Ação, thriller e suspense marcam as estreias desta quinta-feira no cinema de Rio Branco

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Filme do macaco assassino se daria melhor se apostasse mais no básico

Lucy (Johnny Sequoyah) está retornando para a casa de sua família, uma elaborada mansão empoleirada num penhasco do Havaí (EUA), pela primeira vez desde que se mudou para outro estado a fim de fazer faculdade. A irmã mais nova da moça, Erin (Gia Hunter), ressente o afastamento da protagonista, enquanto o pai delas, o novelista de sucesso Adam (Troy Kotsur), mal gasta tempo com a filha durante essa rara visita – ele tem uma reunião de trabalho importante em outro local.

Pronto, está dado “subtexto” de O Primata, filme de Johannes Roberts (Medo Profundo) que, vai saber por que, acredita ser necessário falar de afastamento familiar e luto – a partida de Lucy para a faculdade coincidiu com a morte da matriarca da família – em uma história sobre adolescentes encurralados por um chimpanzé violento. A cereja no bolo: o símio em questão, Ben, é “herança” deixada pela falecida, uma linguista que o adotou e o treinou para se comunicar com a família. Quando Ben contrai raiva, esta lembrança viva de uma mãe que não está mais lá se torna também uma ameaça letal.

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Talvez na tentativa de nos convencer de que estão fazendo “horror elevado”, os roteiristas de O Primata (Roberts assina o texto com seu parceiro habitual, Ernerst Riera) pontuam o começo e o final do filme com essa história de reconexão e superação familiar. É uma costura protocolar, no entanto, que trai esse caráter pelo contraste: não só as cenas que estabelecem essa história humana surgem pouco naturais na dinâmica da trama, como também perdem em energia criativa para todo o resto que lhes cerca.

Ben se move menos em O Primata do que se moveria em um filme de maior orçamento, que provavelmente teria investido num macaco de CGI, mas em troca parece muito mais táctil diante da câmera. Ademais, o filme responde à falta de recursos concentrando a “área de ataque” do seu chimpanzé a algumas partes específicas da casa – a sala de estar é cenário de uma cena especialmente tensa, por exemplo, e a beira da piscina é o principal palco para os confrontos entre ele e os humanos.

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São decisões espertas, que denunciam um cineasta interessado e versado na rapidez e eficiência de um cinema de gênero sem muita frescura. A ideia que realmente empolga O Primata é a de prender, entreter e deixar o espectador ir, sem precisar ensinar nada a ele pelo caminho. Pop pelo pop, terror pelo terror. O que atrapalha a diversão é quando o filme gasta o nosso tempo e paciência fazendo exatamente o contrário disso.

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