Categoria: Política Nacional

Política Nacional
Queiroga diz que fala de Bolsonaro sobre uso de máscara visa instigar pesquisas

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, minimizou o pedido feito pelo presidente Jair Bolsonaro – em meio ao atual recrudescimento da pandemia – para que seja produzido um parecer avaliando a possibilidade de flexibilização do uso de máscaras no País. Segundo Queiroga, a fala de Bolsonaro visa “instigar” pesquisadores brasileiros.

“O presidente quer estimular a pesquisa em todas áreas. Quando o presidente, de maneira muito eficiente, chama a atenção para esse ponto das máscaras, o que ele está querendo é atrair atenção da sociedade para que se instigue o espírito de investigação de nossos pesquisadores”, declarou o ministro em entrevista ao programa Agora com Lacombe, da RedeTV!. Ele reforçou, contudo, que a utilização de máscaras ainda é importante neste momento. Só ontem, o Brasil registrou 2.344 novas mortes pela covid-19 e ultrapassou a marca dos 480 mil óbitos pela doença.

Mais cedo, Queiroga confirmou que atenderá a demanda do presidente pelo estudo. Ontem, Bolsonaro disse que pediu ao ministério um parecer desobrigando o uso do equipamento de proteção por pessoas já vacinadas ou que já tenham se contaminado pela covid-19. A ideia foi duramente criticada por especialistas, já que a imunização, apesar de anular a manifestação grave do coronavírus, não impede a sua transmissão, ainda em patamar elevado no País. Além disso, apenas 11,06% da população brasileira recebeu a segunda dose da vacina, e já há casos comprovados de reeinfecção.

Durante a entrevista à RedeTV!, Queiroga chamou Bolsonaro de “excelente comunicador” e garantiu que o líder do Palácio do Planalto está “animado” com a campanha de vacinação contra a covid-19. Nesta semana, porém, o presidente voltou a questionar a eficácia dos imunizantes.

A utilização de máscaras foi flexibilizada em países como os Estados Unidos, onde a vacinação está avançada, diferentemente do Brasil. O país já ultrapassa os 50% de vacinados com a primeira dose, o que permitiu ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) afrouxar as medidas de controle da pandemia.

Política Nacional
Câmara aprova MP sobre eventos cancelados em virtude da pandemia 

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (9) a medida provisória (MP) que prorroga as regras para os organizadores cancelarem ou remarcarem eventos de turismo e cultura afetados pela pandemia de covid-19. A matéria será enviada ao Senado. A medida é uma atualização de lei sancionada em agosto do ano passado, que vinculava as regras ao decreto de calamidade pública e perdeu a eficácia no dia 31 de dezembro de 2020.

Pelo texto aprovado, o consumidor que optar pelo crédito de serviço ou evento adiado ou cancelado no período de 1º de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2021 poderá usá-lo até 31 de dezembro de 2022. Se optar pela remarcação da data, o prazo limite para fazer isso será o mesmo.

“Os segmentos de turismo e de cultura foram, no entanto, desproporcionalmente afetados, dada a não essencialidade dos correspondentes serviços para a grande maioria da população brasileira. Com efeito, estimativas do IBGE indicam que as receitas nominais do setor turístico foram 41,4% menores em 2020 que no ano anterior e que se registrou queda no volume das atividades turísticas da ordem de 39,5% entre os mesmos períodos”, afirmou o relator, deputado Roberto Lucena (Podemos-SP).

A matéria prevê que nos casos em que a empresa não consiga remarcar o evento ou conceder o crédito na forma prevista, terá de devolver o valor recebido pelo consumidor até 31 de dezembro de 2022. O texto abrange os eventos que já foram cancelados e aqueles que vierem a ser cancelados até o fim do ano que vem.

Artistas, palestrantes e outros profissionais contratados que tiveram seus eventos adiados ou cancelados de 1º de janeiro de 2020 a 31 de dezembro deste ano não terão obrigação de reembolsar imediatamente os valores dos serviços ou cachês, desde que o evento seja remarcado e realizado até 31 de dezembro de 2022.

A regra vale para shows, rodeios, espetáculos musicais e teatrais, palestras e conferências. O profissional que não cumprir o contrato no prazo terá que restituir o valor recebido até 31 de dezembro de 2022, corrigido pela inflação.

