Após cinco meses, Justiça devolve carro de motorista envolvido em racha que matou Jonhliane em Rio Branco

Por Francisco Fabiano em 16/01/2021 às 14:54:30

Carro foi devolvido ao dono, Agnaldo Maia de Lima, pai de Alan Araújo de Lima, que dirigia o carro no dia do atropelamento e morte de Jonhliane Paiva de Souza, na Avenida Antônio da Rocha Viana em Rio Branco. Fusca branco foi devolvido na último sábado (9)

Reprodução

Após cinco meses do acidente que matou Jonhliane Paiva de Souza, de 30 anos, a 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar do Acre autorizou que o carro dirigido por Alan Lima fosse devolvido ao pai dele, Agnaldo Maia de Lima, proprietário do veículo. Decisão é do juiz Alesson Braz.

A Justiça acreana entendeu que a apreensão do veículo não tinha mais nenhuma função para o andamento das investigações e que não há mais nenhuma perícia a ser realizada.

A devolução do veículo ocorreu no último sábado (9), segundo informou a advogada Helane Cristina que representa Alan Lima, também o pai dele no pedido de restituição do veículo.

"Entreguei no sábado [9]. Ele entregou no momento correto, depois das perícias. Inclusive, a perícia no carro contrariou as teses colocadas. Porque ela constatou que a peça apreendida nunca foi colocada no carro e também constatou que o Alan não ultrapassou a 97 km, e no momento da batida ele estava a 86 km", pontuou a advogada.

Indiciamento

Alan Lima e Ícaro da Silva Pinto foram indiciados pela Polícia Civil, que concluiu as investigações no dia 11 de setembro. Segundo a perícia, Ícaro, que conduzia a BMW que matou a vítima, estava a uma velocidade estimada de 151 km/h. Alan, estava a 86 KM/h. Os dois foram indiciados por homicídio qualificado.

O delegado Alex Danny, que comandou as investigações, disse que, além do homicídio qualificado, eles também foram indiciados pelo crime de racha. A velocidade que o carro de Ícaro atingiu era três vezes maior que a permitida na Avenida Antônio da Rocha Viana, que é de 50 km/h.

Alan foi preso preventivamente no dia 14 de agosto, na casa de um irmão. Já Ícaro foi preso no dia 15, no posto da Tucandeira. Desde então, foram feitos vários pedidos de soltura pelas defesas dos dois, mas eles continuam presos.

Ícaro Pinto e Alan Lima

Reprodução/Rede Amazônica Acre

Audiência

Em dezembro, eles participaram de audiência quando seria decidido também se os acusados iam a júri popular. Contudo, o juiz Alesson Braz, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, pediu que o Instituto de Criminalística esclarecesse algumas questões sobre o caso e adiou a decisão.

Segundo o TJ, o juiz deve marcar uma nova audiência quando as questões abordadas forem esclarecidas. Além disso, o magistrado marcou para janeiro, depois do recesso do Judiciário, uma audiência de transação penal dos demais envolvidos no caso.

Na última semana, quatro testemunhas do caso deveriam ter sido ouvidas, mas eles não compareceram à audiência marcada para a terça-feira (12), na 2ª Vara do Tribunal do Júri.

Jonhliane Souza foi atropela e morta quando seguia para o trabalho no dia 6 de agosto de 2020

Arquivo da família

Relembre o caso

Jonhliane morreu no dia 6 de agosto do ano passado, na Avenida Antônio da Rocha Viana, em Rio Branco. A vítima estava indo trabalhar quando foi atropelada. Estão presos pela morte dela, Ícaro José da Silva Pinto e Alan Lima. Os dois estariam praticando um racha no momento em que o carro de Pinto atingiu Jonhliane.

No último dia 16 de dezembro, a Justiça do Acre negou um pedido de prisão domiciliar para o estudante Alan Lima. O pedido foi negado pela 2ª Vara do Tribunal do Júri.

"Da análise dos presentes autos, verifica-se não haver notícia de qualquer fato novo capaz de elidir os elementos fundamentados da decretação da prisão preventiva. Neste momento, ainda permanecem os requisitos autorizadores da prisão preventiva", destaca parte da sentença.

Protesto

Familiares de Jonhliane fizeram um protesto no mesmo dia que ocorreu a audiência, no dia 16 de dezembro, em frente à Cidade da Justiça. Com cartazes e até uma motocicleta caída em frente ao prédio representando o acidente. Os familiares de Jonhliane pedem que a Justiça seja feita e que o réu vá a júri popular.

“Faz mais de cinco meses desde o falecimento da minha irmã. A família vive um momento muito triste ainda, uma perda dessa é irreparável. Foi um crime onde duas pessoas disputavam um racha em uma avenida aonde era permitido, no máximo, 50km/h e eles estavam a 150km/h. Então, houve a intenção de mantar”, disse o irmão Jhonatas Paiva.

Família fez protesto durante audiência que decidiria se motorista que atropelou e matou mulher iria a júri

Tálita Sabrina/Rede Amazônica

Denúncia do MP

O Ministério Público do Acre (MP-AC) ofereceu denúncia à Justiça contra Ícaro e Alan, no dia 16 de setembro.

Vídeo mostra carros em alta velocidade momentos antes de atingir motociclista

A denúncia contra os dois motoristas é por homicídio, racha e pelo menos mais dois crimes acessórios, como fuga do local e omissão de socorro, de acordo com o promotor que acompanha o caso, Efrain Mendoza.

Mendoza disse que, com base no inquérito e os laudos periciais, o racha foi uma das principais condutas apontadas ao final das investigações da polícia.

G1 em 1 Minuto
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