segunda-feira, maio 20, 2024
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10 efeitos colaterais da pílula anticoncepcional que toda mulher precisa saber, e o que fazer?

Quais são os efeitos colaterais do anticoncepcional? Essa é uma pergunta comum entre jovens e mulheres que desejam usar o método contraceptivo via oral para evitar uma gravidez indesejada. Se muitas pessoas vêm abandonando o uso da pílula, seja por medo dos riscos ou por buscarem opções em que se sintam mais confortáveis, ainda há quem opte pelo caminho mais tradicional.

 

Algumas mudanças no corpo podem ser sentidas logo nos primeiros meses, mas sem riscos mais graves. Outros problemas mais sérios, no entanto, podem surgir caso haja uma escolha incorreta do medicamento. Por este motivo, a consulta médica deve ser prioridade antes de se iniciar o uso da pílula, alerta a ginecologista Natalia Gama, especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

 

“Não pode tomar o remédio que a amiga toma porque ela se deu bem. Cada corpo é um corpo, cada sistema é um sistema. Temos que individualizar a contracepção. Até porque existem vários métodos hoje em dia e nem sempre a pílula será a melhor opção para todo mundo”, explica.

 

10 efeitos colaterais da pílula anticoncepcional que toda mulher precisa saber, e o que fazer? — Foto: Freepik

10 efeitos colaterais da pílula anticoncepcional que toda mulher precisa saber, e o que fazer? — Foto: Freepik

Quais são os efeitos colaterais da pílula anticoncepcional?

Segundo a especialista, o contraceptivo via oral pode causar algumas mudanças no corpo nos três primeiros meses de adaptação. Pode acontecer:

  • Náuseas;
  • Dores na mama;
  • Enxaqueca;
  • Mudança de humor;
  • Sangramento irregular (escape).

O escape costuma perdurar durante o uso da medicação, mas a médica acrescenta que não é menstruação. “Esses efeitos tendem a ser de adaptação e depois melhoram”, afirma, citando ainda o risco de trombose.

 

“Dependendo da pílula, se ela for combinada com o estrogênio e progesterona sintéticos, eles podem dar risco de trombose. Então, é importante esclarecer para a paciente sempre antes de fazer o uso do tipo da anticoncepção oral e hormonal”, explica a Dra. Natália Gama.

Outros efeitos colaterais da pílula anticoncepcional podem ser considerados e médicos especialistas dão mais detalhes a seguir:

 

  • Trombose;
  • AVC;
  • Infarto;
  • Aumento da pressão arterial;
  • Acne.

 

Qual o risco de ter trombose tomando anticoncepcional?

O cirurgião vascular Leonardo Stambowsky, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular e da Sociedade Americana de Cirurgia Vascular, confirma que o anticoncepcional aumenta o risco de trombose. “Apesar de a trombose ser uma complicação rara durante o uso dos anticoncepcionais orais, ela aumenta o risco de 2 a 6 vezes”, indica.

Segundo o especialista, mulheres com história familiar de trombose, obesidade, tabagismo e idade avançada têm maior risco de desenvolver o problema. Há uma diferença de risco de trombose venosa entre os tipos de anticoncepcionais:

“Os anticoncepcionais orais antigos, com altos níveis de estrogênio, oferecem maior risco de trombose. Os com menos de 50 microgramas de etinilestradiol têm menor risco. Entretanto, os estrogênios de segunda geração (levonorgestrel) têm menor risco comparados aos de terceira e quarta geração.”

Quem já teve trombose pode tomar anticoncepcional?

O cirurgião vascular afirma que não é uma contraindicação formal: “Mas, em geral, deve se dar preferência a outros contraceptivos.” Já a paciente diagnosticada com trombose venosa, a decisão de parar o uso do anticoncepcional deve ser individualizada e conversada com o médico, orienta o médico.

 

Com relação à necessidade de realizar algum teste de coagulação antes de começar a usar contraceptivos orais, ele afirma: “Apesar do risco aumentado, devido à baixa incidência dessa complicação, a OMS não recomenda pesquisa rotineira de trombofilias antes do início do anticoncepcional oral.”

 

10 efeitos colaterais da pílula anticoncepcional que toda mulher precisa saber, e o que fazer? — Foto: Freepik

10 efeitos colaterais da pílula anticoncepcional que toda mulher precisa saber, e o que fazer? — Foto: Freepik

Os riscos de AVC e infarto relacionados à pílula anticoncepcional

O uso da pílula anticoncepcional pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e o cardiologista Edmo Atique Gabriel explica o motivo: “Essa possibilidade existe, principalmente quando este uso não é indicado por um especialista ou quando a dosagem hormonal ultrapassa valores de segurança.”

 

Apesar da evolução das pílulas com o passar dos anos e a mudança da dosagem de hormônios, o cirurgião cardiovascular reforça que ainda é preciso ter preocupação com relação a eventos como infartos ou AVC. “Porque a resposta orgânica de cada pessoa que usa estas pílulas é muito variável e depende de dose e frequência de utilização”, alerta.

 

“As pílulas de última geração apresentam um equilíbrio maior entre as concentrações de estrógeno e progesterona, sendo o estrógeno o principal causador de fenômenos trombóticos, AVC e infarto do coração”, explica o médico.

 

“Mulheres com histórico familiar muito forte para câncer ginecológico (mama e ovário) e eventos cardiovasculares como trombose, infarto e AVC, são as mais propensas a ter problemas e as de maior risco”, aponta o especialista.

