Uma mãe que mora na zona rural do município de Bujari, no Acre, fez denuncia ao ac24horas neste domingo (26), que luta há três anos para garantir um mediador escolar para o filho de 10 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e sob investigação de dislexia. Francisca Souza é mãe de Walison Guilherme da Silva Costa, que estuda na Escola Estadual Rural Limoeiro, a mesma unidade que ganhou repercussão nacional em junho de 2025 após o programa Fantástico, da TV Globo, expor as condições precárias do local, que funcionava em um antigo curral, sem paredes, sem piso e sem água encanada.

O percurso diário para levar o filho até a escola é descrito por Francisca como exaustivo e arriscado. A família atravessa o Rio Antimary de barco e ainda caminha por mais de uma hora pelo Ramal Funtac, em meio à lama. “Não é fácil, é difícil. Tenho que deixar ele a pé. Gasto quase 1h dentro da lama. Eu vejo bicho, vi uma cobra muito grande”, relatou.
Walison tem laudo médico emitido em março de 2025 por neuropediatra. O documento aponta que o menino apresenta déficit na comunicação e interação social, comportamentos restritos e repetitivos, hiperacusia, seletividade alimentar e prejuízo nas funções executivas, e recomenda expressamente escola inclusiva com mediador e Atendimento Educacional Especializado (AEE), além de fonoaudiologia, psicoterapia cognitivo-comportamental e terapia ocupacional com integração sensorial. Apesar do laudo, o menino está na 4ª série e, segundo Francisca, ainda não sabe escrever o próprio nome. “Ele vai fazer 10 anos e não sabe nem o nome dele”, afirmou.

Francisca relata que a direção da escola a orienta a procurar a Secretaria de Educação, enquanto o Conselho Tutelar afirma realizar acompanhamento, mas ela nega que os agentes tenham ido até sua casa. “Eles foram na escola. Falaram que faziam acompanhamento com a criança. E já tinha sido negado. Eles nunca vieram aqui em casa”, disse. A justificativa apresentada para a negativa do mediador é de que a turma é pequena, com apenas 10 alunos, e que a professora seria capaz de fazer o acompanhamento do aluno. Francisca rejeita esse argumento, para ela, a criança precisa de um profissional especializado, não de uma professora regular acumulando funções.
A situação se agrava pelo histórico de conflito com a coordenadora da rede escolar municipal, Rocilda Gomes, esposa do prefeito de Bujari. Segundo Francisca, ao solicitar uma vaga de emprego na escola, com o argumento de que assim poderia estar presente para cuidar do filho, foi bloqueada no WhatsApp por Rocilda. Ela também relata que o filho já voltou para casa com machucados, o que aumenta o seu temor.