Com informações da Agência Brasil

Política Nacional, Uncategorized
Brasileiros reagem e Kátia Abreu chama Fernández de ‘Bolsonaro portenho’

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A fala do presidente argentino, Alberto Fernández, de que os brasileiros vieram da selva, provocou reações entre deputados e senadores nesta quarta-feira (4) em Brasília.

A presidente da CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Senado, Kátia Abreu (PP-TO), comparou Fernández com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Não vou comentar o que vomitou o Bolsonaro portenho. Brasil e Argentina estão padecendo da mesma moléstia. Só loucura e preconceito”, publicou em uma rede social. Logo depois, a senadora apagou a publicação.

Durante um encontro com o premiê da Espanha, Pedro Sánchez, em Buenos Aires, o presidente argentino disse que “os mexicanos vieram dos indígenas, os brasileiros, da selva, e nós, chegamos em barcos”. “Eram barcos que vinham da Europa”, afirmou, apontando para Sánchez. Depois, referendou: “O meu [sobrenome] Fernández é uma prova disso”.

Na Câmara, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), que preside a CRE da Casa, afirmou que Fernández estava preocupado em agradar o primeiro-ministro espanhol e mostrar “subserviência à Europa”. “É lamentável a declaração preconceituosa feita pelo presidente Fernandéz. O tom depreciativo que reproduz uma visão colonialista, atrasada e superada da história merece repúdio”, disse.

“Nós, brasileiros, temos muito orgulho e respeito pelas nossas origens da mesma forma que os argentinos devem ter da sua própria diversidade”, afirmou.

Aécio também disse que o presidente argentino não se importa em “tentar depreciar seus vizinhos na América Latina”.

Eduardo Braga (MDB-TO), vice-líder do governo no Senado, também criticou a afirmação. “Acho que ele se tornou rapidamente herdeiro do tratamento dado a Hugo Chávez na ONU. Por que não te calas?!”, disse em referência à fala do hoje rei emérito da Espanha Juan Carlos, em 2007, para Hugo Chávez.

Também em uma rede social, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) disse que a manifestação de Fenández explica por que nazistas se esconderam no país vizinho. “Depois de ler na Folha a declaração do presidente argentino de esquerda Fernández sobre os brasileiros terem vindo da selva e argentinos de barco da Europa, passei a entender melhor porque depois da 2ª Guerra Mundial, criminosos de guerra nazistas se esconderam na Argentina”, escreveu.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, republicou no Twitter o vídeo com a fala de Fernández e provocou: “Não dirão que foi RACISTA contra indígenas e africanos que formaram o Brasil?”. E completou com “o barco que está afundando é o da Argentina”.

Procurados, Palácio do Planalto e Itamaraty não responderam.

Política Nacional
‘Perdemos agora o Peru’, diz Bolsonaro sobre provável eleição de Castillo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou, nesta quarta-feira (9), o provável novo presidente do Peru, Pedro Castillo, que lidera a contagem de votos nas eleições no país vizinho.

Em um culto, Bolsonaro disse que “só um milagre” para reverter a vitória de Castillo e o chamou de “um cara do Foro de São Paulo”.

“Perdemos agora o Peru. Voltou, pelo que tudo indica –falta 1% de apuração lá, só um milagre para reverter– vai reassumir um cara do Foro de São Paulo. Olha a nova Constituição do Chile. Nós estivemos na beira do abismo”, disse o presidente em Anápolis (GO).

O Foro de São Paulo é uma organização que reúne partidos de esquerda da América Latina e atualmente é demonizada pela direita ligada a Bolsonaro.

Castillo declarou-se vencedor da eleição na noite desta terça. Da varanda do comitê de seu partido, o Perú Libre, no centro de Lima, o candidato de esquerda afirmou que o “povo falou” e que, “de acordo com o relatório de nossos fiscais, já temos o resultado”.

“Vimos que o povo impôs essa vitória por meio das urnas. Por isso, peço a vocês para não caírem em provocações.”

Com 99,82% das urnas contabilizadas, a vitória de Castillo parece irreversível, já que ele ostenta 50,2% dos votos, enquanto Keiko Fujimori, de direita e filha do autocrata Alberto Fujimori, tem 49,8%. Ainda assim, o Júri Nacional de Eleições não fez nenhum pronunciamento oficial confirmando o resultado e espera a chegada de votos depositados no exterior, de países como Chile e Brasil.

Apesar de os votos no exterior favorecerem Keiko, apenas uma parcela deles ainda depende de computação, o que torna improvável uma virada.

