banner 2 onda
Banner_doador

Relatório da Polícia Federal diz que Vagner e Fagner Sales lideram quadrilha que desviou mais de R$ 30 milhões com obras irregulares em Cruzeiro do Sul

Filho do ex-prefeito e agora candidato à Prefeitura seria o verdadeiro dono da empresa C P Rosas Construções, que desvia recursos destinados à obras no município, dizem investigadores do caso

Por Kiara Azevedo em 09/11/2020 às 12:49:19

TIÃO MAIA, DO AMAZÔNIA AGORA, EM CRUZEIRO DO SUL

O candidato Fagner Rojas Sales, da coligação "A Força do Trabalho", que inclui o MDB e o PSDB do vice Luiz Cunha na disputa pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul, é um dos principais implicados em inquérito da Polícia Federal, na delegacia do órgão no Vale do Juruá, que está em segredo de justiça e que investiga a ação de uma quadrilha responsável pelos desvios de dinheiro público na ordem de mais de R$ 30 milhões. Ele seria um dos chefes da quadrilha. O outro é seu pai, o ex-prefeito Vagner José Sales. O deputado Nicolau Júnior (PP), afastado por ordem judicial da presidência da Assembleia Legislativa e o principal fiador e financiador da campanha de Zequinha Lima, da coligação que reúne o PP, PT, PC do B, PDT e PSD do candidato a vice Henrique Afonso, também está implicado no escândalo.

De acordo com a Polícia Federal e segundo o inquérito que investiga o caso, os desvios ocorreram a partir da posse de Vagner José Sales na Prefeitura de Cruzeiro do Sul, em janeiro de 2009. As irregularidades permaneceram mesmo após a passagem do cargo, oito anos depois, para o prefeito Ilderlei Cordeiro, que só parou de mandar pagar e liberar dinheiro para os envolvidos ao ser cassado e afastado da Prefeitura – juntamente com o vice Zequinha Lima, em julho este ano, por outras irregularidades. Mas também esta implicado no mesmo caso que envolve Fagner e Vagner Sales.

Os documentos reunidos pela Polícia Federal mostram que, assim que o pai assumiu a Prefeitura, em janeiro de 2009, Fagner Sales montou, com vários sócios como "laranjas", a empresa C P Rosas Construções, que passou a controlar todas as tomadas de preços e licitações de obras da Prefeitura. De acordo com as investigações, os contratos originais não eram honrados, seja pela realização de seguidos aditivos, sempre com a dilatação e adiamentos dos prazos iniciais das obras, com o aumento dos valores iniciais ou outras irregularidades, como falta de capacidade técnica da empresa para a execução dos serviços, como ocorreu no caso da reforma e ampliação do estádio "Cruzeirão", o exemplo mais cabal das irregularidades, desvios e crimes cometidos com o dinheiro público.

De acordo com a Polícia Federal, só neste contrato foram encontradas as seguintes irregularidades: "A) - Objeto do contrato sem a devida especificidade; B)- Não comprovação de equipe técnica permanente exigida no edital; C) - Não comprovação de equipamentos mínimos exigido; D)- Comprovação da Garantia não encontrada no processo administrativo da licitação a. Seguro garantia no valor de R$ 73.242,11. E) - Não cumprimento de itens do orçamento descritivo, memorial descritivo e planilhas orçamentárias".

Sobre as irregularidades nas obras do estádio – até hoje inconclusas apesar do dispêndio de pelo menos R$ 1,5 milhões, recursos obtidos através do extinto Ministério dos Esportes, a agente Nayara Martinelli, do núcleo operacional de desvios de recursos públicos da delegacia da Polícia Federal em Cruzeiro do Sul, em abril deste ano, escreve o seguinte: "(...) podemos dispor que há indícios de um possível desvio de verba publica relacionado à Tomada de Preços 01/2013 (convênio Siafi 757715); Modernização e Ampliação do estádio Cruzeirão". E acrescenta: "tendo em vista o valor inicial (R$ 1.425.937,50) mais o 4° Termo Aditivo (R$ 75;153.,53), o convênio tinha como valor total previsto a quantia de R$ 1.501191,02, e conforme verificado em fonte oficial o valor total do repasse foi de R$ 1.490.814,00". Uma conta que não fecha.




Agente federal assina documento dizendo que há grupo criminoso atuando dentro da Prefeitura

Um outro agente federal, ao analisar o conjunto da obra envolvendo as práticas na Prefeitura, diz que análises em bancos de dados diversos, "apontam a hipótese de um grupo criminoso atuante na prefeitura de Cruzeiro do Sul com foco em desvio de recursos públicos em obras de construção civil", diz no relatório da Polícia Federal sobre as investigações em andamento, "Os vestígios apontam que os integrantes [da quadrilha] são oriundos tanto do poder público quanto da iniciativa privada. Por fim, dentre os crimes perpetrados vale destaque corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e fraude a licitação", acrescenta o documento assinado pelo agente de Polícia Federal de 3ª classe Matheus de Jesus Pimenta, matrícula nº 21.426, da Delegacia de Polícia Federal em Cruzeiro do Sul (AC), em 28 de maio de 2020.