 

A relação do anticoncepcional com o aumento da pressão arterial

As pílulas anticoncepcionais podem causar um aumento dos riscos de provocar aumento da pressão arterial. “As pílulas podem aumentar a viscosidade do sangue, ou seja, o sangue pode ficar mais ‘grosso’, levando a uma maior resistência para a passagem de sangue e, consequentemente, picos de pressão arterial”, esclarece o Dr. Edmo.

Segundo ele, para as pessoas obesas, tabagistas e com nível de estresse muito elevado, o risco é consideravelmente maior.

 

De modo geral, a dosagem de estrogênio deve ser controlada nesses casos: “Isso porque o estrogênio pode causar tromboses e aumentar o risco de infarto do coração e AVC. Mas é sempre bom ressaltar que as pílulas de última geração já possuem concentrações mais equilibradas de estrogênio e progesterona.”

 

10 efeitos colaterais da pílula anticoncepcional que toda mulher precisa saber, e o que fazer? — Foto: Pexels

10 efeitos colaterais da pílula anticoncepcional que toda mulher precisa saber, e o que fazer? — Foto: Pexels

Quais são as contraindicações para o uso da pílula anticoncepcional?

A ginecologista explica que algumas pacientes não podem usar anticoncepcional hormonal e que nesses casos, listados abaixo, a opção é o dispositivo intrauterino de cobre (DIU): “Porque protege ela da gravidez e não tem hormônio nenhum.”

  • História de trombose ou história familiar de trombose: “Elas não podem usar pílula combinada, que contenha estrogênio, etinilestradiol ou qualquer outro estrogênio sintético.”
  • História de AVC: “Que é o derrame ou infarto agudo do miocárdio.”
  • Pacientes enxaquecosas: “Algumas não devem usar ou não conseguem se adaptar à pílula via oral hormonal.”
  • Hipertensão: “Pacientes com hipertensão arterial sistêmica, a hipertensão descompensada.”
  • Câncer de mama: “Pacientes com câncer de mama não devem usar anticoncepcional oral.”
  • Doenças hepáticas ou renais: “Esses pacientes não têm metabolização ou excreção da medicação via oral.”

O anticoncepcional causa ou melhora a acne na pele?

Com relação aos efeitos da pílula anticoncepcional na pele, a dermatologista Andréa Sampaio inicia explicando que os anticoncepcionais hormonais de uso oral são feitos de uma combinação de hormônios femininos sintéticos, como o estrogênio e progestinas (similares à progesterona).

 

“No caso do uso de contraceptivos com hormônios similares à progesterona apenas, pode ocorrer piora da acne, pelo aumento de hormônios androgênicos como a testosterona”, aponta a especialista.

“Já as fórmulas combinadas de estrogênio e algumas progestinas específicas, como a ciproterona ou a drospirenona, podem auxiliar no tratamento da acne. Elas têm ação antiandrogênica, reduzindo a testosterona e melhorando também a acne.”

 

A dermatologista acrescenta que a pílula pode ajudar no tratamento contra a acne, mas tudo depende de cada paciente “e da causa das lesões acneiformes”. No caso da acne em adolescentes, por exemplo, ela afirma que é comum se obter melhora significativa com o uso de pílulas anticoncepcionais combinadas.

 

“Devido à ação na redução da testosterona e inibitória da ovulação. A oleosidade da pele e dos cabelos reduz e também a acne, que costuma ceder em alguns meses após o início da medicação. Isso é mais evidente em pacientes portadoras de síndrome do ovário policístico”, explica.

 

10 efeitos colaterais da pílula anticoncepcional que toda mulher precisa saber, e o que fazer? — Foto: Freepik

10 efeitos colaterais da pílula anticoncepcional que toda mulher precisa saber, e o que fazer? — Foto: Freepik

A faixa etária mais propensa a desenvolver acne com uso do anticoncepcional

A médica afirma que o uso de progestinas isoladas, que possam aumentar a testosterona, tende a piorar a acne em qualquer faixa etária, principalmente nas adolescentes. “Em pacientes com histórico familiar de acne grave ou com peles muito oleosas, pode haver surgimento de acne nódulo cística e até mesmo cicatrizes, comprometendo a autoestima das pacientes”, aponta ela.

 

Quando a paciente começa a perceber que o uso da pílula está alterando a pele, a dermatologista aconselha a volta ao ginecologista. “A escolha da medicação deve ser uma decisão compartilhada entre médico e paciente. O uso de anticoncepcional hormonal oral é uma opção no tratamento da acne de moderada a grave, uma vez que os tratamentos comuns não tenham surtido o efeito desejado.”

“O uso de hormônios sintéticos tem riscos e efeitos colaterais, a decisão por esta medicação deve ocorrer quando os benefícios superarem os riscos para benefício da paciente”, acrescenta a Dra. Andréa Sampaio.

 

O uso do anticoncepcional deve ser realizado após consulta médica individualizada

O médico precisa estar atento às queixas e demandas de cada paciente, conforme destaca a dermatologista. E isso é possível quando são levados em conta os riscos e benefícios das medicações: “Os efeitos colaterais mais comuns devem ser considerados nesta escolha para uma decisão mais assertiva e personalizada.”

A ginecologista Natalia Gama reforça a necessidade de se procurar um médico especializado antes de iniciar o método contraceptivo. “Primeiro passar por uma consulta e fazer uma boa anamnese (entrevista médica) com essa paciente para saber o que ela toma, saber a história familiar dela, um bom exame clínico e saber quais remédios ela está tomando para ver se não tem interação medicamentosa. E falar sobre todos os métodos de contracepção”, destaca a médica.

 

A especialista considera fundamental explicar os prós e contras de cada método: “E assim decidir qual remédio vai ser o melhor para a paciente, qual será o melhor método, e a paciente vai saber que tudo tem coisas boas e coisas ruins. Todo método escolhido tem prós e contras.”

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