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Acre está cada vez mais perto do desenvolvimento

Ponte que ligará os dois estados deverá ser inaugurada até o final do ano, anuncia ministro da Infraestrutura; governadores edo Acre de RondôNia, além de parlamentares, fizeram visita às obras

Por Francisco Fabiano 03/10/2020 às 13:37:13

Gladson Cameli atravessa a ponte pela primeira vez e lembra seu tio, Orleir Cameli - Foto marcus Vicentti

TIÃO MAIA, DO AMAZÔNIA AGORA

Erguida no coração da Amazônia brasileira e sobre um dos maiores rios da região Norte, a ponte do Madeira, como é chamada a gigantesca obra em ferro e alvenaria no território do estado de Rondônia e cuja inauguração, enfim, tirará o Acre do isolamento com o restante do país, já tem data para ser inaugurada e entregue à população. Deve ser no máximo até o mês de dezembro.

A expectativa dos acreanos em relação à inauguração é porque a obra põe fim à dependência histórica de embarcações como balsas para fazer a travessia do rio. Com a ponte em funcionamento, a obra conectará o Acre com a malha rodoviária nacional.

A inauguração está próxima porque a obra já está com 95% de conclusão, anunciaram, na sexta-feira 02/10, no local, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, e os governadores do Acre, Gladson Cameli, e de Rondônia, marcos Rocha. Os três fizeram uma vistoria técnica ao canteiro de obras constataram que os trabalhos agora concentram-se na margem direita do rio, lugar conhecido como o "lado de Rondônia".

Da agenda também participaram o senador Marcio Bittar (MDB-AC), o deputado federal Allan Rick (DEM-AC) e ainda parlamentares da bancada federal de Rondônia. O governador Gladson Cameli disse, no local, que as críticas que recebe por se tratar de uma obra no território de um outro Estado, que desde sua passagem de dois mandatos pela Câmara Federal e mais quatro anos no Senado da República, sempre defendeu esta obra. Segundo ele, em toda obra há muito de seu esforço para que a ponte ponha fim ao isolamento do Acre em relação ao restante da malha viária do país. "Vamos, enfim, ligar, com esta ponte, dois oceanos, o Pacífico, que está nem perto de nós, no Peru, com o Atlântico", disse Cameli.

Gladson Cameli atravessa a ponte pela primeira vez e lembra seu tio, Orleir Cameli - Foto marcus Vicentti

Técnicos disseram que o atraso no prazo de entrega da ponte deu-se pela necessidade de adequação ao projeto original. Por ser mais baixo e possuir solo instável em relação à margem esquerda, o projeto original da estrutura precisou ser alterado. Na grande enchente de 2014, toda extensão do local ficou alagada e, caso a proposta priginal fosse mantida, o acesso à ponte corria o risco de ficar isolado em caso de nova cheia, disse um engenheiro. Para evitar que isso aconteça, o governo federal decidiu aumentar em mais 400 metros o vão central da ponte e aumentar o nível da pista de acesso à BR 364.

De acordo com o ministro Tarcísio Gomes, todo o cronograma da fase de conclusão da obra está sendo rigorosamente cumprido. Segundo ele, a ponte será inaugurada ainda em 2020 pelo presidente Jair Bolsonaro.

"Está tudo sob controle e, em dezembro, temos condições de entregar. Os trabalhos estão concentrados na concretagem de uma última galeria e terminando o aterro. Ainda no mês de outubro, começamos a asfaltar o aterro e estamos concretando a parte da estrutura que falta para interligar a ponte. A nossa previsão é que na segunda ou terceira semana de dezembro, o presidente Jair Bolsonaro esteja aqui entregando essa importante obra para os dois estados. Uma obra no Estado de Rondônia, mas que atende muito e majoritariamente o Estado do Acre, proporcionando sua integração com o resto do Brasil", disse o ministro.

Atuação de Gladson Cameli foi determinante para construção da ponte, reconheceu o ministro. Na condição senador da República, cargo que ocupava antes de ser eleito governador do Acre, em 2018, Gladson Cameli foi um dos principais defensores da ponte sobre o rio Madeira. Ao atravessar a estrutura pela primeira vez, o governador acreano ficou emocionado e recordou que um antigo sonho da população do Acre já é realidade.