O inquérito sobre o caso transcorre em segredo de justiça, mas a reportagem do Amazônia Agora obteve, com exclusividade, documentos capazes de provar as irregularidades. O relatório com as acusações contra Vagner, o pai, e Fagner, o filho, mostra quem são os envolvidos e detalha a participação de cada um deles nos crimes.

Sem sede ou equipamentos, empresa abocanhou contratos de mais de R$ 23 milhões e PF conclui, pela dureza dos sócios, que controladores da C P Rosas são Vagner Sales e seus familiares


A Polícia Federal afirma que o verdadeiro dono da empresa C P Rosas Construções é o ex-prefeito Vagner e seu filho candidato a prefeito pelo MDB/PSDB Fagner Sales após uma minuciosa investigação. De acordo com a PF, a empresa C P ROSAS CONSTRUÇÕES LTDA (CNPJ 11092802/0001-95) é do ramo de construção civil de pequeno porte, de nome fantasia C P. R. ENGENHARIA e foi criada em criada em 25/08/2009, localizada rua Rui Barbosa, número 156, sala 01, térreo da Catedral, centro de Cruzeiro do Sul.

A empresa tem como sócios os irmãos Cleilson Pinheiro Rosas (CPF 92912907268) e Cleilton Pinheiro Rosas. De acordo com a Polícia Feral, documentos trazem indícios de que os sócios dessa empresa seriam, na verdade, "laranjas" de outras pessoas – no caso, Vagner e Fagner Sales,. "Isso porque a empresa apresenta: bens incompatíveis com o faturamento", diz a Polícia Federal com base nas informações de que, na época da constituição da empresa, esta tinha como sede uma simples sala e alugada e não dispunha de uma sede, como é próprio em casos assim, com pátio para maquinário, almoxarifado, galpão, etc, e ainda a inexistência de logística compatível aos serviços prestados - tais como ônibus ou micro-ônibus para o transporte de funcionários; maquinários de construção civil (tratores, caminhões caçamba, entre outros).

Na época, em nome da empresa havia o registro apenas de um veículo da marca Ford, modelo F250 XLT F21 - 2011/2011, cujo valor, em janeiro de 2017, era de R$ 95.580,00. A carga suportada por esse veículo, segundo os bancos de dados, é de 1,16 tonelada.

Os sócios da empresa não possuíam veículos em seus nomes, a exceção de uma motocicleta avaliada em menos de 3 mil reais de Cleilton Pinheiro Rosas.

Mas, por meio de diligências, a Polícia Federal descobriu que o mesmo Cleilton Pinheiro Rosas utilizava um veículo que estava registrado em nome de Vagner Sales. "Durante diligências em obras realizadas pela C P ROSA CONSTRUÇÕES LTDA foram gravadas informações que enriquecem a hipótese de que a referida empresa é controlada pelo ex-prefeito Vagner Sales e seus familiares", diz o relatório da Polícia Federal.

Além disso, de acordo com a investigação, "apresentou-se também como indícios que os sócios legais dessa empresa não possuíam um patrimônio - ou mesmo um histórico de bens móveis e imóveis - condizente com os valores milionários adquiridos perante contratos com a prefeitura municipal de Cruzeiro do Sul durante o período de 2009 a 2016; e que, ao contrário disso, os supostos "donos" da empresa C P ROSAS CONSTRUÇÕES, demonstraram uma evolução patrimonial incompatível, nesse mesmo período, uma vez que esses não possuem emprego formal ou mesmo uma fonte de renda alternativa", acrescenta o relatório da investigação. "Foi destacado também que a empresa C P ROSAS foi criada no mesmo ano em que começou a gestão do ex-prefeito Vagner Sales (ou seja, 2009); e o seus contratos com a prefeitura municipal de Cruzeiro do Sul foram crescendo durante toda sua gestão, até o ano de 2016", diz o relatório.

Outro ponto suspeito é o volume financeiro que saiu das contas da construtora C P ROSAS por meio de saques. "Estas retiradas de dinheiro, via de regra, não trazem o destinatário do recurso diretamente vinculado a transação", dizem os investigadores.

De 1º de janeiro de 2010 a 31 de dezembro de 2017, foram realizados 1.046 saques acima de R$ 1.000,00 nas contas correntes da construtora C P ROSAS, totalizando R$ 10.089.177,51 (dez milhões oitenta e nove mil cento e setenta e sete reais e cinquenta e um centavos). Nada mal para uma empresa que funcionava numa salinha humilde em baixo da Catedral de Cruzeiro do Sul.

