script async src="https://pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-2913509317834347" crossorigin="anonymous"> Pole dance: conheça a prática que estimula a autoestima e quebra tabus
terça-feira, maio 28, 2024
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Pole dance: conheça a prática que estimula a autoestima e quebra tabus

Assim como o yoga, o pole dance também tem sua origem na Índia, com o mallakhamb – ginástica indiana que, a princípio, era praticada somente por homens. Outro ponto em comum com a prática meditativa é a busca por equilíbrio entre corpo e mente… Mas elas divergem no modo como se tornaram populares.

Prática estigmatizada e sexualizada

 

Apesar de ter sido criado como uma prática de bem-estar mental, o pole dance como conhecemos hoje foi difundido nos clubes de strip-tease por volta dos anos 80 nos Estados Unidos. Desde então, a prática é vista apenas como algo erotizado ou sexualizado.

 

“Acaba sendo uma visão preconceituosa, porque são tantas as possibilidades do pole para colocá-lo só nessa caixinha do sensual”, defende Jennifer, que também comenta sobre as várias crianças que não só praticam, mas são campeãs de pole dance!

 

Suelen afirma que o pole “representa a força feminina”, mas no início da carreira viveu o preconceito na pele ao buscar academias e estúdios para implementar a atividade.

 

“Há 11 anos, colocar uma barra de pole dance no meio de uma academia ou numa sala de ginástica? O pessoal queria me queimar viva! Nenhuma academia me autorizou, nem os meus colegas do yoga não gostaram. Eu não achei que eu iria enfrentar tanto preconceito quanto eu enfrentei.”

 

Uma década depois, ela acredita que as pessoas estão mais abertas a conhecerem o pole dance e quem a pratica está “quebrando tabus, buscando sua força interior, sendo corajosa, buscando sua sexualidade e libertando sua ancestralidade.”

 

Com a palavra, as experts

 

Suelen Mello teve câncer há quase 4 anos e afirma que o pole dance a ajudou a se recuperar após o tratamento — Foto: Reprodução/Instagram

Suelen Mello teve câncer há quase 4 anos e afirma que o pole dance a ajudou a se recuperar após o tratamento — Foto: Reprodução/Instagram

Suelen considera o pole dance uma “modalidade psicofísica”, já que trabalha o foco enquanto fortalece o tônus muscular. Ela conheceu o pole dance quando gerenciava uma academia em Porto Alegre (RS) e dava aulas de yoga. Nessa época, Flávia Alessandra brilhava no papel da dançarina de pole dance Alzira, na novela Duas Caras: “Ela ficou com o corpão fazendo pole! Aí eu comecei a pesquisar onde fazer a aula, passei a estudar e treinar.”

 

Para a gaúcha, o pole dance simboliza coragem, determinação e quebra de obstáculos, mas de uma forma leve. Isso porque, em 2019, um problema de saúde a pegou de surpresa: “Eu tive câncer e, se não tivesse uma vida ativa, não teria passado tão bem em relação ao tratamento.”

 

Jennifer já estava em um território familiar quando decidiu conhecer o pole dance, em 2018. Dançarina de balé clássico desde os 12 anos, a carioca disse que “foi amor à primeira” e, de repente, se viu treinando dia e noite para ficar afiada na dança:

 

“A motivação foi pura curiosidade, mas eu acabei me apaixonando. Eu estava em um momento de muita tristeza, então fui construindo uma autoestima conforme eu desbloqueava as conquistas no pole, justamente porque no começo foi muito difícil e uma coisa completamente diferente de tudo que eu já tinha feito na dança. Foi transformador!”

 

Jennifer Gomes se apaixonou pelo pole dance e passou a treinar dia e noite até começar a dar aulas — Foto: Reprodução/Instagram

Jennifer Gomes se apaixonou pelo pole dance e passou a treinar dia e noite até começar a dar aulas — Foto: Reprodução/Instagram

Benefícios para o corpo e mente

 

Cada um pode chegar ao pole dance por um motivo ou foco diferente, mas todas as entrevistadas concordam que esta prática vai muito além de uma atividade física: os coletivos se tornam uma “corrente de apoio e sororidade”, como define Jennifer.

 

A professora explica que a dança envolve disciplina, musicalidade, respeito, foco, empatia: “Eu costumo falar que o pole é uma academia dançada. É como se fosse um superpoder, porque é uma coisa que você nunca imaginou que faria. Para mim, é completamente sobre empoderamento.”

 

Quanto à saúde física, o pole dance pode contribuir em inúmeros aspectos:

 

  • Aumenta força
  • Desenvolve coordenação
  • Ajuda na flexibilidade
  • Os movimentos trabalham o corpo todo, especialmente o abdômen

 

O pole dance estimula a autoestima e autoconfiança, mas também conta com vários benefícios para a saúde física — Foto: Unsplash

O pole dance estimula a autoestima e autoconfiança, mas também conta com vários benefícios para a saúde física — Foto: Unsplash

Os benefícios emocionais também são muitos:

 

  • Proporciona autoconhecimento e consciência corporal
  • Melhora a autoestima e segurança
  • Trabalha a habilidade social
  • Ótimo complemento para quem faz acompanhamento psicológico
  • Libera endorfina, serotonina, dopamina e ocitocina, os hormônios da felicidade

 

Modalidades do pole dance

 

Existem diversas opções de pole dance, algumas são focadas em proporcionar condicionamento físico, como o pole fitness e esporte. Outras, mais populares, são voltadas para a expressão artística, como o pole dance exótico ou pole on heels (executado com salto alto).

