terça-feira, abril 16, 2024
Saúde

Inteligência emocional ajuda cuidar da depressão entre adolescentes

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), um em cada jovens de 10 a 19 anos sofrem com algum transtorno mental, entre eles a depressão. O período da adolescência é considerado um dos mais dificeis de lidar com emoções e alguns comportamentos, que acabam impactando diretamente na saúde mental.

A inteligência emocional é uma maneira que trabalha com o autoconhecimento das emoções e compreensão da identidade. No Brasil, segundo a especialista Juliana Russano, esta prática não é muito evidenciada e para isso, escreveu dois livros, “Como assim? e “Nem pense nisso!” que percorrem temas como ansiedade, depressão, compreensão da identidade, pensamentos disfuncionais e autoestima, ajudando os jovens a lidar com suas próprias emoções.

“A gente tem poucas ferramentas no Brasil para trabalhar com a pré-adolescência e a adolescência, que é um momento tão importante. Este é um modelo de livro inédito no país, que pode melhorar a qualidade de vida dos jovens de hoje, tão carentes de saúde emocional”, afirma a autora.

Para isso, em entrevista exclusiva com o iG Delas, a especialista nos conta como a inteligência emocional pode ajudar nos quadros de depressão entre adolescentes e como pais e educadores podem contribuir neste processo.

O comportamento não casual entre os adolecentes é um dos fatores a serem observados, segundo Juliana, que explica os principais sinais de depressão. “Esta é uma fase de constante mudança que normalmente os pais não percebem ou falam que é frescura. Nisso, devemos nos atentar nesses possíveis sinais que podem causar um certo distúrbio nos jovens, como automutilação em que usa-se muito manga comprida no calor e verbalização do adolescentes demonstrando incômodo”, afirma.

A inteligência emocional, para a psicóloga, é uma das ferramentas fundamentais para a análise do comportamento dos adolescentes e o diálogo entre pais e educadores. “A inteligência emocional é desenvolvida pelo autoconhecimento, para que pessoas com quadros de desvalorização própria, possam entender seus pontos positivos e como podemos melhorar nossos pontos fracos. Além disso, ela ajuda a regular as emoções, principalmente para pessoas muito nervosas e que possuem comportamentos impulsivos, muito comum nos jovens. Isso é muito importante para esse público porque a mentalidade ainda não é madura o suficiente para compreender os problemas”, explica.

Para Juliana, a educação é um dos principais meios para alertar e ajudar os jovens sobre a saúde mental e para o autoconhecimento. “Através da consciência a gente consegue entender nossa emoções. Eu criei dois livros que podem contribuir para isso, porque no Brasil não há material para trabalhar com a inteligência emocional e psicoeducação, que busca avaliar o comportamento dos jovens e analisar como as emoções impactam nas relações sociais e em situações de conflito, trazendo uma forma diferente de ver as coisas”.

Muitas vezes, os adolescentes não se sentem confortáveis em compartilhar o que estão sentindo para as pessoas, tornando difícil a comunicação e compreensão dos problemas. A profissional explica como criar um ambiente seguro para que os jovens possam exprimir seus sentimentos e terem ótimas relações com pessoas mais próximas. “As crianças são muito validadas na nossa sociedade, então ela é muito bem vista pela sua aprendizagem. Quando elas entram na adolescência, as críticas começam e cria-se um distanciamento dos adolescentes e os adultos. Para isso, um ambiente seguro deve ser um local que os jovens possam se sentir validados e confortáveis em compartilhar suas emoções, mesmo que o sentimento seja pequeno”, relata.

Por conta do distanciamento de pais e filhos, que sentem desconfortáveis ao relatar seus sentimentos, Juliana disse que é importante a comunicação e abertura dos pais aos os filhos para que haja a criação de um ambiente seguro. “Primeiro passo é ouvir o adolescente, ouvindo sem julgar. Quando o adolescente começa a se abrir, os pais se sentem na oportunidade de criticar e solucionar o problema, antes de saber o que de fato está acontecendo. A partir disso, eles devem tentar trazer esse acolimento. Esta geração é muito diferente dos adultos e eles não sabem como ajudar. Para isso, também é necessário a ajuda da psicoterapia, com orientação de pais, que traz qual é o comportamento ideal para enfrentar essas situações”, finaliza.

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