Decisão Judicial Aumenta Angústia sobre Salários Atrasados e Direitos de Empregados da Oi, Serede e Tahto
O decreto de falência da Oi, emitido pela Justiça na última segunda-feira (dia 10), provocou uma onda de incerteza e preocupação entre os cerca de 13 mil trabalhadores vinculados à companhia e suas subsidiárias, como a Serviços de Rede (Serede) e a Brasil Telecom Call Center (Tahto).
“Foi desesperador, porque as pessoas não sabem exatamente o que significa o decreto de falência e como vai ser preservado os seus direitos. […] Os trabalhadores e trabalhadoras estão muito apreensivos com isso”, afirmou Luis Antonio Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações do Rio de Janeiro (Sinttel-RJ).
A situação é particularmente crítica nas unidades a serem vendidas. A Serede, que tem cerca de 5 mil funcionários, está com salários atrasados. A crise se aprofundou após a empresa perder seu maior cliente, a V.tal (que comprou a infraestrutura de fibra óptica da Oi), que rompeu o contrato de manutenção em setembro e contratou novas prestadoras de serviço.
Impacto Direto nos Trabalhadores:
- Pagamentos sem Previsão: Empregados com valores a receber superiores a 150 salários mínimos serão incluídos na massa falida e não têm previsão de pagamento.
- Prioridade Parcial: Apenas aqueles com créditos de até 150 salários mínimos terão prioridade no recebimento de verbas.
- Drama Pessoal: Trabalhadores como o operador multifuncional Bruno Matias, com 11 anos de casa, relatam que precisaram recorrer a empréstimos bancários para cobrir as despesas básicas devido ao atraso salarial. Outros funcionários estariam enfrentando depressão e dificuldades para custear despesas familiares.
O consultor técnico Milton Ibraim expressou o sentimento coletivo: “Estamos na expectativa (de receber o salário atrasado), mas estamos com medo.”
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O Sinttel-RJ e outras entidades sindicais estão mobilizadas em busca de reuniões emergenciais com a gestão judicial da Oi e a juíza responsável pelo caso.
O objetivo principal, segundo Luis Antônio, é garantir que “todos os trabalhadores, independentemente do seu salário, recebam integralmente as suas verbas rescisórias”. Na quinta-feira, estão agendados encontros com a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) e o ministro Frederico de Siqueira Filho (Comunicações) para buscar apoio político e jurídico.
A V.tal informou que depositou, em juízo, os valores devidos à Serede para “garantir a sua destinação ao pagamento de obrigações trabalhistas.”