Os números mostraram que, como o total de créditos do poder público nas contas correntes da construtora C P ROSAS, alcançam o montante de R$ 23.801.374,58. De 2010 a 2017, tem-se que 42,4% deste valor foi retirado das contas correntes da construtora sem especificação do destinatário.

Investigadores dizem que Fagner operava a empresa fantasma: C P Rosas ganhou 29 tomadas de preços e 6 concorrências no valor de quase R$ 19 milhões

Após apresentar cada um dos evolvidos e mostrar que Vagner e Fagner Sales são os reais donos da empresa, o relatório da Policia Federal tipifica a conduta de cada um ao longo do cometimento dos crimes. No topo da lista, a empresa C P Rosas. De acordo com o documento, foram reunidas informações acerca de vários indícios que levam ao "verdadeiro dono" da empresa C P ROSAS CONSTRUÇÕES (CNPJ 11092802/0001-95) ser a pessoa de nome FAGNER ROJAS SALES (CPF 728.160.822-53), filho do ex-prefeito de Cruzeiro do Sul - AC de 2009 a 2016, VAGNER JOSÉ SALES (CPF 079.282.972-72).". Neste período – acrescenta o documento - a referida empresa logrou um faturamento em contratos com essa Prefeitura num montante de R$ 18.812.893,51",

De acordo com os documentos, as porcentagem de créditos nas contas correntes da empresa C P ROSAS eram oriundos do poder público. "Tomando por base o valor de R$ 23.148.502,09 que seria o total de créditos nas contas correntes de titularidade da C P ROSAS excetuados: lançamentos de estornos, créditos oriundos deste mesmo CNPJ, lançamentos de resgate de aplicações automáticas e créditos oriundos de empréstimos ou rendimentos do Banco do Brasil, pode-se chegar à conclusão que aproximadamente 92% dos créditos nas contas correntes da empresa C P ROSAS, o que seria aproximadamente o seu faturamento, de 2010 a 2016 foram oriundos do poder público municipal da região", diz o relatório.

O inquérito traz também a relação de licitações vencidas pela empresa C P ROSAS na prefeitura de Cruzeiro do Sul durante a gestão do prefeito Vagner Sales. Destaca-se "que (...) o valor total recebido pela construtora C P ROSAS da prefeitura de Cruzeiro do Sul só de 2010 a 2016 é de R$ 18.812.893,5", mostra o relatório. E prossegue: "A prestação de serviços de construção civil da construtora C P ROSAS à prefeitura de Cruzeiro do Sul permaneceu presente até os anos seguintes. Apesar de ter sido iniciada na gestão de VAGNER SALES, os serviços se seguiram na gestão subsequente. De 2009 a 2016, período de oito anos, a empresa ganhou na Prefeitura 26 Tomadas de Preço e seis Concorrências". A C P Rosas não tinha concorrências na Comissão de Licitação da Prefeitura.

E assim, mesmo sob a administração de Ilderlei Cordeiro, eleito com apoio de Vagner Sales e de Nicolau Júnior e que depois romperia com ambos, os pagamentos à C P Rosas continuaram. No total. R$ 3,795, 221, 86. Os pagamentos começaram em 2017, com R$ 2.547,146,74, e vieram até 2019, quando a empresa embolsou, a mando de Ilderlei, R$ 388.203,38. Em 2018, o pagamento foi de R$ 859.871.

Assim como na reforma e ampliação do estádio "Cruzeirão", foram constatadas irregularidades em outras obras, tendo sempre a C P Rosas Construções à frente de tudo. Foi o que ocorreu com a concorrência de número 01/2014, para a construção de calçadas, e a construção do Mercado da Carne, em Cruzeiro do Sul. O valor do programa de construção do mercado da carne, cujo processo licitatório também foi vencido pela C P Rosas Construções, era de R$ 1.351.926,49. "Em todo este processo também foram constatadas diversas irregularidades: 1. Não comprovação de equipe técnica permanente exigida no edital; 2. Não comprovação de equipamentos mínimos exigidos; 3. Comprovação da Garantia não encontrada no processo administrativo da licitação; a. Seguro garantia no valor de R$ 67.596,32; 4. Termo aditivo celebrados sem a devida apresentação de Justificativa Técnica e Parecer Jurídico; a. O Termo Aditivo objetivava o aditamento de prazo".

O ápice das irregularidades surgem 2017, quando o então prefeito Ilderlei Cordeiro, "atesta o recebimento da referida obra apesar dos indícios de não conclusão de determinados pontos". Além disso, todos a movimentação financeira descrita nesta seção se refere ao período no qual Ilderlei Cordeiro já era o prefeito de Cruzeiro do Sul", dizem os agentes da Polícia Federal.

