rigidez da peça”, destaca a especialista.

 

Banhada X folheada

 

Expert em joalheria explica as diferenças entre peças banhadas e folheadas a ouro ou prata — Foto: Reprodução/Instagram

Expert em joalheria explica as diferenças entre peças banhadas e folheadas a ouro ou prata — Foto: Reprodução/Instagram

As semijoias podem passar por dois processos de revestimento: o banho ou o folheamento, também chamado de chapeamento. A especialista explica como funcionam as técnicas e qual possui maior qualidade.

  • Banhadas a ouro ou prata

As peças que podem ser banhadas são de prata, ouro, ródio ou até mesmo as bijuterias, que poderão ter a coloração modificada (ou não) no banho. Nesse processo, a peça é submersa em uma solução de metais nobres utilizando uma corrente elétrica para que haja a fixação dos produtos – método também chamado de galvanoplastia.

 

Por exemplo, acessórios de latão já possuem um tom prateado, mas podem passar por um banho de prata “para garantir um aspecto mais brilhoso e maior durabilidade, já que esse metal é de fácil corrosão”. Já as pratas 925 e 950 “podem receber banho de ouro com a finalidade de mudar a tonalidade ou aumentar a vida útil”. As joias em ouro branco ou amarelo também podem passar por esse processo para fazer alteração de cores, “mas não é muito comum, pois elas já são feitas na tonalidade final”.

Fique de olho: Renata comenta que o que vai definir a durabilidade do acabamento são os milésimos desse banho, ou seja, a quantidade de ouro ou prata aplicada. Para quem procurar um bom custo-benefício, itens com banhos entre 3 e 4 milésimos são boas opções. Já os banhos com 5 milésimos ou mais são semijoias de qualidade superior!

 

“Até um milésimo são banhos rápidos, mais utilizados no processo de fabricação de bijuterias. Quanto mais milésimos, mais esse banho tende a durar.”

  • Folheadas a ouro ou prata

Mais obsoleto, esse método pode ser feito com os mesmos metais. Aqui, no entanto, o processo se dá pela aderência de uma folha fina de metal sobre o material: “A principal diferença entre os dois é sua menor durabilidade, o que faz com que as peças banhadas sejam relativamente mais caras.”

Dicas para manter a qualidade das joias

 

Ourives explica como armazenar as joias para manter a sua durabilidade por mais tempo — Foto: Pexels

Ourives explica como armazenar as joias para manter a sua durabilidade por mais tempo — Foto: Pexels

Seja um colar cravejado de diamantes ou sua bijoux favorita, todas merecem um cuidado especial na manutenção! Renata divide alguns truques de “bastidores” que utiliza para armazenar o próprio estoque, já que “alguns materiais arranham com muita facilidade”.

 

  • Armazenamento das joias: ela sugere guardar as peças, separadamente, em saquinhos com fechamento hermético – o mesmo vale para o brinco, mantendo cada unidade em um saco diferente. “Seu porta-joias não ficará o mais lindo e arrumado de todos, mas isso garante que as peças não arranhem”, brinca a especialista.
  • Armazenamento de semijoias: além do saquinho, ela sugere envolver as peças em um papel de seda. Isso vai manter seus acessórios preciosos longe da luminosidade – responsável pela corrosão do banho, além da umidade.
  • Higienização de pratas 925 e 950 ou ouro: devem ser colocadas em água morna com sabão de coco: “Se for uma joia escovada, indico uma esponja [para metais] que, além de deixar a peça ‘mais clara’, devolverá o aspecto inicial dela”. Após a limpeza, deixe a peça secar completamente antes de guardá-la.
  • Higienização de bijoux: a limpeza é feita apenas com uma flanela ou algodão para não oxidar o acessório: “Dependendo do fabricante, elas podem vir esmaltadas, que é uma espécie de ‘película’ que ajuda na sua durabilidade.”
  • Quem tiver alergia a algum dos materiais citados, pode investir em opções de aço inoxidável.
  • Não se esqueça de tirar brincos, anéis, colares e outras semijoias antes de tomar banho: a umidade pode acelerar o processo de oxidação das peças.
  • Atenção ao fabricante! Aos compradores de joias de ouro, Renata destaca a importância de conhecer a procedência do material utilizado nas peças que você adquire: “Eu trabalho muito com ouro reciclado, procuro quem tem alguma joia de família ou um ouro da família. Reciclo esse metal porque, hoje em dia, no Brasil, é muito difícil encontrar ouro que não seja de garimpo ilegal.”
  • Você tem uma joia de ouro que não gosta mais? A sugestão de Renata é procurar serviços que façam reciclagem de joalheria.

 

“Se as pessoas não têm condições de comprar uma peça em ouro ou caso tenha alguma que não use, ela pode encontrar alguma joalheria que forneça um serviço não, necessariamente, de restauração, mas de reciclagem da peça, criando um design novo. Isso faz com que o valor final da joia fique bem mais em conta do que comprar ouro de outros fornecedores”, detalha.

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