Batalhão ambiental registra aumento de 150% em ocorrências de furto de madeira para venda ilegal no AC

Por Francisco Fabiano em 12/02/2021 às 19:13:32

Grupo invade áreas públicas ou privadas para cortar madeira e vender ilegalmente. Órgãos fiscalizadores dizem que têm intensificado ações de combate ao crime ambiental.

Crimes de retirada de madeiras para venda ilegal têm sido recorrente no estado

Arquivo/BPA-AC

O Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Acre registrou, em um ano, o aumento de 150% das ocorrências relacionados à invasão de áreas para furto de madeira. Segundo o major Kleison Oliveira de Albuquerque, comandante do batalhão, os crimes têm se tornado recorrentes e interferem diretamente nos prejuízos de quem trabalha legalmente no mercado de venda de madeiras no estado.

Os dados são de 2019, quando 10 registros de furto de madeira foram registrados, e 2020, quando essas ocorrências subiram para 25. E ainda, somente nos primeiros dias deste ano, cinco registros foram feitos.

Para furtar a madeira, o grupo invade áreas públicas ou privadas, cortam árvores e aí formam blocos que são vendidos de forma ilegal. Fora o dano ambiental, o setor madeireiro do estado é afetado diretamente.

No final de janeiro, um flagrante grande ocorreu em uma fazenda no município de Sena Madureira. O grupo invasor estava com trator dentro de uma área privada fazendo a retirada de madeira - 47.9 m³ de tauari branca e vermelha.

Grupo invade terras privadas e públicas e derrubam árvores para a venda ilegal de madeira

Asscom/BPA

"Essas áreas são invadidas. Sem o conhecimento do dono da terra, os suspeitos entram, derrubam e arrastam as toras. De lá são cortadas, transformadas em blocos menores e são transportadas geralmente à noite ou de madrugada para tentar burlar a fiscalização", explica.

Como foi o caso de outro flagrante em Cruzeiro do Sul na última segunda-feira (8), quando dois caminhoneiros foram pegos com 10 m³ de madeira ilegal . Eles faziam o transporte durante a noite na rodovia AC-405.

Só no ano passado, 12 pessoas foram presas cometendo crimes como esses. O major disse ainda que esse tipo de ação também ocorre na área pública, mas na privada o impacto é maior porque o prejuízo é individualizado. Além do crime ambiental, há também a questão econômica.

"Para o dono da área isso não é interessante, ele acaba sendo castigado. Porque preservou, cuidou, mas alguém foi lá e invadiu a terra para que essa madeira seja vendida de forma ilegal e acabe concorrendo com ele no mercado interno", destaca.

O batalhão ambiental atende todo o estado. Além da capital, Cruzeiro do Sul tem um pelotão específico para essa área também. Em cidades próximas, é possível atender no mesmo dia. Porém, em cidades mais distantes, o batalhão precisa planejar operações - o que leva mais tempo.

Ele destaca ainda que essas ocorrências são ainda maiores, já que o quantitativo é apenas de denúncias registradas. O major diz ainda que é possível ver que esse tipo de invasão e crime acabam interferindo também no aumento de ocorrências de queimadas, que castigam o estado durante a estiagem.

"Não sei a correlação, mas está havendo isso. O aumento dessas invasões está ligado diretamente ao aumento dessas ocorrências. Além do crime ambiental, também é um prejuízo para o pagador de impostos."

Carga de madeira ilegal foi apreendida em Cruzeiro do Sul no começo de fevereiro

Asscom/PM-AC

Sindicato

O Sindicato das Indústrias Madeireiras do Estado do Acre (Sindusmad) fez uma nota dizendo que está acompanhando as ocorrências e tem atuado juntamente com os órgãos fiscalizadores para tentar coibir esses crimes.

"Atuamos pelo desenvolvimento da atividade de forma legal e sustentável com foco nos mercados formais. A indústria de base florestal no nosso estado é referência para o resto do país no quesito legalidade e vamos lutar junto com os órgãos ambientais competentes para coibir a ilegalidade. Estamos abertos para o debate de políticas públicas viáveis e que promovam as atividades não só do ponto de vista econômico, mas também social e ambiental", disse o presidente do sindicato, Thyago Barlatti.

O G1 tentou ouvir o Instituto de Meio Ambiente (Imac) sobre a questão, mas não obteve retorno. Porém, a Secretaria de Meio Ambiente do estado (Sema) informou que no dia 20 de janeiro foi feita uma reunião para integrar as ações das várias instituições que atuam na fiscalização e combate a crimes ambientais.

Batalhão Ambiental, da Polícia Militar, atua em todo o estado

Cleiton Lopes/Asscom

Além da Sema, participaram do encontro a Polícia Civil, o Imac, Exército Brasileiro, Força Nacional e Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e foram definidas as estratégias de ação em campo para o levantamento e identificação das ocupações irregulares e demais crimes ambientais.

Também foi solicitado à Polícia Civil um levantamento desse tipo de crimes investigados, mas não obteve retorno até esta publicação. Porém, foi informado que geralmente ocorrências como essas são finalizadas com a assinatura de termo circunstanciado de ocorrência (TCO).

O G1 também pediu informações sobre ocorrências e acompanhamentos da Promotoria Especializada de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público do Acre (MP-AC), mas também não obteve retorno até esta publicação.

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