Facções ameaçam matar lideranças Ashaninka no Acre e acendem alerta na fronteira com o Peru

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O avanço das organizações criminosas na fronteira entre o Brasil e o Peru elevou a tensão no Alto Juruá. Lideranças do povo Ashaninka, na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, no Acre, afirmam que estão sendo alvo de grupos armados ligados ao crime organizado, após uma invasão registrada no início de julho.

Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo e repercutida por veículos internacionais, homens encapuzados e fortemente armados invadiram a aldeia Apiwtxa à procura das principais lideranças indígenas. De acordo com os relatos, os invasores falavam espanhol, portavam metralhadoras e ameaçaram moradores da comunidade.

O caso ganhou repercussão internacional e vem sendo acompanhado pelo Amazônia Agora.

⚠️ Lideranças afirmam que invasores pretendiam assassinar representantes da comunidade

Em entrevista à agência Associated Press, o líder indígena Francisco Piyãko afirmou que os criminosos tinham como objetivo assassinar as principais lideranças da aldeia.

Já ao jornal britânico The Guardian, representantes do povo Ashaninka relataram que as comunidades indígenas estão cada vez mais vulneráveis ao avanço de organizações criminosas que atuam na região amazônica.

🌳 Fronteira amazônica virou rota estratégica do crime

A reportagem destaca que facções ligadas ao narcotráfico, ao garimpo ilegal e à exploração clandestina de madeira ampliaram significativamente sua presença na região de fronteira entre Brasil e Peru.

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Segundo especialistas, a extensa faixa de floresta, aliada às dificuldades de fiscalização, tem sido utilizada como corredor para atividades ilegais.

A chamada rota do Solimões é apontada como uma das principais vias de escoamento da cocaína produzida no Peru, Colômbia e Bolívia. A droga atravessa a Amazônia brasileira antes de seguir para portos utilizados no envio ao mercado europeu.

👥 Povo Ashaninka vive dos dois lados da fronteira

Os Ashaninka mantêm uma forte presença tanto no Brasil quanto no Peru.

Atualmente, estima-se que existam:

  • Mais de 100 mil indígenas Ashaninka no Peru;
  • Cerca de 1.500 no Brasil.

As comunidades preservam laços familiares, culturais e territoriais entre os dois países, tornando ainda mais sensível o impacto da violência na região de fronteira.

🤝 Brasil e Peru firmam cooperação

Enquanto buscavam apoio em Brasília, lideranças indígenas acompanharam a assinatura de um memorando de entendimento entre o Ministério dos Povos Indígenas do Brasil e o Ministério da Cultura do Peru.

O acordo prevê:

  • Compartilhamento de informações entre os dois países;
  • Cooperação para proteger terras indígenas na faixa de fronteira;
  • Fortalecimento da proteção de povos indígenas isolados;
  • Coordenação de ações de fiscalização.
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O entendimento vinha sendo negociado desde 2024 e busca ampliar a atuação conjunta diante do avanço das organizações criminosas na Amazônia.

🛑 Lideranças cobram ações imediatas

As lideranças Ashaninka defendem que os governos do Brasil e do Peru reforcem a presença do Estado na região para garantir a segurança das comunidades indígenas.

Segundo os representantes da etnia, a resposta das autoridades será decisiva para impedir que grupos criminosos ampliem seu domínio sobre áreas da floresta e ameacem ainda mais os povos tradicionais da Amazônia.


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