Em relação ao programa de calçadas, o mesmo procedimento irregular. A diferença era o valor. O programa de construção de calçados, cuja licitação também foi vencida pela conhecida empresa C P Rosas Construções, foi orçado em valores superiores a R$ 2 milhões mas a empresa continuava a apresentar as mesmas irregularidades em relação à construção ao mercado da carne. Como no caso do estádio "Cruzeirão", os agentes federais comprovaram que a empresa não possuía sequer um pequeno caminhão de carroceria para transportar material.

Polícia Federal diz que obra do Mercado da Carne foi paga sem ser concluída

Mário Neto, como um simples funcionário público, se tornou empresário e passou a movimentar quantias milionárias?

Os documentos da Polícia Federal mostram a ação de um burocrata para a liberação dos recursos para chegar de forma rápida aos cofres da empresa C P Ross Construções e a partir dali tomar novos rumos, os bolsos dos criminosos envolvidos nas operações. Isso é possível graças à figura de um homem identificado como Mário Vieira Neto, que vinha a ser secretário de Planeamento do prefeito Ilderlei Cordeiro, apontado com "figura importante na sequência dos lançamentos financeiros que acontecem", conforme descreve a Polícia Federal.

Foi ele quem, através do empenho de número 2017030000582, de 27 de março de 2017, referente a última medição dos serviços prestados na obra de Modernização e Ampliação do Estádio Cruzeirão, apressou-se em pagar sem que a obra também não estivesse concluída.

Pagar bem e com celeridade à empresa C P Rosas Construções talvez fosse a forma encontrada por Mário Vieira Neto para retribuir tudo o que os Sales fizeram por ele ao longo do tempo.

Residente a rua Félix Gaspar 3.300, bairro do Formoso, em Cruzeiro do Sul, ele não tem imóveis registrados em seu nome, e o único bem em seu nome é uma motocicleta honda do ano de 2010, avaliada em pouco mais de R$ 8 mil. Mas quem disse que ele anda na moto velha? O carro no qual se desloca em Cruzeiro do Sul é o veículo Jeep Compass Longitude, de placa QLZ- 1880, de propriedade da empresa E. F. J. SALES & CIA LTDA – ME (CNPJ

24.9552.120.001-90). A empresa E.F.J. SALES & CIA LTDA tem como sócios os filhos do ex-prefeito Vagner Sales.

As informações da PF dão conta de que Mário Neto teria comprado o veículo para si apesar de ter declinado de seu próprio nome como proprietário.

Neto é servidor público na prefeitura de Cruzeiro do Sul desde 01/07/2008, no cargo de auxiliar de escritório, com salário médio de R$ 3 mil mensais. Mas o que menos fez ao longo do tempo foi ter atuado nesta função. Foi membro da Comissão Permanente de Licitação (CPL), aquela que não permitia concorrentes contra a empresa C. P Rosa Construções, e na gestão do prefeito Vagner Sales foi nomeado para os seguintes cargos: Comissão Permanente de Licitação (CPL), ano 2012, 2013, 2014 e 2015; Assessor de Relações Institucionais do Gabinete do Prefeito – 2009; Secretário Municipal de Gabinete do Prefeito – 2013; Secretário de Gabinete: ano de 2016, com salário de R$10.635,87; Secretário Municipal de Administração – 2014, 2015 e 2016, e em 2017, e já sob Ilderlei Cordeiro ocupou a Secretaria de Planejamento, com salário médio de R$ 13.300,00.

Mas é na iniciativa privada que o secretário se movimenta melhor, diz o relatório da Polícia Federal. Ele é figura importante na sequência dos lançamentos financeiros que acontecem. Ele se movimenta assim: dia 14 de março de 2017 autoriza o pagamento pelos serviços prestados na obra de Modernização e Ampliação do Estádio Cruzeirão, com o valor de R$ 243.269,16.

Ainda em 14 de março de 2017, um saque de R$ 1.000,00 é realizado na conta corrente da construtora C P ROSAS. No dia seguinte, ocorre uma retirada de R$ 13.000,00 na conta corrente da construtora C P ROSAS. Além disso, neste mesmo dia, Cleilson Rosas, que figura como sócio da CP Rosas, realiza um saque de R$ 99.000,00 em espécie na conta corrente da construtora. Em 16 de março de 2017, quatro saques em espécie são realizados na conta corrente da construtora C P ROSAS, totalizando R$ 10.700,00. No dia seguinte, são feitos três saques em espécie na conta corrente da construtora C P ROSAS, totalizando R$ 6.700,00. Além disso, neste dia Cleilson Rosas realiza um saque com posterior depósito na conta corrente do já conhecido Mário Vieira Neto no valor de R$ 88.000,00. Ainda neste dia, Mário Vieira Neto transfere R$ 8.000,00 para Fagner Sales.