Ao mencionar a constituinte no Chile, Bolsonaro fez referência à derrota de candidatos da direita no pleito no país, que conquistaram menos de um terço dos assentos.

Nesta quarta em Anápolis, Bolsonaro também criticou os governos de esquerda na Venezuela e na Argentina, embora não tenha citado os líderes dos dois países nominalmente.

A Venezuela é governada pelo ditador chavista Nicolás Maduro, enquanto a Argentina é presidida pelo peronista Alberto Fernández.

Os dois governantes já foram criticados em outras ocasiões por Bolsonaro.

“Olha para onde foi a nossa Venezuela quando se começou a acreditar nas coisas fáceis. Um país riquíssimo, como a Venezuela, em petróleo e ouro. Olha para onde eles foram, tendo em vista a ideologia que seguiram. Olhem para onde esta indo a nossa Argentina, só uma milagre para salvar a Argentina”, disse.

Política Nacional
Ida de Crivella para Embaixada na África do Sul ainda depende do Supremo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Em mais um aceno à base evangélica, o presidente Jair Bolsonaro indicou o ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-senador Marcelo Crivella para a assumir a Embaixada do Brasil na África do Sul. A efetiva viagem para acomodá-lo na missão em Pretória, no entanto, depende de fatores externos e judiciais.

A consulta sobre o nome de Crivella foi feita por um expediente secreto e atualmente as autoridades brasileiras aguardam uma resposta do governo sul-africano para oficializar a indicação ao Senado -responsável por sabatiná-lo e aprová-lo para o cargo.

Mesmo que haja luz verde do governo da África do Sul, porém, a ida do político para o posto ainda depende do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Isso porque, em fevereiro, o magistrado revogou a prisão que havia sido imposto a Crivella, mas estabeleceu medidas cautelares como a proibição de sair do país e o recolhimento de passaporte.

Em 20 de maio, a defesa do político pediu ao magistrado que reconsidere a própria decisão e o libere para sair do Brasil. Gilmar pode analisar a solicitação dos advogados sozinho ou remeter o tema à Segunda Turma da corte.

Crivella foi preso em 22 de dezembro do ano passado por ordem da desembargadora Rosa Macedo Guita, do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro). Ele foi detido em operação da Polícia Civil do RJ e do Ministério Público fluminense, que denunciou o político e outras 25 pessoas por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva e ativa.

Na ocasião, ele também foi afastado do Executivo do RJ, cargo que já iria entregar de qualquer forma menos de duas semanas depois porque havia perdido a disputa pela reeleição.

Segundo o MP, o caso envolve um esquema de pagamento de propina na Prefeitura do RJ, chamado QG da propina, que seria comandado pelo empresário Rafael Alves, amigo de Crivella.

A designação de Crivella, bispo licenciado na Universal do Reino de Deus (Iurd) e cantor gospel, tem também o objetivo de melhorar a relação do Planalto com a instituição religiosa liderada por Edir Macedo.

Crivella é filho de Eris Bezerra Crivella, irmã de Macedo, líder da igreja ligada ao partido Republicanos e controladora da TV Record.

Além de prefeito, Crivella também foi senador e ministro da Pesca durante o governo Dilma Rousseff (PT).

A relação entre o governo Bolsonaro e a Universal foi abalada pelo racha da igreja em Angola, onde um grupo de religiosos locais rebelou-se contra aliados de Macedo e tomou o controle de templos.

Além de assumir o comando dos locais da Iurd no país, os rebelados acusam a igreja de praticar sonegação fiscal, entre outras irregularidades. O capítulo mais recente da crise ocorreu em meados de maio, quando 34 brasileiros ligados ao trabalho missionário da Universal receberam a notificação de autoridades em Luanda de que seriam deportados.

A ação de Angola irritou parlamentares evangélicos, que passaram a mobilizar o governo Bolsonaro. O recado foi dado em reunião da Frente Parlamentar Evangélica com França, no Itamaraty, em 17 de maio.

Internamente, parlamentares ligados à igreja queixaram-se de que o governo Bolsonaro fez apenas esforços tímidos em defesa da Universal e que o Brasil não recorreu à pressão política e econômica para fazer valer os interesses da igreja em território angolano.

A designação de uma das mais importantes figuras da Universal para outro país africano onde a instituição tem fortes interesses seria, portanto, uma forma de o Planalto demonstrar que está comprometido com a base evangélica.

