
Trump chama Papa Leão XIV de ‘fraco’ e diz que postura dele prejudica a Igreja Católica
Protagonistas de um embate nesta semana, o papa Leão XIV e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão na lista da revista Time das 100 pessoas mais influentes do mundo, divulgada nesta quarta-feira (15).
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
No domingo (12), Trump, disse que o Papa Leão XIV é fraco e que sua postura prejudica a Igreja Católica. O republicano afirmou preferir o irmão do pontífice e que não quer “um papa que ache tudo bem o Irã ter uma arma nuclear”.
“O papa Leão XIV é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa (…) Eu não quero um papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos”, publicou Trump no Truth Social.
Apesar das falas do presidente dos EUA, não há registros de que o papa Leão XIV tenha consentido que o Irã tenha uma arma nuclear.
LEIA TAMBÉM:
Wagner Moura entra na lista da revista ‘Time’ das 100 pessoas mais influentes do mundo
Pesquisadores brasileiros estão na lista da revista Time das 100 pessoas mais influentes do mundo
A fala foi feita após o papa dizer que se sentia próximo do “amado povo libanês” e pedir um cessar-fogo, com o conflito no Oriente Médio entrando em sua sétima semana.
Em resposta, o pontífice disse não temer o governo de Trump. Norte-americano, Leão XIV afirmou que não estava fazendo um ataque direto contra o republicano ou qualquer outra pessoa com seu apelo geral pela paz e críticas à “ilusão de onipotência” que está alimentando as guerras com o Irã e outros conflitos ao redor do mundo.
“Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui, creio eu, é não compreender qual é a mensagem do Evangelho, e lamento ouvir isso, mas continuarei com o que acredito ser a missão da Igreja no mundo hoje. Não hesitarei em anunciar a mensagem do Evangelho e em convidar todas as pessoas a procurarem maneiras de construir pontes de paz e reconciliação, e a buscarem formas de evitar a guerra sempre que possível”, disse Leão à agência de notícias AP a bordo do avião papal a caminho da Argélia.
Presidente Donald Trump e o Papa leão XIV
Reuters / EPA
Papa endureceu o discurso
O embate ressaltou a mudança de tom do pontífice nas últimas semanas, que antes apostava em indiretas ou críticas mais discretas às políticas de Trump.
Desde o fim de 2025, no entanto, o papa passou a atenuar o tom:
demonstrou preocupação com a situação no Caribe e na Venezuela, mas chegou a sugerir maior pressão econômica contra o regime de Nicolás Maduro, em vez do uso da força;
evitou comentar ameaças de Trump contra a Groenlândia e não mencionou a morte de cidadãos americanos em operações antimigratórias em janeiro;
em fevereiro, limitou-se a dizer que via com “grande preocupação” as tensões entre Cuba e Estados Unidos e pediu que a violência fosse evitada.
Ainda em fevereiro, a agência AFP afirmou que o papa Leão adotava uma abordagem discreta diante do governo Trump. Uma das estratégias seria confiar em críticas feitas diretamente por bispos americanos, enquanto o Vaticano recorria a canais diplomáticos para dialogar com Washington.
“Leão é muito cauteloso. Sabe que a voz do papa é universal. Como americano, é um pouco um opositor natural do trumpismo”, disse à AFP uma fonte do Vaticano, sob condição de anonimato, à época.
O tom mudou de vez com a guerra no Irã.
Papa Leão pede cessar-fogo no Líbano e o fim dos combates no Sudão







