sábado, fevereiro 24, 2024
Saúde

Carnaval pode aumentar os riscos de infecção por ISTs

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o uso de preservativo durante o ato sexual está cada vez menor entre os adolescentes brasileiros de 13 a 17 anos, com queda de 72,5% para 59% entre 2009 e 2019, o que aumenta o risco das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Esses dados podem ser ainda mais potencializados no Carnaval, época em que muitas pessoas decidem viver novas experiências sexuais, porém nem sempre de maneira segura.

De acordo com Luisa Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, que fazem parte da Dasa, as ISTs mais comuns no Brasil são o HIV, o Papilomavírus Humano (HPV, sigla em inglês), a sífilis, as hepatites B e C, a clamídia, a gonorreia, o herpes genital e o cancro mole. Apesar de não ser classificada como IST, a hepatite A é transmitida de forma oral-fecal e existem casos relacionados com o sexo anal.

“As enfermidades consideradas mais desafiadoras são o HIV, já que ainda não há cura e o paciente necessita de tratamento contínuo; a hepatite B, nos casos que se tornam crônicos e precisam de acompanhamento ao longo da vida; o HPV, que pode evoluir para câncer, dependendo do subtipo; e a sífilis, que, além de ser altamente contagiosa, é possível que cause sintomas neurológicos e leve à malformação do feto caso a paciente esteja grávida durante a infecção”, explica a médica.

Vacinação e uso de preservativos reduz os riscos de infecção das ISTs

“A vacinação contra o vírus HPV e as hepatites A e B é uma forma eficaz de prevenir o desenvolvimento dessas doenças. Além disso, o preservativo é o método mais indicado para diminuir o risco de transmissão das ISTs e deve ser usado em todos os tipos de relação sexual. Para facilitar o acesso aos preservativos, o Ministério da Saúde define diversos postos de distribuição gratuita para a população”, detalha Luisa Chebabo.

Para aumentar a proteção contra o HIV, há, ainda, a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP): enquanto a PrEP é tomada preventivamente conforme orientação médica para reduzir a chance de infecção caso haja algum contato com o HIV, a PEP deve ser utilizada somente após uma exposição de risco ao vírus. Porém, é importante ressaltar que nenhum desses métodos deve ser usado para fins contraceptivos, sendo apenas indicado em casos específicos.

Segundo a especialista, outra forma de transmissão das ISTs é por meio do compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas. Uma gestante infectada com HIV ou sífilis e que não recebeu o tratamento adequado também corre o risco de transmitir a doença para o bebê na gestação, no parto ou, ainda, durante a amamentação, no caso do HIV.

Reconhecer os sintomas das ISTs é essencial para o diagnóstico precoce

A depender da infecção, o paciente pode ter mais chances de sucesso no tratamento ou melhor qualidade de vida durante a recuperação caso a doença seja descoberta no estágio inicial. Conheça os sintomas mais frequentes de cada IST:

– Hepatites B e C – costumam causar inflamação hepática, o que provoca náuseas, olhos amarelados, febre e mal-estar. Porém, pode haver casos assintomáticos.

– HIV – a condição pode ser assintomática no início ou causar febre, gânglios aumentados e fadiga. Em casos avançados, é comum que ocorra emagrecimento sem motivo aparente, diarreia prolongada, candidíase oral (sapinho) e infecções recorrentes.

– Gonorreia e clamídia – o paciente pode observar a saída de secreção purulenta pelo pênis, pelo ânus ou pela vagina, além de sentir ardência e incômodo durante a relação sexual ou ao urinar.

– HPV – alguns subtipos podem causar verrugas genitais, enquanto outros levam a lesões pré-cancerígenas.

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– Sífilis – pode se manifestar de várias maneiras, desde uma ferida na região genital até manchas avermelhadas pelo corpo e sintomas neurológicos, como dificuldade de raciocínio e perda de memória,

– Cancro mole e herpes genital – enquanto o cancro costuma causar ferida genital com saída de secreção, o herpes causa o surgimento de vesículas genitais dolorosa.

Para rastrear alguns tipos de IST, como o HIV, a sífilis e as hepatites B e C, é recomendado que pessoas sexualmente ativas façam a testagem para essas doenças ao menos uma vez ao ano. Além disso, o exame citopatológico (preventivo de câncer de colo de útero) também pode detectar lesões por HPV em estágio inicial. Em relação à clamídia e gonorreia, pessoas com alta exposição sexual podem realizar exames moleculares (PCR) de urina ou secreção vaginal para diagnóstico precoce.

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