Aranha azul elétrica, besouro aquático e mais 30 novas espécies descobertas na Amazônia

O zoólogo Andrew Snyder fazia parte de uma expedição que passou o mês de março de 2014 investigando todas as formas de vida encontradas

Por Francisco Fabiano em 13/01/2021 às 21:39:55

O zoólogo Andrew Snyder fazia parte de uma expedição que passou o mês de março de 2014 investigando todas as formas de vida encontradas no Parque Nacional Keieteur, região amazônica de Guiana, país vizinho do Brasil. Sua especialidade é répteis e anfíbios, mas por um evento de sorte, foi o responsável pela descoberta de uma nova espécie de aranha.

No blog da Global Wildlife Conservation, ONG que promoveu a pesquisa, Snyder relata que em uma noite decidiu realizar uma caminhada pela floresta, às margens do Rio Potaro, iluminado apenas por uma lanterna. Ao projetar o feixe de luz em direção a uma árvore, observou um brilho multicolorido, mas predominantemente azul, como reflexo de dentro de um buraco no tronco. Sua experiência já indicava que seria uma aranha.

ANDREW SNYDER/GLOBAL WILDLIFE CONSERVATION

Quando se aproximou, percebeu que estava meio certo: tratava-se, de fato, de uma aranha, embora o reflexo azulado não fosse resultante de seus olhos, mas, sim, de suas patas e pelos. "Eu imediatamente soube que era diferente de qualquer espécie que eu já havia encontrado antes", pensou naquele momento. Estava certo: era uma tarântula azul jamais vista antes pelo homem.


Mais de 30 espécies: besouros aquáticos e insetos carnívoros

O relatório final publicado pela Global Wildlife Conservation e parceria com a WWF lista pelo menos 30 novas espécies que possivelmente jamais tenham sido catalogadas pela ciência até então, todas elas típicas da Amazônia da Guiana.

De acordo com o documento, foram descobertas 6 espécies de peixes, 5 tipos de libélulas de comportamento carnívoro e 15 diferentes besouros aquáticos.

A região é uma das mais ricas em biodiversidade de todo o planeta e os pesquisadores acreditam que ainda há muitas formas de vida desconhecidas por lá. O sapo de Groete Creek, que carrega seus ovos nas costas, e a rã dourada de Kaieteur são dois exemplos.

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ANDREW SNYDER E TIMOTHY J. COLSTON/GLOBAL WILDLIFE CONSERVATION

Embora seu território seja pequeno, a Guiana é um país importante para o estudo de novas espécies animais e vegetais devido sua alta biodiversidade e baixa concentração populacional, sobretudo no parque nacional onde ocorreu a expedição - 50% das aves, 40% dos insetos, 43% dos anfíbios e 30% dos mamíferos do país vivem lá.


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