Em 20 de março de 2017, um saque é realizado na conta corrente da construtora C P ROSAS, no valor de R$ 1.000,00. Ainda neste dia, Mário Neto transfere R$ 25.000,00 para empresa C B Falcão e no dia 21 de março de 2017 surge o pagamento, via empenho de número empenho 2017030000635, referente à 5ª medição da obra de Construção do Mercado da Carne, no valor de R$ 563.492,61.

Ainda sobre Mário Neto, os documentos mostram que a empresa de venda de passagens aéreas e pacotes turístico de nome Falcão, montada em Cruzeiro do Sul, começa a aparecer nos rolos envolvendo a família Sales porque, como num passe mágica, o simples funcionário que chega a ocupar a secretaria municipal de planeamento, agora é um respeitável empresário. Ele passa a ser sócio da empresa de passagens, que agora passa a se chamar Falcão & VIEIRA LTDA, uma microempresa com o CNPJ 10.815.390/0001-0. Mário Neto agora é sócio da agência de viagens com participação no capital social de 40%; entrada na sociedade, em 01/11/2017, com capital social de R$ 50.000,00.

De acordo com a Polícia Federal, nenhum dos bens de Mário Neto, incluindo a sociedade na agência de viagens, estão registrados na Receita Federal. "Ainda segundo os bancos de dados, MÁRIO NETO foi a pessoa física responsável pela empresa ELEIÇÃO 2012 COMITÊ FINANCEIRO AC UNICO PMDB CRUZEIRO DO SUL (CNPJ: 16382026000181). Chama atenção que este é o partido do ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, VAGNER SALES", diz o relatório da Polícia Federal.

O outro sócio da agência de passagem é Cristiano Barroso Falcão, também sócio minoritário em outra empresa, a JURUA EXPRESS LTDA (CNPJ: 34774317000105) e chama atenção que no quadro societário desta empresa também está, com 45% de participação, Ilderlei Souza Rodrigues Cordeiro (CPF: 36048690215), o prefeito de Cruzeiro do Sul eleito em 2016 com o apoio do prefeito Vagner Sales, com o qual acabaria brigando por razões ainda não esclarecidas.

Os fluxos financeiros de Mário Vieira da Silva Neto também são investigados. De acordo com os documentos analisados, destaca-se uma transferência no valor de R$ 3.500,00 da conta corrente de titularidade da empresa C P ROSAS para a conta corrente de titularidade de Mário Vieira da Silva Neto e outra no valor de R$ 88.200,00 na conta corrente de titularidade da empresa C. P. ROSAS CONSTRUCÕES e na sequência, na mesma seção de atendimento do dia 17/03/2017, houve um crédito (depósito em cheque) no valor de R$ 88.000,00 mil na conta poupança de titularidade de Mário Vieira da Silva Neto.

Na continuidade das análises dos extratos bancários, salta aos olhos que no mesmo dia (17/03/2017), Mário Neto realizou uma transferência entre contas no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais) para a conta corrente de titularidade de Fagner Roas Sales. Em, 11/04/2017, como pode-se verificar na fita de caixa do banco, Mário Neto realiza um saque de R$ 93.644,04 em sua conta corrente e, no mesmo atendimento, realiza o pagamento de um boleto nesse mesmo valor. O boleto pago possui exatamente o mesmo valor do veículo JEEP COMPASS QLZ1880 adquirido em nome da empresa E. F. J. SALES & CIA LTDA – ME, a qual possui como sócios os filhos de Vagner Sales, dentre eles Fagner Sales.

Além destes valores, há ainda mais um total de R$ 8.536,40 transferidos da conta corrente de titularidade da empresa C P ROSAS para a conta corrente da empresa C B FALCÃO por meio de 5 operações realizadas entre 2012 e 2016. Mário Neto ainda realizou mais duas transferências de valores expressivos (R$ 25.000,00 no dia 20/03/2017; e R$ 10.000,00 no dia 21/03/2017) para a conta corrente de titularidade da empresa C. B. FALCÃO.


Empresário Falcão também é sócio, em outra empresa, do ex-prefeito Ilderlei Cordeiro

De acordo com os documentos analisados, não deixa de chamar a atenção o volume de recursos que transitaram pela conta de Mário Vieira, "sem qualquer identificação de origem ou destino", como diz a Polícia Federal. De 1 de janeiro de 2010 a 31 de dezembro de 2017, foram realizados 95 depósitos acima de R$ 1.000,00 nas contas correntes de Mário Neto sem identificação de origem, totalizando R$ 384.848,21 (trezentos e oitenta e quatro mil oitocentos e quarenta e oito reais e vinte e um centavos). A mesma análise mostra que de 1 de janeiro de 2010 a 31 de dezembro de 2017, foram realizados 117 saques acima de R$ 1.000,00 nas contas correntes de Mário Neto sem identificação de destinatário, totalizando R$ 523.593,82 (quinhentos e vinte e três mil quinhentos e noventa e três reais e noventa e dois centavos).

