O processo de ciclagem do nitrogênio, que consiste no tempo necessário para que bactérias benéficas habitem a água, é o fator mais negligenciado por iniciantes e a principal causa da morte de peixes em novos aquários, como explica a bióloga Rayssa Nayara.
A especialista faz um alerta sobre a importância de respeitar esse período de maturação biológica antes de introduzir qualquer espécie, destacando que colocar os animais logo no primeiro dia transforma o tanque em um ambiente altamente tóxico e fatal.
Embora a pressa em ver o aquário cheio seja um erro recorrente, o sucesso do ecossistema depende de três pilares: a escolha correta do tamanho do tanque, um sistema de filtragem eficiente e o estudo de compatibilidade entre as espécies, evitando misturas por impulso.
Muitos acreditam que aquários menores são mais fáceis de cuidar, mas a prática mostra o oposto, pois neles os parâmetros variam muito rápido. “Antes de colocar os peixes faça a ciclagem, dê tempo para o aquário ficar maduro para receber os peixes”, orienta a bióloga Rayssa Nayara. Lembrando que, após a estabilização desse ciclo, a manutenção se torna simples, exigindo apenas paciência e observação frequente do tutor.
A estrutura do aquário e o perigo do sabão
Para compreender a importância da ciclagem, é preciso entender que toda matéria orgânica, como fezes e restos de comida, libera amônia ao se decompor. A amônia é extremamente tóxica e as bactérias nitrificantes são importantes para transformar esse veneno em substâncias seguras. Para abrigar esses microrganismos, o filtro precisa de estruturas porosas chamadas mídias biológicas. “O período para ciclagem é de no mínimo 30 dias”, esclarece a profissional, alertando que quebrar esse tempo mata os peixes por intoxicação.
Quando o assunto é a manutenção do dia a dia, o maior erro dos aquaristas de primeira viagem é esvaziar o tanque para lavar tudo com água e sabão. Esse hábito destrói instantaneamente toda a biologia que o aquário levou um mês para construir.
A limpeza correta deve ser feita por meio da TPA (Troca Parcial de Água), retirando de 20% a 30% da água velha e completando com água nova. “Em hipótese nenhuma se retira a água toda do ambiente, pois as bactérias do ciclo do nitrogênio serão descartadas”, adverte Rayssa. No processo, limpa-se a bomba, troca-se a esponja (perlon) e escova-se o filtro apenas com água, sem produtos químicos.
Criar o ecossistema ideal depende de vários fatores
O planejamento da fauna exige entender que os peixes mudam de tamanho e têm exigências específicas de pH, temperatura e comportamento. O cascudo-abacaxi, por exemplo, costuma ser comprado filhote, mas pode ultrapassar os 30 cm, tornando-se inadequado para tanques pequenos.
Além disso, algumas espécies precisam viver em cardumes para evitar o estresse e a agressividade dentro do aquário. Para quem busca começar sem dores de cabeça, o especialista recomenda espécies do gênero Corydoras, peixes do grupo Tetra e o Otocinclus (limpa-vidro anão), que são fáceis de cuidar e amigáveis.
A superalimentação é uma das maiores causas de morte, já que os restos de comida que sobram e afundam desequilibram a água e estragam o processo de ciclagem.

Peixe Betta
Essa falta de informação sobre o espaço afeta diretamente o peixe Betta, um dos mais populares e que mais sofre com mitos. O costume de criá-los em recipientes minúsculos e sem filtro, as chamadas “beteiras”, é um erro grave impulsionado pelo baixo custo comercial. Na natureza, eles não vivem em locais apertados. Os bettas precisam de espaço para nadar, filtragem e alimentação equilibrada. Além disso, eles não precisam viver isolados para sempre.
“O comportamento agressivo ocorre principalmente entre indivíduos da mesma espécie, especialmente entre machos”, pontua o especialista. Os bettas podem viver em aquários comunitários, desde que os companheiros sejam escolhidos com cuidado.
Como possuem o órgão chamado labirinto para respirar ar atmosférico na superfície, eles têm nado lento e nadadeiras longas, sendo vulneráveis a peixes agitados que mordiscam. O ambiente ideal deve ter plantas e troncos para descanso e baixa correnteza, respeitando a biologia do animal.
Dicas de ouro
- Pesquise as espécies antes de comprar, pois nem todos podem viver juntos.
- Escolha um aquário de tamanho adequado.
- Antes de colocar os peixes faça a ciclagem, dê tempo para o aquário ficar maduro para receber os peixes.
- O filtro é considerado um dos itens principais de um aquário.
- Não dê alimento demais, tudo em excesso acaba mal.
- Faça trocas parciais de água, a cada 15 dias. Isso é essencial para manter os parâmetros estáveis.
- Não lave as mídias biológicas, pois pode matar as bactérias boas que ali vivem.
- Evite comprar peixes somente pela aparência, pois muitos crescem demais e precisam de mais espaço
- Observe o aquário e seus peixes e veja se nada foge do padrão. Acima disso tenha paciência, aquarismo é um hobby que exige aprendizado.