Também ajudaria a blindar Crivella em suas ações judiciais, uma vez que a Constituição Federal garante foro privilegiado para os chefes de missão diplomática permanente.

Nos anos 1990, Crivella morou na África do Sul, onde liderou a internacionalização da Iurd. Sua passagem pelo país africano tem sido citada por aliados como uma das justificativas para a indicação.

A atuação do político no país africano, inclusive, é um dos argumentos apresentados por seus advogados na tentativa de convencer Gilmar Mendes a liberá-lo para sair do país.

A defesa dele afirma que “não há qualquer indicativo concreto que demonstre risco de evasão do país ou utilização do passaporte para fins indesejáveis”.

Cita, ainda, o fato de Crivella ser um “bispo de alto relevo da Igreja Universal do Reino de Deus, entidade cuja vertente religiosa possui sede em mais de cem países”.

E menciona que o político já trabalhou por cerca de dez anos como missionário na África.

A aceitação ao nome dele para assumir a Embaixada, no entanto, ainda é incerta. Interlocutores afirmaram à reportagem que ainda há dúvidas sobre qual será a reação dos sul-africanos.

Eles destacam, por exemplo, que é preciso aguardar para ver se o governo da África do Sul levará em conta a relação bilateral de seu país com Angola.

A consulta encaminhada pelo governo brasileiro à África do Sul é conhecida por agrément e serve para que o país anfitrião informe se tem alguma objeção à designação de um novo embaixador.

Normalmente, as respostas só ocorrem quando são positivas. Quando um governo não concorda com a indicação de uma determinada pessoa, a praxe é que a consulta não seja respondida -o que é entendido como uma recusa.

No fim do ano passado, Crivella não chegou a ficar preso por mais de um dia. Na mesma data que teve a prisão preventiva decretada, o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins, determinou sua transferência para prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.

Na ocasião, o magistrado também proibiu Crivella de manter contato com terceiros e o obrigou a entregar telefones e computadores às autoridades, além de proibi-lo de sair de casa sem autorização e de usar telefones.

Um dia depois, Martins deu nova decisão para determinar a transferência imediata do então prefeito afastado para a prisão domiciliar e mandou o presidente do TJ-RJ, Claudio Tavares, prestar informações sobre o não cumprimento da decisão que havia libertado Crivella.

Depois disso, ele pôde ir para casa e, em 13 de fevereiro, Gilmar Mendes revogou a prisão domiciliar e impôs algumas obrigações e proibições ao político.

Entre elas, o veto para deixar o país e para manter contato com outros investigados, além de tê-lo obrigado a comparecer periodicamente em juízo para informar e justificar suas atividades.

Agora, a defesa de Crivella pede que essas medidas impostas por Gilmar sejam revogadas.

Política Nacional
Pazuello e Exército ignoraram pedidos do AM por oxigênio a 5 dias de colapso

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O inquérito sigiloso da Polícia Federal que investiga supostos crimes do general Eduardo Pazuello reuniu evidências de que o ex-ministro da Saúde e o comando do Exército na Amazônia foram formalmente avisados sobre a “iminência de esgotamento” de oxigênio em Manaus em janeiro, cinco dias antes do colapso, com pedidos de socorro não atendidos a contento.

A existência de novos ofícios, com alertas e pedidos de ajuda detalhados, foi descoberta no curso das investigações da PF, em inquérito aberto por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).

Os ofícios foram enviados a Pazuello e ao comandante militar da Amazônia, general Theophilo Oliveira, que fica em Manaus. Eles são assinados pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), aliado do presidente Jair Bolsonaro.

Após a demissão de Pazuello do cargo de ministro da Saúde em março, com a consequente perda de foro privilegiado, a investigação saiu da alçada do STF e foi encaminhada à Justiça Federal em Brasília. Uma cópia do inquérito foi enviada à CPI da Covid no Senado.

O general da ativa voltou a ocupar um cargo no governo, dentro do Palácio do Planalto, mas sem foro privilegiado. Desde o último dia 1º, ele comanda a Secretaria de Assuntos Estratégicos, vinculada à Presidência da República.

Um ofício reproduzido no inquérito, assinado por Lima, foi enviado a Pazuello em 9 de janeiro. O documento aponta a necessidade de oxigênio diante da alta de casos de Covid e do aumento das internações, com “súbito aumento no consumo” do insumo.