"Infelizmente, muitos que sonharam com este momento já não estão mais entre nós", disse em referência a seu tio Orleir Cameli, ex-governador do Acre que muito sonhou e defendeu esta obra. "Mas a esperança de um futuro melhor para as nossas gerações está começando. Como parlamentar, lutei para que esta obra não parasse um dia sequer", afirmou o governador. Todo esforço valeu a pena porque muito em breve retornaremos aqui para festejar a inauguração dessa ponte. O Acre nunca mais vai depender de balsas para poder se desenvolver", acrescentou.

Para o governador acreano, a obra é um aceno para novo horizonte cheio de boas oportunidades para a economia do Acre. Ele destacou a ligação em definitivo do corredor rodoviário Atlântico-Pacífico como crucial para alavancar a economia acreana e demais estados da região Norte. "Como sempre costumo falar, aqui está sendo construído o segundo canal do Panamá. A ponte sobre o rio Madeira representa a união dos oceanos Pacífico e Atlântico. Além disso, o Acre será integrado com os demais estados. Tenho a certeza que esta importante obra nos trará inúmeros benefícios e vamos trabalhar para que o nosso estado aproveite ao máximo as oportunidades para crescer ainda mais", argumentou Gladson.

Marcio Bittar tem esforço reconhecido para que a obra não fosse paralisada

Gladson e Márcio Bittar foram incansáveis na defesa dos recursos para a realização da obra reconhece o ministro da Infraestrutura

Durante a visita às obras, a atuação do senador Marcio Bittar no parlamento em busca dos recursos para a continuidade da obra foi reconhecida como fundamental para assegurar a destinação de R$ 23 milhões em recursos da União para a conclusão da estrutura. "De fato, tinha só um R$ 1 milhão em recursos. Conseguimos mais R$ 15 milhões com o governo federal e eu consegui, extra orçamentário, mais R$ 7 milhões como relator do orçamento passado. Este é um sonho do Acre inteiro que esta se tornando realidade", disse o próprio senador

O governador de Rondônia, marcos Rocha, agradeceu o senador pelo empenho e o compromisso do governo federal na conclusão da ponte, para ajudar no desenvolvimento econômico e social da Amazônia. "O meu muito obrigado ao presidente Bolsonaro e ao ministro Tarcísio por estarem com letando essa obra de extrema importância para nós. A ponte fica em Rondônia, mas é fundamental para o Estado do Acre, Rondônia, Amazonas e Roraima. É o desenvolvimento chegando para a nossa região", disse Marcos Rocha.

Uma gigante em ferro, pedra e alvenaria em contraste com o verde da Amazônia

Gladson Cameli cumprimenta o ministro Tarcísio

A ponte tem1,5 quilômetro de extensão e 14,4 metros de largura. Para isso, foram utilizados 25 mil metros cúbicos de concreto e 4,8 toneladas de aço. No auge das atividades, a obra chegou a empregar 160 operários. Atualmente, 120 profissionais atuam na reta final da obra.

Na margem esquerda do rio, o chamado "lado do Acre", a estrada que liga a cabeceira da ponte à rodovia já está pronta. A pista, inclusive, está prestes a receber sinalização vertical e horizontal.

Iniciada em setembro de 2014, a ponte enfrentou uma série de dificuldades referentes ao cronograma de repasse de recursos federais para o andamento da obra. No governo do presidente Jair Bolsonaro, a finalização da estrutura é tratada com prioridade e reforça o compromisso da União com o desenvolvimento do Acre.

Sem a ponte, com a seca do rio e as dificuldades de navegação das balsas que fazem a travessia do rio, o abastecimento regular de gêneros de primeira necessidade é sempre colocado em risco, sobretudo, alimentos perecíveis e combustível. Após o término da obra da ponte, será possível cruzar o Madeira em poucos segundos. Além disso, não será mais necessário o pagamento de uma taxa para atravessar o rio. Atualmente, o valor cobrado para uma carreta rodotrem (9 eixos) carregada é de R$ 210,00, o mais elevado entre os veículos.



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