Agora a coisa ficou séria: preço da cerveja também vai aumentar no país

Segundo o IBGE, impulso do dólar afeta o custo de commodities como o milho e a cevada e a loura suada nossa de cada dia terá alta em seus custos de até 15%

Por TIÃO MAIA, DO AMAZÔNIA AGORA em 22/01/2021 às 10:45:50

Aumento no preço da cerveja deverá ser da ordem de 15% já no primeiro semestre do ano, diz IBGE

Boletins emitidos no país pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) nos últimos dias informam que a cerveja vai ficar mais cara. A causa é o aumento no preço dos insumos, a escassez de embalagens e o custo da energia, segundo estimativas de produtores e de entidades do setor ouvidas pelo IBGE.

Outro fator da alta é também, de acordo com o IBGE, o impulso do dólar, a moeda norte-americana, o que afeta diretamente o custo dos commodities, como o milho, a cevada, as leveduras e o alumínio, que são base da cadeia de produção da bebida.

Embora a inflação da bebida em 2020 tenha sido de 1,94%, segundo o IBGE, o mercado deve reposicionar os preços neste primeiro semestre, e o aumento ao consumidor final deve ficar entre 10% e 15%, seguindo a tendência de aumento dos alimentos.

"A constante alta do dólar gerou impacto no custo dos commodities, sem contar o custo de energia elétrica, que também aumentou. Esses fatores têm influência direta no preço das bebidas. Se foi possível segurar até o momento, certamente o impacto vai desaguar em 2021", diz o diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) Carlo Enrico Bressiani, citado no boletim do IBGE..

E ele complementa: "O Brasil é um país fechado, cheio de burocracia e que enfrenta problemas com a variação cambial. Quem sofre mais são as pequenas empresas, porque a maioria não tem contratos de compra e fornecimentos mais estáveis e adquire produtos conforme a demanda. Mas até os grandes terão de aumentar o preço para o consumidor final".

O produtor e sommelier de cervejas e presidente da Federação Brasileira das Cervejas Artesanais, Marco Falcone, explica que a maioria dos produtos utilizados na fabricação das cervejas é importada e negociada na moeda norte-americana, sofrendo diretamente com variação cambial. O dólar americano era cotado a R$ 4,02 em janeiro de 2020 e fechou o ano passado custando R$ 5,45.

"Nós temos um viés inflacionário muito relevante, porque os produtos são indexados em dólar, e a cerveja vai sofrer com aumento dos insumos importados. Eu falo de 13% de aumento médio em todo o setor. O que não é pouca coisa", observa.

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