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A Cultura de Portas Fechadas Ou Feliz Aniversário

Por Yuri Montezuma em 04/01/2021 às 12:54:07

Faz dois anos que mudou a gestão na Fundação de Cultura Elias Mansur, e o que mudou além da gestão? Para melhor, nada. O que se escuta de funcionários é sobre a perseguição instalada e a mão de ferro daqueles que estão no poder. Estão porque em uma canetada pode não ser mais.

Cada um se apegando ao pouco poder que ganhou ou aqueles que acham existir algum poder em suas ações. Ao caminhar pelos corredores da distinta fundação, local onde tenho amigos de anos, alguns que me viram criança e outros conhecidos pelas andanças da arte, sempre me receberam com cordialidade e respeito, mas e eles? Como são tratados?

Lembro-me que durante a campanha para governo, foi levantada a bandeira da não perseguição, do respeito e valorização destes profissionais. Se passaram dois anos e a cordialidade dos amigos continua. O que muda é uma profunda tristeza do olhar. Tristeza essa refletida no silêncio.

Segundo uma de nossas fontes, existe uma perseguição muito forte dentro daquela estimada fundação, que deveria ser a casa dos artistas, um seio de incentivo à criação. Que agora se torna um local amordaçado. Burocrático e muito arriscado expor opinião. Onde alguns funcionários "Eleitos", ou como o povo gosta de falar, "Puxa Sacos", têm o poder de escolher o que vai ou não ser apresentados em espaços públicos. Que guardam em seu poder as chaves desses espaços em suas mãos. No sentido literal!

E não venham me dizer que é por conta da pandemia! Pois perseguição independe de doença, mas causa a pior das doenças. Ansiedade, depressão e medo. O medo, aquele de não poder falar ou falar e ser mal interpretado, ser jogado de escanteio por se posicionar. Ser encostado no trabalho sem lhes nada delegar.

Quero lembrar que a cultura é liberdade, arte é trangressora e nada fundamentalista, conservadorismo não combina com arte e muito menos com a cultura. Espero muito que nosso governador Gladson Cameli leia esse pequeno texto, pois vejo muito de progressismo em suas atitudes. Mas não posso me calar diante dos depoimentos que escuto de pessoas que trabalham dentro daquela estimada fundação. A dor daqueles que realmente lutam pela arte.

Aqui levanto a verdadeira bandeira da não perseguição e ameaça os servidores culturais de nosso Estado. Quanto aos puxa sacos? Esses vão puxar o saco de quem lhes convir. A arte fala, grita, esperneia. Se nos fecham as portas vamos para calçada, se nos tiram da calçada vamos para rua. E nosso grito será escutado!

Em tempo quero desejar feliz aniversário ao diretor presidente da Fundação Elias Mansur, Manoel Pedro (Correinha).

"Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem." Bertold Brecht

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