Mídia estatal iraniana chama anúncio de reabertura do Estreito de Ormuz de ‘incompleto’ e diz que canal fechará se EUA não tirarem bloqueio

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Mídia estatal iraniana chama anúncio de reabertura do Estreito de Ormuz de ‘incompleto’ e diz que canal fechará se EUA não tirarem bloqueio

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Irã anuncia reabertura do Estreito de Ormuz durante cessar-fogo
A agência estatal iraniana FARS, ligada a Guarda Revolucionária do Irã, chamou nesta sexta-feira (17) o anúncio de reabertura Estreito de Ormuz de incompleto e afirmou que a passagem será fechada caso o bloqueio dos EUA na região continue.
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Segundo a agência, o comunicado feito nesta sexta pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, é “de extremo mau gosto no que diz respeito à disseminação de informações”, já que foi “publicado sem as explicações necessárias e suficientes” e “criou ambiguidades sobre as condições de passagem”.
“Diversas condições foram consideradas para esta questão, sendo uma das mais importantes a supervisão completa das forças armadas iranianas sobre a passagem e a navegação dos navios. Essa passagem será considerada cancelada caso o alegado bloqueio naval continue”, afirmou.
Mais cedo nesta sexta-feira (17), o Irã anunciou a reabertura total do Estreito de Ormuz para embarcações enquanto durar o cessar-fogo com os Estados Unidos. O bloqueio da via marítima era um dos principais impasses nas negociações entre os dois países.
Segundo o governo iraniano, todos os navios podem voltar a circular livremente no período restante da trégua, que expira na quarta-feira (22). Após o anúncio, o preço do petróleo despencou.
“De acordo com o cessar-fogo no Líbano, a passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã”, declarou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que anunciou a reabertura.
🔎 Contexto: o estreito é uma das principais vias marítimas para o comércio global de petróleo. A interrupção do transporte pelo canal nas últimas semanas fez os preços da commodity dispararem no mercado mundial.
Mais cedo, dados do site de monitoramento do transporte marítimo Kpler já mostravam que a circulação pelo estreito havia sido retomada. Três petroleiros iranianos deixaram o Golfo do Irã , transportando 5 milhões de barris de petróleo bruto, os primeiros carregamentos desse tipo desde o bloqueio dos EUA aos portos iranianos, na segunda-feira (13).
Embarcação no Estreito de Ormuz, ao largo da costa da província de Musandam, Omã, 12 de abril de 2026.
Reuters
Trump celebra, mas mantém bloqueio naval
O anúncio é o primeiro grande aceno do Irã a um acordo pelo fim da guerra, já que a reabertura do Estreito de Ormuz era uma das principais reivindicações dos Estados Unidos nas negociações.
O presidente Donald Trump agradeceu ao Irã pela reabertura, mas disse que o bloqueio naval que os EUA fazem na saída do estreito— já no Golfo de Omã e no Mar Arábico — seguirá em vigor.
Em uma postagem na rede Truth Social, Trump afirmou que só retirará suas tropas da rota depois de que as negociações com o Irã estiverem “100% concluídas”. Ele disse também que “provavelmente” haverá uma nova rodada de negociações entre os dois lados neste fim de semana — as primeiras tratativas, no fim de semana passado em Islamabad, no Paquistão, terminaram sem acordo.
Mas ele disse também que o estreito “está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego” e afirmou que o Irã se comprometeu a não voltar a fechar mais o estreito, o que o Teerã ainda não havia confirmado até a última atualização desta reportagem.
Relembre o impasse em Ormuz

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arte/g1
👉 Desde o início da atual guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, o Irã fechou a passagem pelo Estreito de Ormuz, a única via de saída pelo mar do Golfo Pérsico, onde ficam grandes produtores de petróleo. Pelo estreito, costumam circular navios transportando cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo.
A via marítima fica entre os territórios do Omã e do Irã (veja mapa abaixo), e sua largura não ultrapassa os 35 quilômetros em alguns trechos, o que facilita o controle por parte dos dois países.
O Irã detém a maior parte do território que margeia o estreito, e, em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, ameaçou atacar qualquer navio que cruzasse o estreito, disparando contra alguns deles e implementando minas navais.
Minas navais
Trump afirmou que os EUA “estão trabalhando com o Irã para retirar as minas”, mas o próprio governo iraniano já havia dito não saber ao certo a localização de todas elas, e pediu que os navios cruzassem o Estreito de Ormuz apenas nas rotas seguras recomendadas pela Organização dos Portos iraniana.
A Marinha norte-americana também emitiu um comunicado aos navegantes da área em que diz que a “ameaça representada por minas em partes do Estreito de Ormuz não é totalmente compreendida, e recomenda-se que os navios evitem a área”.
Selo – Estreito de Ormuz
Arte/g1

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