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"O Gladson é leve, mas não é leso...", diz Moisés Diniz, o novo articulador político do Governo

O homem que foi líder de governos da Frente Popular agora é o braço político do governador e que quer levá-lo à vitória nas eleições municipais"Creio que o governador se

Por Francisco Fabiano em 21/08/2020 às 13:35:44


O homem que foi líder de governos da Frente Popular agora é o braço político do governador e que quer levá-lo à vitória nas eleições municipais





"Creio que o governador se interessou pelo jeito Socorro Neri de governar", afirma





TIÃO MAIA, DO AMAZ"NIA AGORA





Professor, escritor, politico. Ex-vereador, ex-vice-prefeito de Tarauacá, ex-deputado estadual e ex-deputado federal. Um currículo invejável para um homem de origem humilde, com um pé na aldeia indígena, que se apresenta como cacique de um povo quase extinto, que, no entanto, pôs sua vida na política - na boa política, aquela que exige entrega, do se dar sem receber.





O homem que foi líder de governos da Frente Popular agora é o braço político do governador e que quer levá-lo à vitória nas eleições municipais




Este é Moisés Diniz, 57 anos. Um homem simples, que não sabe dirigir automóvel mas, ao que tudo indica, pilota bem a atividade política. Afinal, como explicar que um ex-militante do PC do B (Partido Comunista do Brasil) e ex-líder de governos da extinta Frente Popular do Acre, a antítese do governo atual, se tornasse o articulador político do governador Gladson Cameli, que se apresenta como de Direita e ainda por cima flerta com o que representa o presidente Jair Bolsonaro? 





É ele o principal articulador da aproximação do governador com a prefeita Socorro Neri (PSB), a ex-adversária que deve ser ungida na disputa pela reeleição com o apoio do Palácio Rio Branco. Comedido, ele ainda fala pouco sobre o assunto, mas não esconde de ninguém que Gladson Cameli parece ter se apaixonado pelo jeito Socorro Neri de governar.









"O Gladson é leve, mas não é leso...", diz Moisés Diniz, o novo articulador político do Governo




Para ouvir o novo articulador político do governo, Amazônia Agora destacou seu editor de política para a entrevista cujos principais trechos estão publicados a seguir:





O senhor acaba de ser confirmado articulador político do Governo do Estado. O Governo, aliás, tem um conselho de cinco ou seis membros que também deveria fazer essa articulação política. Qual será a diferença de sua atuação para a daquele conselho?





Moises Diniz  - O Conselho Político vai além da articulação política. Dia desses se reuniu pra balizar uma opinião sobre a abertura de igrejas na fase laranja, para se ter um olhar entre a ciência e a opinião de líderes religiosos. O Conselho segue com suas atividades e pode ajudar muito na articulação política. Não há contradição entre o papel dele e o nosso. Podemos, inclusive, construir um movimento de colaboração mútua.





À primeira vista, pode parecer estranho  que um ex-militante do Partido Comunista do Brasil, ex-líder de um governos com viés de esquerda, seja o articulador político de um Governo como o de Gladson Cameli que, sem esconder de ninguém, se apresenta como afinado com a direita, inclusive com o Bolsonarismo. O que o senhor tem a dizer sobre isso?





O governo Gladson Cameli pode caminhar para o centro da política, porque há sinais claros de que a população está se cansando de guerras ideológicas que só beneficiam os políticos. O povo quer trabalho, quer equilíbrio, quer respeito ao divergente, quer desenvolvimento com respeito às leis naturais. O Coronavírus está aí pra dizer que o oxigênio é vital pra vida, assim como uma economia forte que gere empregos. Agronegócio e meio ambiente não são divergentes, só dialogam mal e não gastam energia em encontrar caminhos intermediários. Parece que o povo vai se cansando de factoides que não botam prato na sua mesa.





Este mesmo Governo, no entanto, flerta e declara apoio à prefeita Socorro Neri, do PSB  e ex-adversária do atual grupo político que comanda o Estado. Já é resquício do seu passado de esquerda que se manifesta agora já como articulador político do Governo?