 

“Eu acho interessante fazer sempre um fitness e uma dança. Por exemplo, um acrobático e uma dança, porque eles se complementam e a gente precisa se desafiar o tempo todo”, sugere Suelen.

 

pole artístico, explica Jennifer, “visa mais a dança, a plenitude, a leveza e a expressão. Você pode agregar outros tipos ou vertentes da dança, como samba, funk, a dança do ventre ou dança contemporânea.”

 

Jennifer concorda com que os alunos tenham contato com um pouco de tudo e, só depois, acabem desenvolvendo uma preferência por algum estilo, “mas a modalidade mais procurada é, de longe, a vertente sensual”, confessa. Ainda assim, o pole artístico também tem ganhado bastante espaço e o pole esporte tem até um campeonato.

 

O pole dance conta com várias modalidades, algumas com foco no condicionamento físico, e outras voltadas para a expressão a artística — Foto: Unsplash

O pole dance conta com várias modalidades, algumas com foco no condicionamento físico, e outras voltadas para a expressão a artística — Foto: Unsplash

Cuidados essenciais

 

As professoras afirmam que não existem restrições para participar do pole dance, exceto para quem apresenta alguma lesão recente. Nesse caso, é preciso aguardar até a inflamação melhorar, mas, de qualquer forma, conversar com seu médico nunca é demais! Veja outras orientações das professoras:

 

  • Roupas: o pole dance precisa de atrito durante um movimento e outro, por isso, o ideal é praticar com shorts e top. Outro truque é levar uma toalhinha para secar a barra durante a aula, já que o suor faz o corpo deslizar mais.
  • Aquecimento: como em qualquer esporte ou atividade física, esta etapa é importantíssima para evitar lesões.
  • Atividades complementares: como falamos aqui, alguns passos exigem uma força maior. Portanto, completar a rotina com exercícios que fortaleçam braços e pernas pode ajudar na dança.
  • Frequência: nem sempre aquele movimento vai ficar bom de primeira, por isso, ter constância é o único jeito de melhorar gradualmente e sem se machucar.
  • Procure um profissional que entenda as suas necessidades ou limitações físicas.
  • Faça uma aula experimental em vários lugares diferentes.

Depoimentos das alunas

 

Especialistas falam sobre os cuidados para quem vai começar no pole dance — Foto: Unsplash

Especialistas falam sobre os cuidados para quem vai começar no pole dance — Foto: Unsplash

Para Cynthia Cunha Travessas, as aulas serviram como um resgate da feminilidade que sentiu que havia perdido após a menopausa e o acúmulo de tarefas, o que leva muitas mulheres a deixarem o autocuidado em segundo plano.

 

“Eu precisava de um estímulo para recuperar a minha autoestima e minha sensualidade. Nós, mulheres, temos multipapéis que acabam nos sobrecarregando. Como a gente fica o tempo todo se enxergando no espelho [do estúdio] é como um feedback, e isso acaba nos motivando a mudar”, comentou a empresária.

 

A falta de autoestima também foi o que incentivou Jéssica Mello a procurar uma atividade física. Acontece que “nada engajava, de fato”, e a jornalista acabava desistindo, até que o pole dance despertou a sua curiosidade. Foi, então, que ela conseguiu manter uma constância na rotina de exercícios.

 

“Como o estúdio é pensado exclusivamente para as mulheres e para a cura do feminino, também foi um processo de aceitação do corpo, de reconhecer minha trajetória e fazer grandes amizades. Hoje, estou bem mais confiante e segura, fico feliz a cada movimento novo que consigo fazer e olho com muito mais carinho para mim e para as outras mulheres.”

 

E para quem acha que para começar no pole precisa ter preparo físico, está enganado. Jéssica começou do zero, de forma gradual, praticando para adquirir força, maior consciência corporal e resistência.

 

Quem também se sente constantemente desfiada é a bióloga marinha Clara Velloso. Ela sentiu que ficou um pouco sedentária devido à pandemia, mas o ambiente da academia não a atraía muito. Clara, que já gostava de dança, então topou a sugestão de uma amiga e experimentou o pole dance:

 

“Eu não esperava que iria amar tanto, é diferente de qualquer outra atividade que eu já fiz. Ele mistura arte, exercício físico e sensualidade e, ao mesmo tempo, permite que eu me expresse e me divirta. A sensação de fazer algo com o seu corpo que nunca imaginou que conseguiria é maravilhosa!”

 

A prática ajudou Clara, Cinthya e Jéssica a se libertarem de crenças negativas sobre elas mesmas: “Como mulher, a gente é ensinada a ter vergonha do nosso corpo, das curvas e das gorduras. O pole dance me mostrou o quão maravilhoso e incrível meu corpo é”, finaliza a bióloga.

 

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