A sessão desta terça-feira, 7, na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) foi marcada por um intenso embate entre o deputado Luiz Gonzaga (PSDB), primeiro-secretário da Casa, e o líder da oposição, Edvaldo Magalhães (PCdoB). O tema do debate foi a demora no início das obras de recuperação da BR-364, principal rodovia que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul.
Durante o grande expediente, Gonzaga exibiu um vídeo no telão do plenário com declarações do ministro dos Transportes, Renan Filho, garantindo recursos para a rodovia. O parlamentar cobrou explicações sobre o motivo da demora na execução dos serviços.
“Senhores, nós estamos em outubro. Segundo o ministro, em 2023 vieram 500 milhões de reais, e em dois anos — 2023 e 2024 — um bilhão de reais. Isso foi dito também pelo senador Petecão. O vídeo está aí. Agora pergunto: cadê o dinheiro? A BR está intrafegável, caminhoneiros e motoristas estão levando até dois dias para concluir o trajeto. E o que está faltando? É dinheiro! E cadê o dinheiro?”, questionou Gonzaga, lembrando ainda as promessas do presidente Lula durante visita recente ao Acre.
Em resposta, Edvaldo Magalhães reconheceu a pertinência da cobrança, mas apontou que há um contexto orçamentário que precisa ser considerado.
“Na sua cobrança justa, há um hiato na narrativa. O Congresso Nacional só aprovou o Orçamento depois de março deste ano. Então, é evidente que houve atraso na liberação dos recursos. Aqui mesmo, nesta Casa, discutimos esse problema em audiência pública”, explicou o parlamentar.
Edvaldo também destacou que as ordens de serviço das empresas responsáveis pelas obras estão em processo de execução.
“As ordens estão assinadas e a liberação dos recursos virá. Conversei ontem com o superintendente do DNIT, Ricardo Araújo, e ele garantiu que as empresas estão se instalando. Agora, precisamos de uma ação emergencial de tapa-buracos para aproveitar essa janela de verão até meados de novembro e garantir a trafegabilidade”, ressaltou.
O oposicionista foi além e criticou a gestão passada, afirmando que a rodovia foi “abandonada” no governo Bolsonaro.
“A BR-364 foi destruída. Não houve manutenção, e empresas do Juruá chegaram a quebrar por falta de pagamento. Mesmo com mais de 70% dos votos do Acre, o governo anterior não teve olhar solidário para a rodovia”, disparou.
Luiz Gonzaga, por sua vez, voltou à tribuna para reafirmar suas críticas e reforçar que sua cobrança é baseada em declarações oficiais.
“Ministro e senador afirmaram que os recursos existiam. Então, onde estão? Já se passaram três anos desde o anúncio das licitações. O governo Bolsonaro deixou o projeto pronto, e até agora nada. A verdade é que essa rodovia nunca foi concluída, nunca foi inaugurada, e a população do Juruá continua sofrendo. Eu não posso me calar diante disso”, finalizou o deputado tucano, em tom de desabafo.
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