Por Raimundo Carlos Mota Monteiro*
“Ninguém é insubstituível”. Você já ouviu essa frase nos corredores do setor público?
Do ponto de vista puramente formal, essa afirmação é uma verdade operacional: a administração pública é desenhada para sobreviver às pessoas. Os processos e normas garantem que a engrenagem não pare por causa de um CPF. Mas, do ponto de vista do valor estratégico, ela é uma falácia.
Pode-se substituir a cadeira, mas não se substitui o “como”, o olhar clínico e a sabedoria acumulada de quem domina o que faz. Quando um talento sai, a administração pública não fecha as portas, mas perde memória técnica, agilidade e, principalmente, segurança jurídica.
Como bem diz o brocardo latino: “Fungibile est munus, sed singulare est meritum”, o cargo é substituível, mas o mérito é único.
Muitas vezes, a “lógica da gestão” nas organizações tenta atribuir o sucesso ao sistema e o erro isolado ao indivíduo. Mas a verdade é que a alma de qualquer processo eficiente é a subjetividade do comprometimento humano.
O objetivo de um profissional de excelência não deve ser tornar-se “impossível de substituir” (o que seria um risco para o Estado), mas sim tornar-se essencial — alguém cujo saber acumulado é um patrimônio que protege a própria instituição.
Não foque na cadeira que você ocupa hoje. Foque no mérito que você levará para onde quer que sua vontade o leve.
*Raimundo Carlos Mota Monteiro é técnico fazendário aposentado da Sefaz/AC, com trajetória na administração pública iniciada aos 16 anos. Foi chefe da Auditoria-Geral do Estado e responsável pela implantação da Controladoria-Geral de Senador Guiomard. Atuou como consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e em diversas pastas estratégicas de controle e gestão. Atualmente, colabora com o fortalecimento da governança no Estado do Acre, por meio de sua atuação no Controle Interno da Secretaria de Habitação e Urbanismo (Sehurb)
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