Irmãos, pobres e lisos, passam a fazer negócios envolvendo altas quantias


Mas, pelo que mostram os documentos, Mário Neto é apenas só mais um "laranja" utilizado por Fagner Sales e seu pai Vagner. Lembra do Cleilson Rosas, já citado nesta reportagem? Pois bem. Seu nome verdadeiro é Cleilson Pinheiro Rosas, com o CPF número 92912907268, residente na Rua Pernambuco, 1375, também na cidade de Cruzeiro do Sul.

Em 2017, não possuía veículos ou imóveis na região em seu nome. Para se locomover, utilizava um veículo Fiat Siena, que estava em nome de Gebes Barreto Damasceno (CPF 850.464.262-34). Até 25/08/2009 não há registros em banco de dados ou sequer divulgação em Diário Oficial de que ele trabalha ou trabalhou registrado m carteira. Mas em 25/08/2009 entra na empresa C P ROSAS CONSTRUCOES LTDA, com 50% e Capital Social de R$ 250 mil. Nada mal para quem não tinha nada não é?

Em 22/03/2017 na empresa R. & T. COM. DE COMB. LTDA aparece como sócio da empresa ME (CNPJ 11.107.702/0001-95); de nome fantasia "PONTÃO AGUAS DO JURUA"; com participação de 100% e capital social de R$ 180 mil. A empresa está localizada na margem esquerda do rio Juruá, bairro Porto, município de Rodrigues Alves, interior do Acre. Ainda, segundo a Polícia Federal, o nome fantasia da empresa é Pontão Águas do Juruá.

A contabilidade mostra que Cleilson adquiriu a empresa de Thaffarel Santiago Sales (CPF 833.880.282-49), filho do ex-prefeito de Porto Walter, Vanderley Sales, irmão de Vagner Sales, portanto sobrinho do ex-prefeito de Cruzeiro do Sul. A empresa iniciou suas atividades comerciais por volta do final do mês de novembro de 2017.

De acordo com Relatório de Informação Financeira (RIF), no dia 18/05/2011, foi constatado um saque em espécie conta bancária da Prefeitura Municipal de Cruzeiro do Sul/AC realizado pelo sócio da empresa C P Rosas Construções Ltda. "Podemos observar uma possível incompatibilidade de rendimentos com os bens adquiridos; principalmente quanto à aquisição de 50% do Capital Social da empresa C POSAS CONSTRUCOES LTDA, uma vez que a sua renda anual em 2010 foi de R$ 17.000,00 e ainda sem declaração de "DÍVIDAS" (e ao menos outra forma de renda compatível) para poder investir R$ 250.000,00 na referida empresa", diz a Polícia Federal a respeito de Cleilson Pinheiro Rosas.

Mas aquele rapaz que nada possuía, agora é investigado pela ocultação de bens móveis, já que agora ele anda numa uma HILUX CD4X4 e tem um fluxo financeiro em suas contas de chamar a atenção, principalmente pelo valor financeiro que sai de suas contas por meio de saques sem destinação especifica. De 1 de janeiro de 2010 a 31 de dezembro de 2017, foram realizados 230 saques acima de R$ 1.000,00 nas contas correntes de Cleilson sem identificação de destinatário, totalizando R$ 1.950.967,08 (um milhão novecentos e cinquenta mil novecentos e sessenta e sete reais e oito centavos).

De acordo com os investigadores da Polícia Federal, sobre o caso "destaca-se que neste mesmo período os créditos nas contas de Cleilson Rosas, excetuados os estornos e os cheques devolvidos, totalizam R$ 2.694.590,16. Ou seja, deste total aproximadamente 72,4% dos valores creditados nas contas correntes foram sacadas sem identificação do destinatário", diz o relatório.

Aqui surge outro personagem, de nome parecido. É Cleilton Pinheiro Rosas (CPF: 79235050200), irmão de Cleilson, outro pobretão que a época possuía registrado em seu nome apenas uma motocicleta Honda Pop 100 2008, avaliada em R$ 2.750,00. Não possuía imóveis na região, mas, entretanto, utilizava uma Caminhonete TOYOTA HILUX, ano de 2010, de propriedade do ex-prefeito Vagner Sales,

Antes de 25/08/2009, Cleilton Pinheiro Rosas trabalhou no IAPEN (Instituto de Administração Penitenciária do Acre) e na Polícia Militar. Mas, mesmo nesta condição de humilde funcionário público, em 09/11/2010, ele já aparece com participação de 50% e Capital Social de R$ 250.000,00 na C P ROSAS CONSTRUCOES LTDA.

Em 2017, a Polícia Federal destaca o pequeno volume financeiro, em relação a Cleilson, que sai das contas de Cleiton Pinheiro Rosas por meio de saques sem destinação especificada em contraposição ao seu irmão. Isso porque ambos eram sócios da mesma empresa e com a mesma porcentagem de participação. "Entretanto, o volume movimentado por meio de saques sem destino especificado por Cleiton é demasiadamente menor", diz a PF ao se referir à movimentação de Cleilson. .