O documento alerta para a “iminência de esgotamento” e para a “necessidade de resguardar a vida dos pacientes”.

O ofício diz, então, que a White Martins, empresa responsável pelo fornecimento de oxigênio em Manaus, teria disponíveis 500 cilindros em Guarulhos (SP) –vindos de Campinas (200), Belo Horizonte (150) e Brasília (150)–, prontos para transporte aéreo urgente às 16h do dia seguinte, 10 de janeiro.

Ainda no dia 9, o governador mandou ofício ao comandante militar da Amazônia. Usou as mesmas expressões do outro documento: houve “súbito aumento” no consumo e havia “iminência de esgotamento”.

Lima pediu ajuda para o transporte de 36 tanques de oxigênio, em “caráter de urgência”, que também estariam disponíveis em Guarulhos às 16h de 10 de janeiro.

À reportagem a White Martins detalhou o que efetivamente foi transportado pela Aeronáutica, por intermédio do Ministério da Saúde e do Exército, nos dias que antecederam o colapso de oxigênio em Manaus. O insumo se esgotou nas primeiras horas do dia 14. Pacientes com Covid-19 morreram asfixiados nos hospitais.

O ministério ajudou a transportar 200 cilindros de oxigênio a partir de Vinhedo (SP), em 12 de janeiro, e 150 cilindros oriundos de Belo Horizonte, a partir de Guarulhos, em 13 de janeiro, segundo nota da White Martins.

Já no dia 9 estavam disponíveis 23 tanques criogênicos móveis de oxigênio líquido no aeroporto de Guarulhos para serem transportados a Manaus pela Força Aérea Brasileira.

Os primeiros seis tanques foram embarcados somente no dia 12. Chegaram a Manaus no dia 13, contendo 2.700 metros cúbicos de oxigênio líquido.

Não há registro nem em documentos do Ministério da Saúde enviados ao STF nem em material divulgado pelas Forças Armadas antes do colapso sobre o transporte dos outros 150 cilindros de oxigênio a partir de Guarulhos ou sobre os demais tanques disponíveis no mesmo aeroporto.

O que houve foi o transporte de cilindros de Belém a Manaus, em aviões da FAB: 150 no dia 9 e 200 no dia 10, conforme a nota da White Martins.

O insumo havia sido objeto de outros ofícios enviados ao Comando Militar da Amazônia, nos dias 7 e 8, assinados pelo secretário estadual de Saúde, Marcellus Campêlo.

Somente após o colapso no dia 14 houve intensificação do transporte de oxigênio.

Em nota, o Ministério da Saúde afirma que o transporte de cilindros foi feito de forma escalonada, entre 8 e 30 de janeiro, ultrapassando um total de 5.000. Os cilindros eram provenientes de Belém e Guarulhos.

No caso dos tanques de oxigênio, o transporte foi feito nos dias 12, 14 e 15, afirma a pasta. “Por se tratar de um deslocamento arriscado e proibido de ser feito por aviação civil, o envio do oxigênio líquido foi feito em contêineres, em aeronaves militares.”

Antes do colapso, o transporte foi de 5.100 m³. Com entregas diárias posteriores, superou 1 milhão m³, diz a pasta.

Exército, Aeronáutica e Ministério da Defesa não responderam aos questionamentos da reportagem. A defesa de Pazuello disse que ele não está se manifestando sobre o assunto.

Os relatórios registram com precisão a escalada da demanda de oxigênio. No dia 11, o consumo já chegava a 50 mil m³. No dia 13, 70 mil m³, e se aproximou dos 100 mil m³ no auge da crise. A quantidade transportada pela FAB, porém, foi bem inferior.

Wilson Lima também enviou ofícios com data de 10 de janeiro pedindo ajuda aos governadores de Acre, Roraima, Maranhão, Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal.

No dia 12, um novo ofício foi remetido a Pazuello. O ministro foi avisado de que o consumo havia mais do que triplicado. O estado pediu que fossem enviadas microusinas e geradores de oxigênio. Não há registro desse tipo de transporte antes do colapso no dia 14.

Em depoimento na CPI da Covid, em 19 de maio, Pazuello afirmou que só tomou conhecimento do risco da falta de oxigênio na noite do dia 10 de janeiro, em reunião com Lima e Campêlo.

