terça-feira, abril 16, 2024
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Buscas por pílula do dia seguinte aumentam em época de Carnaval

As buscas por pílula do dia seguinte voltaram a crescer no Google durante a semana de Carnaval em 2024. No mesmo período no ano passado, marcado pela retomada das festividades após dois anos de pandemia, já havia se evidenciado um problema preocupante: o uso desse método anticoncepcional sem acompanhamento médico.

De acordo com o Google Trends, a segunda maior busca pelo medicamento em 2023 aconteceu na semana seguinte ao Carnaval, ficando atrás apenas da primeira semana de janeiro. Já em 2024, as estatísticas apontam para o mesmo caminho.

Depois de uma queda nas buscas após a primeira semana deste ano, o índice voltou a crescer na semana do feriado. Alexandra Ongaratto, médica ginecologista e diretora técnica do Instituto GRIS, explica que “embora a pílula do dia seguinte seja eficaz na prevenção da gravidez quando utilizada corretamente, seu uso frequente e sem orientação médica pode trazer diversos riscos à saúde da mulher”.

A foliã Jéssica Barbosa, de Curitiba, conta um pouco da experiência com a pílula neste último Carnaval em São Paulo. “A festa estava sendo incrível, estava me divertindo muito com meus amigos. Acabei conhecendo um cara legal e acabou rolando um clima. Como não tinha nenhum método contraceptivo comigo, decidi tomar a pílula do dia seguinte. Foi a primeira vez que usei e confesso que fiquei nervosa com os efeitos colaterais”, diz.

Problemas comuns do uso da pílula do dia seguinte

A médica explica que existem problemas comuns relacionados ao uso da pílula do dia seguinte, como as alterações hormonais. “O alto índice de hormônios presentes no medicamento pode causar náuseas, vômitos, dores de cabeça e alterações no ciclo menstrual”, esclarece. Também é importante ficar atento às seguintes situações:

Ineficácia:  A pílula do dia seguinte é menos eficaz com o passar do tempo após a relação sexual. Se tomada dentro de 72 horas, a pílula é eficaz em 95% dos casos. Contudo, a eficácia cai para 85% se tomada entre 72 e 120 horas após a relação;

Interações medicamentosas: A pílula pode interagir com outros medicamentos, por isso, é importante consultar um médico antes de usá-la;

Riscos cardiovasculares: Estudos sugerem que o uso frequente da pílula pode aumentar o risco de trombose venosa e embolia pulmonar, especialmente em mulheres com histórico familiar ou outros fatores de risco.

Dados alarmantes sobre a pílula do dia seguinte

De acordo com uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), realizada em 2022, 53% das mulheres que utilizaram a pílula do dia seguinte o fizeram sem orientação médica.

Segundo a ginecologista Alexandra, “é importante destacar que a pílula do dia seguinte não é um método contraceptivo regular. Ela deve ser utilizada apenas em situações emergenciais, como em casos de falha do método contraceptivo usual ou em caso de violência sexual”.

Outro estudo, desta vez publicado na revista “Contraception” em 2023, mostrou que o uso frequente da pílula do dia seguinte (mais de duas vezes por ano) pode aumentar em até 70% o risco de trombose venosa. Por isso, é fundamental que a mulher consulte um médico antes de utilizar. O profissional poderá avaliar o histórico de saúde da paciente, identificar contraindicações e orientar sobre o uso correto do medicamento.

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“Além disso, é importante lembrar que existem outros métodos contraceptivos mais eficazes e seguros que podem ser utilizados regularmente. Converse com seu ginecologista para escolher o mais adequado para você”, ressalta a médica.

A importância da orientação médica a respeito da pílula do dia seguinte

Consultar um médico antes de usar a pílula do dia seguinte é fundamental para garantir a segurança e a efetividade do método. O profissional poderá avaliar o histórico de saúde da mulher, identificar contraindicações e orientar sobre o uso correto.

Recomendações:

  • Utilize a pílula do dia seguinte apenas em casos emergenciais;
  • Consulte um médico antes de usar a pílula, especialmente se você possui alguma condição médica pré-existente;
  • Utilize métodos contraceptivos regulares e eficazes, como preservativos e pílulas anticoncepcionais de uso contínuo;
  • Converse com seu médico sobre as opções de contracepção mais adequadas para você.

Além disso, Alexandra Ongaratto destaca que a pílula do dia seguinte não protege contra  infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV, herpes genital, sífilis, gonorreia e outras. “A camisinha ainda é o melhor método de proteção, não só contra a gravidez indesejada, mas também contra outros problemas”.

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