De 1 de janeiro de 2010 a 31 de dezembro de 2017, foram realizados 63 saques acima de R$ 1.000,00 nas contas correntes de Cleiton Rosas sem identificação de destinatário, totalizando R$ 111.333,39 (cento e onze mil trezentos e trinta e três reais e trina e nove centavos). Isso significa que, mesmo sócio com partes iguais e apesar das semelhanças quanto a ocupação, Cleiton retirou de sua conta aproximadamente 20 vezes menos recursos do que o irmão Cleison Rosas no mesmo período e com as mesmas características".

Fagner Sales também recebeu depósitos em sua conta sem identificação de origem

A vida financeira do candidato a prefeito Fagner Sales também está sob investigação da Polícia Federal e não difere muito da do seu pai Vagner. Relatórios preliminares do órgão, além de mostrar que o rapaz seria o "verdadeiro dono" da empresa C P ROSAS CONSTRUÇÕES LTDA, possui em nome uma propriedade rural (de denominação Gleba 190) de 685,5126 Hectares, com nome fantasia de "FAZENDA DALLAS", mas a propriedade não foi titularizada.

De acordo com a Polícia Federal, a propriedade fica em frente à fazenda em que possivelmente mora o seu pai, Vagner Sales, onde está também a localização da empresa E. F. J. SALES & CIA LTDA. Ele possuía em seu nome uma KOMBI 2012, adquirida em 2012 por R$ 48.000,00; uma L200 TRITON 2009 adquirida em 2014 por R$ 51.495,00, mas utiliza-se de um JEEP/COMPASS LIMITED 2017 que está em nome da empresa E. F. J. SALES & CIA LTDA – ME e é utilizado principalmente pela sua esposa, Priscila Valente Figueiredo, que é odontóloga.

Antes de 02/06/2016, de acordo comas investigações, há registros de trabalho no Poder Legislativo do Estado do Acre, com registro de entrada na data de 01/04/2002; e que continuava em aberto em 2017. Em 02/06/2016 entrou na sociedade de 33,33% da empresa E. F. J. SALES & CIA LTDA conhecida como "PSICULTURA PIRACEMA DO JURUA". "Chama a atenção recebimento de salários, via Prefeitura de Cruzeiro do Sul/AC nos anos de 2009 (R$ 24.000,00), 2010 (R$ 74.000,00), 2011 (R$ 72.000,00) e 2012 (R$ 32.000,00) (período em que seu pai era prefeito), uma vez que, por meio de pesquisas em Banco de Dados, foi encontrado, segundo o Portal da Transparência, que FAGNER SALES seria Secretário Executivo do Gabinete do Prefeito, de 20/08/2009 a 01/06/2012. Entretanto NÃO FORAM ENCONTRADAS as divulgações no Diário Oficial do Acre de qualquer contrato de trabalho efetivo ou temporário; sendo somente um extrato no Diário Oficial do Estado do Acre (? 10.818 de 12/06/2012) de exoneração de cargo de Secretário, após uma suposta denúncia da prática de crime de Nepotismo", apontou a PF.


Fagner está tão enrolado com a Polícia Federal quanto o pai Vagner Sales

Os investigadores também destacaram: "Chama atenção que nenhum dos bens acima citados, a exceção da sociedade empresarial, foram declarados à Receita Federal nos anos de 2010 a 2018"..

Os fluxos financeiros de Fagner Sales também chamam a atenção pela transferência, em 16/11/2017, de R$ 5.000,00 proveniente da conta corrente de titularidade de CLEILSON ROSAS, aquele que sócio da empreiteira C. P. ROSAS CONSTRUÇÕES) para a conta de titularidade de Fagner Roas Sales. "Além disso, também é relevante a transferência de R$ 8.000,00 em 17/03/2017 que Fagner Sales recebeu de MARIO NETO, secretário de planejamento à época", questionam os investigadores. "Basicamente, após receber R$ 88.000,00 da construtora C P ROSAS, MÁRIO NETO, efetua esta transferência para Fagner Sales e ainda não menos importante é o fato de que, quase um mês depois, Mário Neto paga um boleto de R$ 93.644,04, EXATAMENTE o valor do JEEP COMPASS adquirido em nome da empresa E. F. J. SALES & CIA LTDA – ME, cujo sócio é FAGNER SALES", aponta o órgão.