O então ministro, porém, recebeu uma ligação do secretário ainda no dia 7. Confrontado com essa informação por senadores, o general admitiu a conversa, mas afirmou que não foi avisado sobre iminência de colapso.

Pazuello já se esquivou outras vezes em relação às informações de que foi alertado com antecedência sobre o que ocorria em Manaus. O ministro chegou a mudar uma versão apresentada ao próprio STF sobre o recebimento de email da White Martins.

Política Nacional
Bolsonaro diz que Brasil ‘tem orgulho’ de preservar Amazônia

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Pressionado pelo avanço do desmatamento na Amazônia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, durante participação em evento empresarial russo, que o Brasil “tem orgulho” de preservar a Amazônia.

O mandatário citou dados de preservação, um dos principais flancos de desgaste de seu governo na arena internacional.
“A agricultura brasileira atende aos mais altos requisitos sanitários e de sustentabilidade. Apenas 27% de nosso território é utilizado pelo agronegócio. Temos orgulho de conservar 84% de nosso bioma amazônico e 66% de nossa vegetação nativa”, disse Bolsonaro, em pronunciamento gravado e retransmitido no fórum.

“Nos próximos anos, o Brasil deve consolidar-se como o maior produtor mundial de alimentos. Mesmo no contexto da pandemia que assola o planeta, continuamos a garantir a segurança alimentar de um sexto da população mundial”, afirmou.

O evento foi liderado pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin. Participaram por videconferência o emir do Qatar, xeque Tamim bin Hamad al-Thani, e o governante da Áustria, Sebastian Kurz.

Assim como Bolsonaro, o líder argentino, Alberto Fernández, fez um pronunciamento em vídeo gravado.

Bolsonaro centrou seu discurso nas relações do Brasil com a Rússia e com a Eurásia e disse que o país quer aprofundar relações comerciais com os países da região.

“É desejo do Brasil expandir e aprofundar as relações de amizade e cooperação com todos os países da região euroasiática, em particular com nosso anfitrião, a Rússia, parceira de longa data de meu país”, discursou Bolsonaro.

O presidente brasileiro também tratou brevemente da pauta comercial com a Rússia, ao citar que ambas economias estão “inseridas de forma positiva na cadeia de valor do agronegócio”.

“O Brasil é o maior destino das exportações de fertilizantes da Rússia, principal fornecedor de um insumo essencial para a agricultura brasileira. Queremos manter essa complementaridade, saudável para ambos os lados”, disse.

Ele defendeu, no entanto, que essa pauta comercial incorpore também um grau maior de desenvolvimento, abrangendo produtos de maior valor agregado.

A pressão internacional sobre o Brasil no meio ambiente ocorre pelo avanço do desmatamento.

Em abril, pelo segundo mês seguido a Amazônia bateu o recorde recente de desmatamento, segundo dados do Deter, sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Foi também o pior abril da série histórica atual, que tem início em 2015 -os dados anteriores eram menos precisos.

Recentemente, também passaram a gerar desgaste na agenda internacional as investigações contra o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente).

A ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a abertura de um inquérito para investigar Salles. A decisão foi tomada em notícia-crime apresentada em abril à PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Salles por suposta atuação para atrapalhar a apuração da maior apreensão de madeira do Brasil, feita na Operação Handroanthus.

Salles já é alvo de um inquérito no Supremo, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Nesse caso, é investigada a suspeita de facilitação à exportação ilegal de madeira.

Política Nacional
Sarah Andrade pede #ForaBolsonaro e #ForaLula e, pela terceira vez, é cancelada

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Mais uma vez, a ex-Big Brother Brasil Sarah Andrade, 29, está sendo cancelada na internet. Desta vez o motivo é o apoio público que ela deu a atriz Juliana Paes, 42, em seu posicionamento a favor da médica que participou da CPI da Covid, Nise Yamagushi.

Assim como Paes, Sarah diz que não se sente representada nem pela esquerda nem pela direita. Ao ser questionada no Twitter se sua conta havia sido hackeada, ela explicou que não e polemizou.

Não, meu amor, hackearam nada não! Não sei qual a dificuldade do pessoal entender que eu Sarah sou #ForaBolsonaro e também sou #ForaLula. Acho que nós brasileiros merecemos mais”, publicou.

Dessa forma, o nome da influenciadora com a hashtag #ForaSarah virou o assunto mais comentado na manhã de sexta-feira (4). “Até a Mamacita conseguiu ser descancelada e a Sarah Andrade adora ser cancelada todo santo dia”, postou um seguidor ao citar Karol Conká.