Sinto que o Gladson tem simpatia com o jeito Socorro Neri de governar. Quanto à decisão dele de apoiar a Socorro, é anterior à minha chegada. aproximação com a prefeita Socorro Neri foi um insight do próprio governador. Não pode ser creditada a mim, porque eu ainda não estava lá. Quem mais sustentou essa tese do governador foi o secretário da Casa Civil, Ribamar Trindade.





Quando, como e por que começou essa relação do governador Gladson Cameli com a prefeita Socorro Neri? O que ele viu nela de tão interessante que foi capaz de deixar para trás um velho companheiro de militância como o Tião Bocalom?





Essa eleição de Rio Branco vai servir de divisor de águas, para que aliados e adversários entendam que Gladson é leve, mas não é leso. O líder político do nosso grupo é Gladson Cameli, assim como eram líderes da FPA os governadores do PT.





O senhor parece à vontade, muito à vontade, no atual Governo, parece que bem melhor que nos tempos dos governos da Frente Popular.  Isso procede? Por que?





Eu tive divergências com alguns dirigentes do PT, mas meu coração decidiu que vou relevar o que me fez mal e agradecer o que de bom recebi. Serei sempre grato a tudo que tive na FPA, mesmo sabendo que cristãos novos tiveram dez vezes mais do que eu. Ninguém me verá atacando uma história de um quarto de século, da qual fiz parte. Nem dirigir eu sei, pra ficar olhando pelo retrovisor. Gladson me convidou, está me dando oportunidade e serei leal a ele, porque um político desleal não vale uma nota de três reais.





Como é sua relação pessoal com o governador Gladson Cameli?





Estou tentando aprender a conviver com um político irrequieto, que quer ver as ações do governo acontecendo pra ontem, que insiste em não se acostumar com a demora do Estado e sua burocracia, um cara que se estressa, fica bravo e logo em seguida pede desculpas, volta a brincar, que deixa a gente questioná-lo, dizer que ele pode estar errado. Nesses quarenta e cinco dias, não ouvi uma única orientação dele pra controlar imprensa ou processar jornalistas, que veste uma blusa Yawanawá e faz questão de dizer que é um povo importante para o Acre, que fala sempre que respeita o que foi feito de bom por governantes anteriores, que não apaga memória só porque é fruto do trabalho de adversários políticos.





O Governo vai mesmo em peso apoiar à reeleição de Socorro Neri?





Eu acho que essa decisão vai ser tomada pelo governador em doses homeopáticas, a partir do comportamento de cada ator dessa disputa na capital.





Qual o seu futuro político?





Ajudar o Gladson a contemplar o máximo de aliados nessa disputa de 2020, sem hegemonismo e sem atropelar quem quer respirar de forma leal na política. E, depois de novembro, me concentrar em ajudar o governo a ser harmônico, com comando único, otimizar recursos para poder melhorar a vida dos acreanos e valorizar cada vez mais os servidores públicos, respeitando o contraditório, gerar emprego como objetivo principal do governo e contribuir com a sua reeleição.





O senhor acha que o atual Governo se sairá melhor do que os da Frente Popular? Por que?





A FPA tem um legado que deve ser respeitado e erros que não devem ser repetidos. Gladson tem a história recente pra servir de lição, tem uma bancada forte na Aleac e em Brasília e tem apoio do presidente Jair Bolsonaro. Tem disposição de trabalho, sua equipe vem melhorando e se acostumando com a governança. Acho que fará um grande governo.





E por que aconteceram tantos problemas que levaram ao governador a ir buscar entre os que lhe faziam oposição dura os aliados de que ele precisa para o futuro?





Gladson precisou de 2019 pra organizar um novo governo, depois de 20 anos de FPA, liderando uma aliança gigante, e está enfrentando uma pandemia que derrubou gigantes como EUA e a China. Foi o único governador do Brasil que não alugou hospitais de campanha, decidiu construir em tempo recorde dois hospitais pra tratar a COVID-19, que ficarão funcionando após o fim da pandemia. Não aconteceu no Acre o que vimos aqui do lado, no Amazonas e no Pará: a mortalidade foi pavorosa e se instalou a corrupção com dinheiro da COVID. Esta é a diferença.


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