As investigações também destacam algumas transações suspeitas de Fagner Sales com um certo Francisco ds Chagas Amorim. São duas transferências em especial: R$ 36.000,00 (trinta e seis mil reais) em 19/11/2015 e R$ 8.000,00 em 09/08/2017. "Chamaram bastante atenção, uma vez que Francisco das Chagas Amorim era ocupante de cargo comissionado na gestão do ex-prefeito Vagner Sales. Não somente isso, após aproximadamente 2 meses da primeira transferência de FRANCISCO AMORIM para FAGNER SALES, FRANCISCO AMORIM recebe na data de 12/01/2016 um depósito de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) proveniente da conta corrente de titularidade da C P ROSAS CONSTRUÇÕES", mostram os investigadores. "Destaca-se o volume financeiro que entrou nas contas de FAGNER SALES por meio de depósitos não identificados. De 1 de janeiro de 2010 a 31 de dezembro de 2017, foram realizados 128 depósitos acima de R$ 1.000,00 nas contas correntes de FAGNER SALES sem identificação de origem, totalizando R$ 514.868,00 (quinhentos e catorze mil oitocentos e sessenta e oito reais).


Nicolau Júnior, fiador da campanha de Zequinha Lima, também recebeu depósito da construtora suspeita

Henrique Afonso, Zequinha Lima e Nicolau Jr. têm contas a ajustar com a Polícia Federal

Outra figura não menos implicada nas investigações da Polícia Federal é ninguém menos que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Nicolau Júnior, afastado do cargo na semana passada por ordem judicial face à outras irregularidades também investigadas pela Polícia Federal. No caso em que envolve o ex-prefeito Vagner e seu filho Fagner Sales, além de outras figuras de proa da sociedade de Cruzeiro do Sul, Nicolau Junior, o principal fiador da candidatura do candidato à Prefeitura de Cruzeiro do Sul por uma vasta coligação encabeçada pelo PP, Zequinha Lima, também apareceu mal na fita.

Rico, segundo a PF, no início das investigações, seu patrimônio consistia em uma HIGH 2015, placa QLZ9000, comprada em 28/07/2017 por R$100.000,00 e revendida em 22/05/2019 por R$90.000,00. Além disso, ele possuía também uma empresa de mesmo em seu nome (CNPJ: 13.979.911/0001-54), a qual, por sua, possuiu registrado desde 2013 cinco veículos:

? Um FOD/CARGO 1319 ano 2013, placa QLU1332, comprado em 09/04/2014 por

R$ 143.708,82;

? Uma VW AMAROK CD 4X4 HIGH ano 2016, placa NXS6536, comprada em

11/08/2016 por R$ 125.292,28 e posteriormente vendida em 25/10/2018 por R$

120.000,00;

? Uma S10 LTZ DD4A ano 2017, placa QLZ0111, comprada em 11/11/2016 por

R$ 117.068,94 e posteriormente vendida em 26/12/2017 por R$ 100.000,00;

? Um COMPASS LONGITUDE F ano 2018, placa QLV6888, comprado em

10/10/2017 por R$ 98.809,73.

? Um NOVO GOL TL MCV ano 2018, placa QLU6863, comprado em 04/04/2018

por R$ 36.399,51.

O fluxo financeiro de Nicolau Júnior, segundo a Polícia Federal, revela cinco lançamentos a débito na conta corrente de titularidade da C P ROSAS direcionados a NICOLAU CANDIDO DA SILVA JUNIOR, mais especificamente: quatro destes para sua pessoa física e um para sua pessoa jurídica acima descrita. "Além disso, chama atenção também que quatro destes lançamentos não foram simples transferências. Via de regra, são depósitos feitos após um saque na conta corrente da construtora C P ROSAS (descrito como SAQUE COM CARTÃO), isso levanta indícios que tal tipo de lançamento pode ter sido feito para tentar ocultar o fluxo do recurso. Este tipo de operação acaba por esconder de imediato a origem e a destinação do montante, sendo necessário recorrer a outros documentos (fitas de caixa) para tentar elucidar remetente ou destinatário dos valores", diz o relatório da Polícia Federal.

De acordo com as investigações, "esses lançamentos totalizam um fluxo financeiro de R$ 295.000,00 (duzentos e noventa e cinco mil reais) oriundos da C P ROSAS direcionados a NICOLAU CANDIDO DASILVA JUNIOR". O vulto destes lançamentos – prossegue a Polpicia Fedderal - também chama bastante atenção, uma vez que são originados de uma empresa que contrata com o poder público e direcionados a um importante agente público da região. Logo, é um fato suspeito que as transferências financeiras descritas abaixo se efetivaram a partir do ano da eleição e se intensificaram após a posse.

Aos leitores;

Sobre o assunto envolvendo autoridades em irregularidades em Cruzeiro do Sul, temos novas informações que serão divulgadas a qualquer instante. As informações mostram liames entre empresas diferentes que funcionam no mesmo endereço e que os envolvidos nos crimes não pouparam nem os próprios pais na hora de incluí-los em suas falcatruas.

Comunicar erro
anuncie aqui

Comentários

bann3