Como Tim Cook transformou a Apple em uma gigante trilionária e o que fica de legado; CEO deixará o cargo em setembro

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Como Tim Cook transformou a Apple em uma gigante trilionária e o que fica de legado; CEO deixará o cargo em setembro

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Apple anuncia sucessão: Tim Cook deixará comando e John Ternus será novo CEO
Após 15 anos como presidente-executivo (CEO) da Apple, Tim Cook anunciou nesta semana que deixará o cargo. Sucessor de Steve Jobs, ele assumiu o posto de CEO em 2011 e liderou o período em que a companhia se tornou uma das mais valiosas do mundo.
O atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware, John Ternus, assumirá como novo CEO a partir de 1º de setembro de 2026, poucos dias antes de a empresa anunciar a possível nova geração do iPhone 18.
Uma reportagem do The New York Times, publicada em janeiro de 2026, já apontava John Ternus como principal sucessor e revelava que Tim Cook havia dito a executivos da companhia que estava cansado e pretendia reduzir a carga de trabalho.
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Cook não deixará a companhia e vai ocupar o cargo de presidente do conselho de administração.
Para especialistas ouvidos pelo g1, apesar das incertezas no início, Tim Cook deixa saldos positivos à frente da Apple, e os números indicam mais acertos do que erros (entenda mais abaixo).
“A solidez financeira e operacional da Apple é, talvez, o maior presente que Cook deixa para Ternus”, diz Filipe Espósito, especialista em Apple.
Ceticismo no início
Tim Cook ao lado de Steve Jobs durante conferência sobre problemas no iPhone 4, em julho de 2010. Cook é o sucessor de Jobs na Apple
Kimberly White/Reuters
Cook está na Apple desde 1998, após passagens pela IBM, onde trabalhou por 12 anos na área de operações, e pela Compaq, por cerca de um ano. Ele ingressou na Apple como vice-presidente de operações e, em 2005, assumiu o cargo de diretor de operações, com responsabilidades sobre cadeia de suprimentos, vendas e serviços.
Cook se tornou CEO da Apple em 2011, cerca de dois meses antes da morte de Steve Jobs.
“Steve Jobs foi talvez o primeiro CEO ‘superstar’, e Cook assumiu sob forte ceticismo. Ele era visto como um gestor focado em processos e custos, não como um líder visionário ligado ao design”, diz Igreja.
“Desde quando entrou na Apple em 1998, Cook trabalhou para reduzir estoques, otimizar a logística global e transformou a empresa em uma máquina de margens de lucro imbatíveis”, completa Filipe Espósito.
iPhone Pro 17 Pro e iPhone Air
Godofredo A. Vásquez/AP
À frente da empresa, supervisionou o lançamento de diversos produtos e serviços. Entre eles, novas categorias, como Apple Watch, AirPods e Apple Vision Pro, além de plataformas como iCloud, Apple Pay, Apple TV e Apple Music.
“Mas também houve produtos questionáveis, como o Apple Vision Pro, que praticamente ninguém fala desde que foi lançado. Além disso, houve polêmicas envolvendo relações governamentais, incluindo uma aproximação considerada controversa com o governo de Donald Trump”, analisa Igreja.
A estratégia de produção centralizada na China, embora eficiente, tornou-se um risco geopolítico, principalmente com Cook buscando se aproximar de Trump para evitar tarifas mais pesadas, afirma Espósito. “Ele também teve de lidar com várias acusações de monopólio ao redor do mundo, principalmente por conta do domínio da App Store no iPhone”.
Sucesso trilionário e dúvidas sobre investimento em IA
Tim Cook, CEO da Apple, apresenta o novo iPhone 12 na Califórnia
Brooks Kraft/Apple Inc./Handout via Reuters
Durante sua gestão, o valor de mercado da Apple saltou de cerca de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões, um aumento superior a 1.000%. A receita anual quase quadruplicou no período, passando de US$ 108 bilhões no ano fiscal de 2011 para mais de US$ 416 bilhões no ano fiscal de 2025.
Arthur Igreja destaca que, ao longo dos 15 anos de gestão de Tim Cook, a Apple ampliou sua presença global, reduzindo a dependência de mercados como EUA e Europa. A empresa também diversificou a produção, antes concentrada na China, com expansão para países como Vietnã e Índia.
“A empresa ficou menos dependente do iPhone, que já representou quase metade da receita, e passou a crescer mais em serviços e acessórios”, afirma Igreja.
Ao mesmo tempo em que tornava a empresa ainda mais poderosa, Tim Cook enfrentou forte pressão e uma delas relacionada aos avanços mais tímidos da Apple em inteligência artificial, enquanto rivais investem bilhões na área.
Após anos no topo, a Apple perdeu o posto de empresa mais valiosa para a Nvidia, diante de preocupações de investidores com inovação. O cenário deve desafiar a futura gestão de John Ternus, segundo a agência de notícias Reuters.
“A gestão dele enfrentou diversas críticas e momentos conturbados. Para alguns, a Apple deixou de ousar e hoje segue um caminho mais conservador ao evitar o lançamento de produtos que sejam considerados disruptivos, focando em iterações com melhorias incrementais de produtos já existentes”, conta Filipe Espósito.
Quem é John Ternus
John Ternus (à esquerda), novo CEO da Apple, e Tim Cook, que deixa o cargo para ser presidente executivo do conselho de administração da empresa
Divulgação/Apple
Atual vice-presidente sênior de engenharia de Hdrdware da Apple, John Ternus entrou para a empresa em 2001, integrando a equipe de design de produtos.
Ao longo dos anos, passou a ocupar posições de liderança na área de engenharia de hardware e, em 2013, tornou-se vice-presidente da divisão. Desde 2021, faz parte da equipe executiva da empresa.
Antes de ingressar na Apple, o executivo trabalhou como engenheiro mecânico na empresa Virtual Research Systems. Ele é formado em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia.
“John Ternus tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e o coração para liderar com integridade e honra. Ele é um visionário cujas contribuições para a Apple ao longo de 25 anos já são numerosas demais para serem contadas, e ele é, sem dúvida, a pessoa certa para liderar a Apple rumo ao futuro”, disse Cook ao anunciar seu substituto.
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