Uma trajetória que ultrapassou as barreiras do Acre e do Brasil

Ana Luiza Azevedo, da redação

Em edição extra do Diário Oficial do Estado, disponibilizada antes do feriadão natalino, o governador Gladson Cameli ampliou a lista de coronéis da Polícia Militar do Acre. Dentre os promovidos, um nome se destaca: Cel. PMAC Assis Martins dos Santos, 49 anos, casado, dois filhos, natural de Palotina, no Paraná, mas acreano de coração e responsável por elevar o nome do estado dentro e fora do país, por meio das incontáveis missões e instruções que coordenou.

Atualmente, Cel. Assis dos Santos é representante da PMAC na Secretaria Executiva criada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP) para gerir de forma integrada recursos federais, assegurando assim maior participação dos órgãos que integram o Sistema Integrado de Segurança Pública (SISP), na execução dos repasses. Concomitante, exerce a função de coordenador do Curso Operacional Integrado (COI), sendo responsável diretamente pela capacitação de mais de 1.700 operadores de Segurança Pública, em diversos níveis de conhecimento, só no ano de 2021.  

“Soldado General”

Assis dos Santos ingressou nos quadros da Polícia Militar do Acre no ano de 1992, como soldado, posto que exerceu por treze anos e, já nesse período, atuou diretamente na formação de alunos soldados, ocasião em que foi apelidado de “Soldado General”, dado o alto grau de disciplina e conhecimento demonstrados. “Só tomei conhecimento desse fato recentemente (risos)”, observa.

O ingresso no quadro de oficiais ocorreu depois de quatro tentativas sem aprovação, duas para o Corpo de Bombeiros e duas para a Polícia Militar. No ano de 2005, a quinta tentativa resultou em aprovação. Com isso, o então “Soldado General” saltou da condição de Praça à Oficial.

Para quem não sabe, a hierarquia dentro da Polícia Militar é dividida em duas classificações: Praça e Oficial. O praça inicia a vida militar como soldado, passando por cabo, 3º sargento, 2º sargento, 1º sargento, até subtenente. Se aposentando por ai, caso não preste concurso para oficial. O oficial ingressa como cadete, e sucessivamente, aspirante a oficial, 2º tenente, 1º tenente, capitão, major, tenente-coronel e coronel.

“Uma escolha de vida”

O novo coronel costuma abrir suas palestras destinadas a alunos soldados com uma pergunta: “Profissão ou Sacerdócio?”. Quando a indagação é direcionada a ele, responde sem titubear “prá mim, uma escolha de vida!”. 

Não por acaso, Assis dos Santos se alistou e serviu ao exercito tão logo completou 18 anos. Dos familiares que optaram pela carreira militar é o único que concluiu o nível superior. Não bastasse, optou por cursos avaliados como os mais difíceis do mundo, dos quais se incluem o Curso de Operações Especiais (COESP) e Guerra na Selva.

“Caveira 11”

Para os leigos no assunto, COESP é o curso por meio do qual se formam os “Caveiras”. A formação inclui: técnicas e práticas de tiro, mergulho, patrulha, balística, confronto armado, enfim, são forjados guerreiros que possam atuar em qualquer área dentro das corporações militares.

“Fiz o COESP por duas vezes. Na primeira, sofri um acidente e fui desligado pelos médicos. Um ano depois, me formei no COESP do Mato Grosso, onde nascem os Caveiras de Fogo”, relata. O “Caveira”, depois de formado, é identificado pelo número de inscrição.  O coronel Assis Martins dos Santos é o “Caveira 11”.

O despertar do instrutor

O Curso de Operações Especiais despertou no militar a vocação para ministrar instruções e palestras nas suas diversas áreas de conhecimento, sobretudo de Sobrevivência na Selva, uma de suas especialidades, e para o qual é bastante requisitado.

“A selva é um shopping”, ressalta o coronel Caveira, sob a perspectiva que dela se pode extrair tudo que é necessário a sobrevivência, do abrigo ao alimento.  Entretanto, para que isso surta efeito na prática é necessário está adequadamente preparado e conhecer a instrumentalidade das técnicas destinadas a esse fim.

A base para atuar na área de ensino foi construída bem antes, quando o “Soldado General” ainda nem sonhava em ser instrutor na área operacional, porém, de forma discreta ministrava aulas de reforço para filhos de personagens ilustres da sociedade acreana.

Com formação acadêmica em Educação Física, foi o responsável por nove anos consecutivos pela iniciação esportiva de crianças de sete a doze anos e de competição dos treze até a idade adulta.  Filhos espirituais que a prática esportiva o presenteou e que, por vez ou outra, ele encontra na plateia de suas palestras. “Momentos especiais que trago na memória”, diz saudoso.

Ainda na área de ensino, atuou como professor substituto da Universidade Federal do Acre e professor de educação infantil da Escola Fundação Bradesco.

Atuação operacional

Na área operacional, notabilizou-se por sua vasta experiência como operador e instrutor de Técnicas de Operações Especiais, com trabalhos reconhecidos em cinco países.

No Brasil, como mobilizado da Força Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, comandou missões e coordenou treinamento em 22 estados da federação e no Distrito Federal, incluindo a capacitação das equipes da FN que atuaram na segurança da Copa do Mundo – FIFA 2014 e a Missão em Jacareacanga, em atuação direta em área de conflito indígena.

“Caboclo Feliz”

Assis dos Santos está prestes a completar 30 anos a serviço da Polícia Militar Acreana, e utiliza a canção “Caboclo Feliz” do mestre Luiz Gonzaga para definir esse momento especial na vida de um militar:  alcançar o último posto da carreira na ativa. “Como na prosa, se eu pudesse nascer novamente, eu queria ser o Assis Martins dos Santos!”, declara orgulhoso.

O novo coronel finaliza dizendo que vive um momento especial na sua vida junto à equipe da SEJUSP, para onde foi designado no segundo semestre de 2020, em plena pandemia de Covid-19, para realizar trabalhos de ordem administrativa, mas encontrou amparo e apoio para atuar na área de capacitação profissional.

“Como mobilizado da Força Nacional vivenciei a felicidade de uma equipe, à qual ministrei instrução, usar as técnicas ensinadas e sair viva de uma emboscada. A SEJUSP me deu essa alegria novamente, um sargento da região de Juruá, utilizou as técnicas ensinadas nos Cursos Operacionais Integrados e de Sobrevivência e sobreviveu a uma situação de confronto de extrema complexidade”, ressalta, reconhecendo o grande empenho do titular da pasta no tocante à valorização do profissional da segurança, bem como da sociedade.