“Tadinha, foi cancelada no reality porque votou no Bolsonaro em 2018. Corta pra Sarah fazendo papel de bolsominion dela no vídeo da Juliana Paes em 2021”, publicou outra.

Vale lembrar que na última edição do BBB, Sarah já havia sido cancelada duas vezes. A primeira por dizer que gostava do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A segunda por revelar que ia para a balada na pandemia.

Em recente publicação no Twitter, Sarah pedia por mais amor. “Se coloquem no lugar dos outros. O mundo já tem tanto ódio. Vamos espalhar amor e paz. Melhor coisa que podemos fazer, principalmente no momento que estamos vivendo no mundo”, postou.

Política Nacional
Bolsonaro é alvo de panelaços durante pronunciamento em rede nacional

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Quatro dias após manifestações de rua pelo país, o presidente Jair Bolsonaro foi alvo de panelaços em diversas cidades do país, incluindo capitais como São Paulo e Rio, na noite desta quarta (2), durante pronunciamento em rede nacional de TV.

Na capital paulista, houve panelaço em bairros como Santa Cecília (região central), Perdizes (zona oeste), Tatuapé (zona leste), Santana (zona norte) e Saúde (zona sul).

Pelo Brasil, também foram registrados em capitais como Recife, Salvador, Porto Alegre e Belo Horizonte. Em Brasília, na Asa Norte, houve ainda gritos de “fora” e “genocida”.

Esse tipo de protesto contra o presidente tem ocorrido desde março de 2020, quando foi declarada a pandemia do coronavírus, principalmente em ocasiões em que Bolsonaro faz declarações na TV.

A gestão da crise sanitária pelo governo e a demora na aquisição de vacinas contra a Covid-19 têm sido a principal motivação para os panelaços. Nesta quarta, o país atingiu a marca de 467 mil mortes pela doença.

Pesquisa do Datafolha, feita entre os dias 11 e 12 de maio, mostrou que Bolsonaro está com a sua mais baixa taxa de apoio no mandato -24%. Questionados sobre a corrida eleitoral de 2022, 54% dos entrevistados pelo instituto disseram que não votarão no atual presidente de jeito nenhum.

Bolsonaro tem sido pressionado também pela CPI da Covid, que apura falhas de sua administração na resposta à pandemia.

No último sábado (29), grupos de oposição, liderados por centrais sindicais e partidos de esquerda, decidiram ir às ruas, mesmo com o risco de disseminação da doença, para protestar contra o presidente. Houve manifestações em todas as capitais estaduais, e novos atos já estão sendo convocados para o dia 19 deste mês.

Nesta semana, o presidente voltou a provocar críticas da oposição ao articular a realização no Brasil da Copa América.

Política Nacional
Alguns setores do governo estão contra reforma administrativa, diz Katia Abreu

Vice-presidente da Frente Parlamentar pela Reforma Administrativa, a senadora Katia Abreu (PP-TO) disse nesta segunda-feira que “alguns setores do governo estão contra a reforma administrativa” e reclamou da falta de diálogo em torno da proposta. “Vejo Paulo Guedes (ministro da Economia), que deveria ser maior interessado, lutando muito pouco por essa reforma”, afirmou Katia durante audiência pública da comissão da covid-19 no Senado. “Talvez o presidente (Jair Bolsonaro) esteja preocupado em desagradar esse setor”, disse.

Como mostrou no período da tarde, o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), Guedes admitiu reservadamente ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que Bolsonaro não quer a aprovação da reforma administrativa e não trabalhará por ela. Nesta segunda-feira, Pacheco questionou o comprometimento do governo com a proposta.

Segundo Katia, o Congresso não deve avançar nos pontos que têm provocado maior polêmica, que são a flexibilização da estabilidade do servidor e a modificação nas chamadas carreiras típicas de Estado. “Não pretendemos, a grande maioria pelo menos, trabalhar esses pontos que são de muito atrito”, disse a senadora.

Katia disse ainda que não há nenhuma predisposição do Legislativo em prejudicar o setor público, pelo contrário. “Nós queremos agradar setor público”, ressaltou.

Segundo ela, o Congresso deveria focar em medidas para acabar com injustiças dentro da administração. “Há uma minoria que ganha dinheiro de mais e outros que ganham dinheiro de menos”, afirmou.