Deputada Federal revela em conversa gravada que pagou para se eleger

Vanda Milani diz à cabo eleitoral que ela foi paga "e muito bem paga" pelos votos que lhe deu; ouça o áudio

Por Francisco Fabiano em 11/12/2020 às 14:37:30

Israel e a mãe, a deputada Vanda Milani, e outros membros da família

TIÃO MAIA, DO AMAZÔNIA AGORA


Uma gravação que esta circulando em grupos de Whatsapp e obtida pela reportagem do Amazônia Agora mostra a deputada federal Vanda Milani (Solidariedade-Ac) admitindo que pagou por votos para se eleger. A gravação é de conversa com uma mulher que parece ter atuado como cabo-eleitoral da então candidata à Câmara Federal e outros políticos da coligação à qual ela pertencia.

A mulher liga e a deputada atende e é cobrada por promessas não cumpridas, ao que ela reage dizendo o seguinte: "Se o Márcio (certamente o senador Márcio Bittar) e o nosso governador tivessem honrado as coisas com você da mesma forma que eu honrei, certamente você não estava me dizendo isso porque você estaria muito bem". E prossegue: "você é mesmo, minha amiga, uma eterna mal agradecida. Mas não tem nenhum problema. Você fica tranquila porque os votos que você me deu, eu tenho certeza que eles foram muito bem pagos".

A deputada volta a dizer que se o senador e o governador tivessem feito pela mulher o que a parlamentar fez nos últimos dois anos, a interlocutora não estaria na situação em que está hoje. E se despede, antes de desligar o telefone, enviando abraços à interlocutora.

A deputada foi candidata pelo Solidariedade e obteve 22.219 votos totalizados, 5,23% dos votos válidos de todo o Estado, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Mas, por suas declarações, parte desses votos foram pagos, "muito bem pagos".

A declaração já seria um absurdo em se tratando do princípio de que captação de votos mediante a qualquer tipo de benefício, principalmente pagamento, é crime, e se torna ainda mais grave em se tratando de Vanda Milani, uma procuradora de Justiça aposentada do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC).

O Amazônia Agora tentou falar com a deputada pelo telefone celular de números finais 44, cuja linha é atribuída à parlamentar, mas estava constantemente desligado. A reportagem então entrou em contato com o secretário de Estado de Meio Ambiente, Israel Milani, filho da deputada e que funciona como seu articulador político.

Ao tomar conhecimento do teor da reportagem e da gravação, o secretário riu e disse o seguinte: "O áudio tá cortado você viu?. "E fora de contexto". Quando o repórter o indagou se ele tinha conhecimento anterior do áudio, o secretário acrescentou: "Não. Mas tranquilo. Ela (sua mãe) pode te mostrar o contexto da conversa melhor que eu".

E encerrou a conversada rindo.


Por Francisco Fabiano
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